O que você precisa saber sobre os testes de coronavírus

Quando é necessário fazer um teste para coronavírus; qual tipo de teste deve ser feito; como ser testado e outras questões

Tara Parker-Pope, Katherine J. Wu
The New York Times

Testes são essenciais para o controle do coronavírus. A partir do momento em que as pessoas sabem que estão contaminadas, podem se isolar, alertar outras do risco e interromper a transmissão.

Porém, meses depois do início da pandemia, muitas pessoas ainda estão frustradas e confusas em relação aos testes do vírus. As longas filas, as demoras em obter os resultados e até os valores inesperados cobrados pelos testes desanimam algumas pessoas. Muitas não entendem o que um teste pode ou não lhe dizer sobre seu risco. Elas pensam, equivocadamente, que um resultado negativo garante que elas não possam propagar o vírus para outras pessoas.

Pedimos a alguns dos maiores especialistas americanos sobre testes para nos ajudar a responder a perguntas comuns sobre como ser testado, o que esperar e o que significam os diferentes testes e resultados. Veja o que eles nos disseram.

Quando preciso fazer um teste para coronavírus?

Idealmente, deveríamos poder fazer um teste quando quiséssemos. Mas nos Estados Unidos a disponibilidade de testes varia em diferentes partes do país. Em alguns lugares ainda é preciso receita médica para fazer o teste. Em outros, basta dirigir-se a uma clínica, sem hora marcada, ou até usar um kit especial para fazer o teste em casa. Há quatro razões principais para querer fazer o teste.

Sintomas: O motivo mais urgente para se testar é apresentar sintomas de doença. Tosse seca, fadiga, dor de cabeça, febre ou perda do olfato são alguns dos sintomas comuns da Covid-19. Enquanto você aguarda os resultados do teste, isole-se e alerte as pessoas com quem você esteve nos últimos dias, para que elas possam tomar precauções. Muitos testes são mais confiáveis quando feitos na primeira semana em que você apresenta sintomas.

Exposição: Você descobriu que passou tempo recentemente com uma pessoa contaminada? Esteve em alguma situação de risco, como uma reunião em um ambiente fechado, em um grande evento, um aeroporto ou um avião? Você deve ficar de quarentena e fazer um teste. Se não houver disponibilidade fácil de testes ou você tiver apenas uma oportunidade de se testar, é melhor fazê-lo cinco ou seis dias após a possível exposição, quando o vírus pode ter alcançado níveis detectáveis em seu organismo.

Um teste feito antes da hora pode produzir um resultado falso negativo. Se você está numa cidade onde é fácil fazer um teste, faça o teste alguns dias após a exposição, e se o resultado for negativo, repita o teste três ou quatro dias depois. Se você acha que esteve exposto ao vírus, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) aconselha que você passe pelo menos sete dias em quarentena e teste negativo antes de voltar às suas atividades normais.

Precauções: Algumas pessoas se fazem testar como salvaguarda. Hospitais podem exigir teste de coronavírus antes de realizar cirurgias ou alguns procedimentos médicos invasivos. Pessoas que visitam casas de repouso podem ter que fazer um teste rápido antes de entrar. Muitas faculdades e escolas internas testam os alunos com frequência e sugerem que eles sejam testados antes de deixar o campus e quando retornam. Se você tiver que viajar, é boa ideia fazer um teste antes de partir e alguns dias depois de voltar. Um resultado negativo em teste de coronavírus nunca o autoriza a reunir-se com outras pessoas livremente, mas saber se você está infectado ou não vai reduzir as chances de você disseminar o vírus sem saber. Cheque o tempo levado para obter resultados no local de testes de sua região e procure programar seu teste para obter o resultado o mais perto possível do evento ou visita que vai fazer. Mesmo que o resultado de seu teste seja negativo, você ainda terá que usar máscara, manter distância de outras pessoas e tomar outras precauções.

Testes comunitários: Em alguns casos as autoridades de saúde locais incentivam a aplicação generalizada de testes para todos, oferecendo testes em clínicas, farmácias e centros de testes drive-thru. Testar grande número de pessoas é útil para avaliar o nível de disseminação em uma área, podendo ajudar a frear ou reduzi-la em áreas de contaminação sabida.

