Descrição de chapéu Coronavírus

Estado do Rio e capital paulista anunciam medidas para conter coronavírus

Viatura da polícia do RJ pediu que pessoas voltassem para casa; Covas diz que vai dobrar leitos de UTI

Rio de Janeiro e São Paulo

O estado do Rio e a cidade de São Paulo anunciaram, nesta segunda-feira (16), medidas para tentar conter a transmissão do novo coronavírus. Após negociação com estabelecimentos comerciais e shoppings, o governador fluminense, Wilson Witzel, afirmou que baixaria um decreto em que declara situação de emergência no estado.

O decreto recomendará o fechamento de lojas em shoppings, à exceção de praças de alimentação, e a suspensão do funcionamento de academias e de clubes. Até a conclusão desta edição, o decreto não havia sido editado.

Em São Paulo, o prefeito Bruno Covas (PSDB) anunciou que suspenderá o rodízio de veículos por tempo indeterminado a partir de terça-feira (17) e que fechará equipamentos culturais na cidade.

Escada no morro Santa Marta, no Rio; governador anunciou restrições contra o coronavírus e escolas já não abriram nesta segunda
Escada no morro Santa Marta, no Rio; governador anunciou restrições contra o coronavírus e escolas já não abriram nesta segunda - Zô Guimarães /Folhapress

Pelo acordo anunciado por Witzel, restaurantes e bares deverão atender apenas a um terço da capacidade de frequentadores, priorizando a retirada de alimentos diretamente pelos consumidores ou a encomenda via sistema de delivery.

As praças de alimentação de shoppings funcionarão em regime de um turno.

"Só estará aberta a praça de alimentação, as lojas estarão fechadas. Bares e restaurantes fizeram acordo para atenderem um terço da população", afirmou.

O governador disse que o estado colocará alto-falantes nas viaturas, apelando para que os fluminenses "voltem para casa, brinquem em casa, não saiam de casa".

A polícia militar postou um vídeo nas redes sociais que mostra uma viatura solicitando que as pessoas voltem para a casa. "Evitem aglomeração das praias e em locais de grande concentração de público", disseram os policiais no carro.

A projeção do estado é que, se as pessoas não adotarem as medidas recomendadas, o Rio tenha 24 mil infectados em um mês.

"Essas medidas foram adotadas em vários países, se não adotarmos aqui [a doença] vai atingir as pessoas mais velhas e deficientes", disse o governador.

Reunido com o secretariado, o governador discutiu também a melhor estratégia para impedir o trânsito de ônibus de passageiros entre os municípios do Rio, evitando a proliferação da doença hoje concentrada na capital. O governador definirá também medidas para redução de concentração de passageiros no metrô.

O secretário de saúde do Rio de Janeiro, Edmar Santos, usou o exemplo da Itália para alertar a população do Rio de Janeiro a não sair às ruas.

"A Itália um mês atrás estava como estamos hoje. Um mês depois, está assim. As ruas absolutamente vazias. Mas só estão vazias depois de mais de 1.800 morrerem. O desafio é fazer as ruas do Rio de Janeiro ficarem vazias hoje, com apenas um paciente em estado grave", disse Edmar Santos. "A situação é grave e verdadeira", apontou o secretário.

Em São Paulo, Covas anunciou medidas em entrevista ao programa de José Luiz Datena, da TV Bandeirantes, em um momento em que negocia com o jornalista a posição de vice em sua chapa na próxima eleição municipal .

"O rodízio está suspenso. Não só o rodízio, como todas as outras medidas, são por tempo indeterminado. A expectativa é que tenha um pico de crescimento da pandemia por três meses. Mas como vamos passar a acompanhar isso diariamente não estamos dando prazo para nenhuma das medidas", disse o prefeito na TV Bandeirantes.

Datena se filiou ao MDB recentemente e cogita fazer parte da chapa do tucano. Por outro lado, cogita também sair como cabeça de chapa, tornando-se rival de Covas.

Quase duas horas depois da entrevista exclusiva, a prefeitura publicou um texto em seu portal com as medidas que serão adotadas a partir desta terça. Há restrições inclusive para velório: serão tolerados dez pessoas por sala ao mesmo tempo. Os idosos não deverão utilizar ônibus no transporte coletivo.

Segundo a nota, todo os ônibus serão lavados com água sanitária ao final da linha. A prefeitura, no entanto, não informa como irá fiscalizar o cumprimento dessas medidas.

Covas anunciou que trabalhadores da prefeitura acima de 60 anos e que estão em tratamento como quimioterapia poderão trabalhar de casa. Além disso, citou aumento de vagas em hospitais.

"Em 20 dias vamos dobrar o número de leitos de UTI. Serão mais 490 na cidade para que possa se precaver", disse Covas.

Segundo o prefeito, serão fechados equipamentos culturais e da área social, exceto de acolhimento para moradores de rua.

A gestão vive um impasse sobre se vai ou não adotar medidas restritivas na cidade. De acordo com a colunista Mônica Bergamo, ele havia tomado a decisão de decretar estado de emergência, mas foi desaconselhado pela área jurídica da prefeitura.

O prefeito deve também se mudar para a sede da prefeitura, passando lá as 24 horas do dia para despachar e agilizar decisões para enfrentar a possibilidade de disseminação da doença.

Entre as medidas, as praças de serviços da prefeitura vão atender somente quem fizer agendamento prévio pela internet. Os parques continuarão abertos, mas poderão ser fechados nos próximos dias.

“Todas as medidas estão sendo tomadas por sugestões dos profissionais da área de saúde. Nesse momento, o fechamento de parques não foi sugerido. Amanhã, quarta, quinta ou sexta, a situação poderá ser outra”, disse Covas.

O prefeito afirmou que os cofres municipais deixarão de receber pelo menos R$ 1,5 bilhão durante 2020. “Se a crise se agravar, o prejuízo vai ser pior”, disse Covas. “Por conta de atividades econômicas canceladas, a Prefeitura vai ter uma perda com receitas de ISS, ITBI. A receita tributária será 60% menor.”

Witzel reivindica verbas do governo Bolsonaro

Recomendando que a população não desafie a doença, sob pena de chorar nos leitos de morte, o governador do Rio Wilson Witzel afirmou, nesta segunda-feira (16), que os governadores reivindicarão suporte financeiro ao governo Bolsonaro.

Segundo Witzel, em reunião virtual, governadores decidiram pleitear a liberação de pelo menos R$ 50 bilhões, distribuídos segundo a população, como socorro aos estados.

O governador afirmou que não há como suportar a crise de arrecadação enfrentada pelos Estados sem que a União venha a recorrer.

"A dona do cofre é a União", disse Witzel, acrescentando que "o problema não é apenas do Rio, é também do governo federal".

Witzel disse ainda que governadores vão reivindicar maior volume de recursos para saúde, além dos R$ 5 bilhões já liberados pelo governo Bolsonaro.

Para o Rio, a cota é de R$ 36 milhões. "Estamos estimando o custo de R$ 1 bilhão. R$ 36 milhões nem dá para começar".

O governador anunciou decisão de disponibilizar, "do pouco que temos", R$ 320 milhões para empréstimos a pequenas empresas e microempresas. O prazo de carência será de 12 meses.

Witzel disse ainda que os governadores dos maiores estados brasileiros, como São Paulo e Minas, estudam acionar o STF (Supremo Tribunal Federal) em caso de descumprimento das determinações de combate ao coronavírus.

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