Descrição de chapéu Coronavírus

Hospitais do interior de SP esperam há dois meses recursos para leitos de UTI

Hospitais das Clínicas da Unicamp e da Unesp em Botucatu são referência no atendimento do coronavírus

São Paulo

Há dois meses os Hospitais das Clínicas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e da Faculdade de Medicina de Botucatu, da Unesp (Universidade Estadual Paulista) aguardam a liberação de recursos do governo do estado de São Paulo para ampliar o número de leitos de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) para atender casos graves de pacientes com coronavírus.

Os diretores das unidades temem que a demora na liberação dos recursos dificulte a compra dos equipamentos médicos necessários que estão em falta no mercado. Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde disse estar em diálogo com os hospitais e “analisando as necessidades da rede de saúde e a viabilidade de ativação de mais leitos”, mas não informou se há previsão de envio do dinheiro.

Os hospitais são referência para atender pacientes do novo coronavírus nas suas regiões, que nos últimos 15 dias tiveram um salto de casos confirmados e atendem cidades que são consideradas polos de dispersão do vírus. Na região de Campinas, o número de confirmações passou de 50, no dia 1º de abril, para 240, nesta terça (14). No mesmo período, a região também passou de 1 para 19 mortes. Na região de Botucatu, o número de casos foi de 6 para 78 nesse período. As mortes, de 1 para 6.

O HC da Unicamp tem atualmente 40 leitos de UTI para adultos e 20 de UTI pediátrica. Inicialmente, havia a negociação com a secretaria para a liberação de recursos para mais 40 leitos. Passados dois meses, hoje a pasta negocia enviar dinheiro para ativar apenas mais 20, apesar de nem mesmo esse recurso ter sido liberado.

O HC de Botucatu tem 33 leitos de UTI e solicitou a ativação de mais 30. A secretaria não informou se pretende abrir novos leitos da especialidade e quantos seriam, informando apenas que analisa as necessidades da rede de saúde na região.

A Folha apurou que há preocupação entre as equipes médicas desses hospitais de que o recurso só seja liberado quando a situação dessas regiões estiver crítica. Temem ainda que a atenção da Secretaria de Estado da Saúde esteja mais voltada para a capital neste momento.

Enquanto não há liberação do recurso estadual, as unidades tentam arrecadar doações para viabilizar a abertura dos leitos. Na Unicamp, por exemplo, até esta quarta (15), cerca de R$ 10 milhões haviam sido arrecadados. O valor, contudo, também é utilizado para a compra de equipamentos de proteção individual, como máscaras e aventais.

A implementação de um leito de UTI custa cerca de R$ 180 mil, e sua manutenção, entre R$ 2.500 e R$ 3.000. A abertura dos 20 leitos esperados pelo HC da Unicamp e o recurso para mantê-los por um mês equivaleria a R$ 5,1 milhões. Os 30 leitos do HC de Botucatu, R$ 7,6 milhões.

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