Em Nova York, por exemplo, uma campanha do departamento de saúde incentiva as pessoas a se testarem com frequência, mesmo que se sintam bem. “Descobrimos que uma das maneiras de controlar o vírus é garantir que o maior número possível de pessoas seja testado a qualquer momento, para podermos identificar pessoas que têm o vírus mas ainda não sabem disso”, explicou Jay K. Varma, vice-comissário de controle de doenças do Departamento de Saúde de Nova York.

Que tipo de teste devo fazer?

Os testes de vírus são classificados segundo o que procuram: testes moleculares, que procuram o material genético do vírus, e testes de antígeno, que buscam proteínas virais. Todos os diversos testes usam uma amostra colhida do nariz, garganta ou boca que pode ser enviada a um laboratório ou processada em questão de minutos. Os testes devem ser gratuitos ou pagos por seu convênio, embora alguns centros de testes venham cobrando valores extras. Veja quais são os testes comuns e alguns dos prós e contras de cada um.

Teste molecular laboratorial: O teste mais amplamente disponível e o que a maioria das pessoas faz é o teste PCR (reação em cadeia da polimerase), uma técnica que procura pedaços do material genético do vírus –como um detetive que procura DNA na cena de um crime.
Prós: O PCR é considerado o padrão ouro em testes de coronavírus, porque é capaz de detectar mesmo quantidades minúsculas de material viral. Um resultado positivo de um teste PCR quase certamente quer dizer que você está infectado com o vírus.
Contras: Pelo fato de esses testes terem que passar por um laboratório, os resultados geralmente demoram de um a três dias, embora possam levar até dez dias ou mais. Isso pode limitar a utilidade do teste, já que enquanto aguarda o resultado você pode continuar a disseminar o vírus. Como todos os testes de coronavírus, um PCR pode render um resultado falso negativo nos primeiros dias após a contaminação, porque o vírus ainda não alcançou níveis detectáveis. (Um estudo indicou que entre pessoas que fizeram o teste PCR três dias após o início dos sintomas, 20% ainda tiveram resultado negativo falso.) Outro aspecto frustrante é que o teste PCR às vezes detecta o material genético que sobrou do vírus semanas depois de a pessoa ter se recuperado, quando ela não está mais contagiosa. E o teste é caro –hospitais e convênios gastam entre US$50 e US$150 com cada teste.

Teste rápido de antígeno: Um teste de antígeno procura pedaços de proteínas do coronavírus. Alguns testes de antígeno funcionam um pouco como um teste de gravidez: quando antígenos do vírus são detectados na amostra, uma linha na faixa de papel do teste escurece.
Prós: Os testes de antígeno estão entre os mais baratos (podem custar apenas US$5) e mais rápidos disponíveis, podendo dar resultado em 15 a 30 minutos. Algumas faculdades e casas de repouso vêm usando testes rápidos para checar as pessoas quase diariamente, flagrando muitas pessoas infecciosas antes de disseminarem o vírus. Os testes de antígeno funcionam melhor quando são aplicados algumas vezes ao longo de uma semana, e não apenas uma vez. O epidemiologista Michael Mina, da Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard e proponente da aplicação ampla de testes rápidos, explica: “Esse teste lhe informa se você é um risco para sua família neste momento, se está propagando o vírus neste momento”. Mas ele fez uma ressalva: “Se o teste der negativo, ele não dirá se você poderá contagiar alguém amanhã ou se contagiou na semana passada”.
Contras: Um teste de antígeno tem menos chances que o PCR de identificar o vírus no início de uma infecção. Um receio é que um resultado negativo em um teste rápido seja interpretado como passe livre para comportamentos insensatos como deixar de usar máscara ou participar de encontros em ambientes fechados. (O evento realizado no Jardim de Rosas da Casa Branca é um bom exemplo de como testes rápidos podem gerar uma percepção falsa de que não há risco.) Um resultado negativo no teste de antígeno não lhe garante que você não tem o coronavírus –diz apenas que não foram detectados antígenos, de modo que você <em>provavelmente</em> não está altamente contagioso hoje. (Em um estudo, um teste rápido de antígeno deixou de flagrar 20% das infecções por coronavírus detectadas pelo teste PCR, mais lento e que passa por laboratório.) Os testes de antígeno também apresentam índice mais alto de resultados positivos falsos; logo, um teste rápido positivo deve ser confirmado.

