Descrição de chapéu Obituário Maria de Lourdes Pereira Dal-Bó (1931 - 2020)

Mortes: Sempre com uma taça de vinho, era o pilar da família

Maria de Lourdes Pereira Dal-Bó tinha como pilares a educação e a religião

São Paulo

Uma taça de vinho e uma boa gargalhada eram sua marca registrada. Dificilmente Maria de Lourdes Pereira Dal-Bó seria vista sem um dos dois. Nascida em Tubarão (SC) em 1931, perdeu a mãe um ano depois, tendo sido criada pela madrasta, que fazia jus à má fama.

Após atingir a maioridade, foi morar com Anna, carinhosamente chamada de Tita, uma de seus nove irmãos e meio-irmãos –ela e o marido acabaram adotando a jovem adulta, e são esses os nomes de filiação que estão em suas certidões até hoje.

Foi em Tubarão que Lourdes escolheu casar e ter seus cinco filhos, quatro mulheres e um homem. Da infância difícil, levou para a vida a importância da educação e fez questão de que os filhos entendessem isso.

Maria de Lourdes Pereira Dal-Bó, nascida em Tubarão (SC), morreu aos 89 anos
Maria de Lourdes Pereira Dal-Bó, nascida em Tubarão (SC), morreu aos 89 anos - Arquivo pessoal

Com ensino fundamental completo, trabalhou com contabilidade em uma loja na cidade catarinense. E não poupou esforços para que os filhos chegassem pelo menos à faculdade. Mesmo todos tendo o ensino superior completo, fazia questão que fossem mais longe.

Incentivou que os filhos saíssem do interior do estado para cursar de medicina a direito longe de suas asas. Ficava atenta às oportunidades da área de cada um para que avançassem na carreira.

Além da educação, outro pilar seu era a religião. Frequentava as missas dominicais, sem faltar. Conhecia os padres pelo nome. Bíblia e imagens sacras faziam parte de sua casa.

Lourdes era também uma sobrevivente. Perdeu quase tudo na fatídica enchente de março de 1974 em Tubarão, com a casa inundada, levando móveis, lembranças e o enxoval da caçula, nascida cerca de duas semanas depois. Ela e o marido, Bruno, reuniram o que tinham para recomeçar.

Passados três anos, com a casa recuperada, veio uma nova enchente, destruindo toda a reconstrução. Seu marido, que teve dois netos batizados em sua homenagem, morreu de infarto após um ano, em 1978.

A matriarca seguiu como cerne da família —até quando pôde, acompanhada de um bom vinho ou de um copo de cerveja. Suas filhas não imaginavam ver o dia em que diriam adeus à mulher que chamam, com orgulho, de guerreira. Vítima de Alzheimer e câncer de pulmão, morreu aos 89 anos infectada por coronavírus, na terça-feira (17).

Gostava de ter sua família unida e reunida. Não havia lugar pequeno demais para abraçar seus cinco filhos, dez netos e cinco bisnetos. Uma família marcada por momentos difíceis, mas que tinha em Lourdes seu pilar.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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