Descrição de chapéu Obituário Widad Eid Gomes da Silva (1928 - 2020)

Mortes: Uniu liderança e força política à solidariedade e ao amor

Widad Eid Gomes da Silva entrou para a política para melhorar a vida do próximo

São Paulo

Widad Eid Gomes da Silva ou dona Idá foi a primeira mulher a presidir a Câmara Municipal de Taquaritinga (328 km de SP).

Doce, mas de opiniões fortes, tinha gosto pelo trabalho e todas as qualidades de uma líder: inteligente, corajosa, determinada, agregadora e crente no ser humano.

Widad nasceu em Novo Horizonte (399 km de SP), no seio de uma família libanesa. Era a quinta de sete filhos. Na colônia libanesa a conheciam como Odete, devido à pronúncia do seu nome (“uidéd”).

Widad Eid Gomes da Silva (1928-2020)
Widad Eid Gomes da Silva (1928-2020) - Arquivo pessoal

Casou-se em 1950, quando foi morar em Taquaritinga. Mesmo com os filhos pequenos, graduou-se em matemática e, assim como o marido, tornou-se professora. O sonho de ser médica foi realizado pelo filho mais velho e o irmão caçula.

Idá aposentou-se quando já era avó. Convidada pelo então prefeito Adail Nunes da Silva, assumiu a presidência do Fundo Social de Solidariedade. A função permitiu que exercitasse o que tinha de mais bonito: a generosidade. “Sua atuação foi em prol de crianças e famílias em vulnerabilidade social.

Oferecia reforço escolar, atividades artesanais e de culinária, estimulando as mães a desenvolverem habilidades para geração de renda. Instalou uma pequena fábrica de tijolos, para que, em mutirão, as famílias pudessem ampliar suas moradias”, conta a nora, a psicóloga Maria Teresa Silva, 65.

Com foco em melhorar a vida das pessoas, iniciou carreira política. Vereadora por três mandatos consecutivos (1989 a 2000), foi incansável e idealista. Apesar das conturbações que a política trouxe, jamais perdeu a sua essência.


Na presidência da Câmara Municipal de Taquaritinga, abraçou causas como a instalação da Delegacia da Mulher, o direito ao planejamento familiar e a valorização dos servidores municipais.

Dona Idá não tinha horário exclusivo para descanso. Em muitos domingos, interrompia os almoços em família para atender a população carente.

“Tinha especial carinho pelos moradores da Vila São Sebastião, onde concentrava suas atividades sociais”, diz Maria Teresa. Sempre que podia relaxar, apegava-se à leitura e ao jogo de buraco, passatempo preferido.

As complicações causadas pelo mal de Alzheimer a venceram no dia 3 de setembro.

Widad morreu aos 91 anos. Viúva, deixa quatro filhos, genros, nora, nove netos e nove bisnetos —o décimo está a caminho.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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