Teste molecular rápido Alguns testes somam a confiabilidade do teste molecular e os resultados rápidos de um teste rápido. O ID Now, da Abbott, e o Cepheid Xpert Xpress usam um dispositivo portátil que processa um teste molecular à sua frente em questão de minutos.
Prós: Estes testes são muito rápidos e altamente sensíveis. São capazes de identificar quem esteve exposto ao coronavírus um dia antes no curso da infecção do que o teste rápido de antígeno. Um teste molecular rápido é um pouco menos preciso que a versão submetida a laboratório, mas o resultado chega em muito menos tempo.
Contras: Dependendo de onde você vive, pode não haver disponibilidade ampla de testes moleculares rápidos. Eles são menos convenientes e em muitos casos mais lentos que os testes de antígeno. E, como todos os testes de coronavírus, um resultado negativo não garante que você não tenha o vírus, de modo que você ainda precisa tomar as precauções de praxe. Como o teste molecular laboratorial, o teste molecular rápido pode detectar material genético remanescente do vírus mesmo depois de você ter se recuperado.

O que acontece durante um teste de coronavírus?

Em alguns testes, um profissional de saúde colhe uma amostra de material do nariz ou da boca do paciente. Outros testes permitem que o paciente use um swab (semelhante a um cotonete) ou sua saliva para colher suas próprias amostras.

Swab nasal: Muitos testes usam uma amostra colhida no nariz. O método mais confiável de coleta da amostra utiliza um swab nasofaríngeo –ums haste longa e flexível com material absorvente na ponta—que é inserido fundo em sua cavidade nasal, até chegar à parte superior da garganta.

Os testes com swab nasofaríngeos precisam ser feitos por um profissional de saúde treinado. Um método mais confortável envolve inserir o swab pouco mais de um centímetro em uma narina e então esfregar e virá-lo por 15 minutos. Os swabs nasais menos invasivos, como esses, muitas vezes podem ser usados pelo próprio paciente.

Swab bucal: Em alguns casos o profissional médico lhe pedirá para dizer “áaaah” enquanto o swab é usado para colher uma amostra de material do fundo de sua garganta, como no teste comum de faringite estreptocócica. Outro método colhe fluidos da boca, esfregando o swab nas gengivas, língua e interior da boca.

Amostra de saliva: Um método de coleta exige que o paciente cuspa saliva em um tubo de ensaio. Esse método não envolve swabs, e a pessoa que faz o teste pode colher sua própria saliva. Assim, o procedimento é mais seguro para os profissionais de saúde, que não precisam se aproximar de pacientes que podem estar infectados.

O que acontece a seguir? No caso dos testes de laboratório, a amostra é acondicionada, geralmente em um caldo químico que impede que ela se degrade, e enviada ao local onde será processada. No caso de um teste rápido, a amostra pode ser processada imediatamente e os resultados saem em questão de minutos.

Como faço para ser testado? Quanto tempo isso vai levar?

Aproximadamente 2 milhões de testes de coronavírus são feitos por dia nos Estados Unidos. Mas a disponibilidade de testes varia consideravelmente de um Estado a outro, até de uma cidade a outra. Geralmente é mais difícil fazer um teste em áreas rurais ou em comunidades onde os casos de Covid aumentaram muito, sobrecarregando a capacidade dos hospitais e laboratórios.

Para saber como ser testado em sua comunidade, verifique no site do departamento de saúde pública local, ligue para seu médico ou para uma clínica local de atendimento urgente. Algumas cidades criaram locais de teste drive-thru para a comunidade. Se seu médico ou clínica de saúde pública local oferece testes rápidos você geralmente receberá o resultado em 15 a 30 minutos. Mas um resultado positivo rápido talvez precise ser confirmado por um teste adicional, especialmente se você não apresentar sintomas.

Em algumas comunidades ainda é difícil obter os resultados de um teste laboratorial de PCR em pouco tempo. Uma pesquisa da Northeastern University e da Harvard Medical School constatou que nos últimos meses os pacientes tiveram que aguardar dias apenas para marcar um teste e ainda mais tempo para obter os resultados. As pessoas estão levando em média seis a sete dias depois do início os sintomas para descobrir se têm o vírus, e nesse ponto a maioria das pessoas já está em processo de recuperação, o que torna o teste mais ou menos inútil. (Em algumas partes do país os resultados levam até 15 dias para sair.) A pesquisa também constatou que os pacientes negros tiveram que esperar em média dois dias mais que os brancos para obter seus resultados.

Os tempos para obter resultados vêm melhorando em algumas cidades. Em Nova York, por exemplo, já é possível receber o resultado de um teste laboratorial de PCR em um dia. Se houver testes rápidos em sua área, você pode receber os resultados em minutos, mas os testes rápidos funcionam melhor quando são feitos várias vezes ao longo de uma semana.

O que os resultados significam para mim?

Um teste de coronavírus pode produzir um de três resultados: positivo (vírus detectado), negativo (vírus não detectado) ou inconclusivo. Veja o que esses resultados realmente querem dizer.

Positivo: Um resultado positivo de um teste quer dizer que você deve continuar permanecendo em casa e se isolando e deve alertar as pessoas com quem esteve nos últimos dias. Se você se sentir mal, contate seu clínico geral para ouvir o que ele recomenda e monitore seus sintomas em casa, buscando atendimento médico quando for preciso. O CDC recomenda que você aguarde pelo menos dez dias depois do início dos sintomas e pelo menos 24 horas depois de terminada a febre para encerrar seu isolamento. Para algumas pessoas que adoecem gravemente, o prazo pode se estender.

Negativo: Se o resultado do teste for negativo, isso é tranquilizador, mas não é um passe livre. Você ainda terá que usar máscara e limitar seus contatos sociais. Falsos negativos podem acontecer e podem significar apenas que o vírus ainda não alcançou um nível detectável. (É como fazer um teste de gravidez muito no início da gestação: você está grávida, mas seu corpo ainda não gerou hormônios da gravidez em nível suficiente para serem detectados pelo teste.)

“Um resultado negativo é um instantâneo no tempo”, explicou Paige Larkin, microbióloga clínica do NorthShore University HealthSystem, em Chicago, e especializada em diagnósticos de doenças infectocontagiosas. “Ele lhe diz que no segundo exato em que você foi testado, não foi detectado vírus. Isso não significa que você não esteja infectado.”

Inconclusivo: Às vezes o teste dá resultado inconclusivo porque a amostra foi inadequada ou contaminada ou porque a amostra se perdeu. Você pode fazer novo teste, mas, dependendo de quanto tempo se passou, talvez seja mais fácil simplesmente completar os dez dias de quarentena. Se você estiver doente, mas receber um resultado negativo ou inconclusivo, consulte o médico.

Se eu for testado, poderei passar as festas de fim de ano com minha família?

Sentimos dizer, mas um teste negativo não significa que você possa visitar outra família ou viajar para reencontrar amigos e familiares nas festas de fim de ano. Muitas coisas podem dar errado entre o momento quando você fez o teste e o momento que você abraça alguém de sua família. Os falsos negativos são comuns, quer seja com um teste laboratorial de PCR ou um teste rápido de antígeno, porque é preciso algum tempo para sua carga viral atingir um nível detectável. Também é possível que você não estivesse infectado quando fez o teste, mas se infectou enquanto aguardava os resultados. Considere também o risco de contrair o vírus em um aeroporto, num avião, ou de um taxista ou agente de locadora de carros. Você pode acabar levando o vírus para sua família quando for passar o Natal com ela.

“Não quero que alguém tenha resultado negativo em um teste e então pense que pode ir visitar sua avó”, disse Ashish Jha, diretor da Escola de Saúde Pública da Brown University.

Apesar dessas limitações, se você achar imprescindível viajar, é boa ideia ser testado antes. Se houver testes rápidos, procure fazer mais do que um nos dias que antecedem sua visita, incluindo um teste no dia que você planejar visitar uma pessoa em situação de risco. Se fizer um teste laboratorial, procure marcá-lo para o mais perto possível do dia de sua viagem. O teste não vai garantir que você não esteja contaminado, mas um resultado negativo significará que haverá menos chances de você propagar o vírus. E, é claro, um resultado positivo lhe dirá que você precisa cancelar seus planos. Um teste “vai apontar quem é positivo e definitivamente não deve se reunir com outros”, disse Esther Choo, especialista em medicina de emergências e professora na Oregon Health and Science University. “Um resultado negativo não deve mudar basicamente nada em seu comportamento. Você ainda deve usar máscaras, praticar o distanciamento e evitar espaços fechados, se possível.”

Testes feitos em casa são uma opção real? São confiáveis?

Muitas comunidades nos EUA, incluindo na Califórnia, Minnesota e Nova Jersey, estão começando a disponibilizar kits para testes caseiros. O custo geralmente é coberto pelo governo ou pelo convênio médico. Para descobrir se essa opção existe em sua região, verifique no site do departamento de saúde local ou estadual ou pergunte a seu médico.

Existem dois tipos de testes realizados em casa. Várias empresas oferecem a opção de colher uma amostra de saliva em um tubo de ensaio em casa e então enviá-la a um laboratório para ser processada. Os resultados são entregues por via eletrônica em um ou dois dias.

Em novembro a Food and Drug Administration (FDA) aprovou emergencialmente o primeiro teste de coronavírus totalmente realizado em casa, produzido pela Lucira. Com o kit da Lucira, a pessoa esfrega o swab nas duas narinas, agita-o dentro de um frasco e utiliza um dispositivo movido a pilha para processar o teste e obter o resultado em 30 minutos. O kit é fornecido com receita médica e ainda não está amplamente disponível. Várias empresas estão desenvolvendo testes rápidos para ser feitos em casa, mas ainda precisam obter a aprovação da FDA.

Alguns especialistas acham que a generalização dos testes em casa seria pouco prática. Mesmo que fosse aprovada uma nova geração de testes caseiros, eles questionam se as pessoas os utilizarão corretamente ou na frequência recomendada e se elas se isolariam no caso de um resultado positivo. Mas os testes realizados em casa têm o apoio de várias figuras respeitadas, entre elas o Dr. Anthony Fauci, o maior especialista americano em doenças infectocontagiosas. Fauci destaca que testes feitos em casa –desde testes de gravidez até testes caseiros de HIV— sempre foram recebidos com ceticismo e que, quando foram desenvolvidos os primeiros testes caseiros de HIV, muitos especialistas recearam que as pessoas ficariam deprimidas se recebessem um resultado positivo quando estivessem sozinhas em casa e então agiriam de modo insensato. “Essa é uma crítica comumente feita aos testes realizados em casa”, disse Fauci.

Mas Fauci e outros defensores dos testes feitos em casa dizem que kits simples e baratos para ser usados em casa permitiriam às pessoas testar-se diariamente antes de ir ao trabalho ou à escola (embora ainda não esteja claro quão bem os testes funcionam com crianças). A realização de testes rápidos em casa alguns dias por semana poderia potencialmente identificar uma infecção antes mesmo de a pessoa apresentar sintomas.

“Tenho defendido essa possibilidade”, disse Fauci. “Acho que o teste de coronavírus feito em casa é como um teste de gravidez, deveria estar disponível. Enquanto houver Covid entre nós, creio que um teste a ser feito em casa seria útil.”

Devo fazer um teste imunológico?

Este exame de sangue visa detectar anticorpos que indiquem que você esteve infectado com o coronavírus no passado. Ele não deve ser usado para diagnosticar uma infecção atual. Seu organismo pode levar de uma a três semanas após ser infectado para começar a produzir anticorpos. O sangue é colhido com uma picadinha no dedo ou uma punção no braço. Você pode fazer esse teste através de pedido do médico, em muitas clínicas de atendimento urgente ou em uma clínica local de saúde pública. Também é possível que lhe ofereçam um teste imunológico gratuito quando você doa sangue. O tempo de espera para obter um resultado varia de alguns dias a duas semanas.

Prós: Um teste imunológico lhe dirá se você foi infectado pelo coronavírus no passado. Mas especialistas avisam que não devemos supor demais em relação ao que um resultado positivo indica sobre imunidade ao vírus. Os cientistas concordam de modo geral que a presença de anticorpos assinala algum nível de proteção, mas não se sabe até onde vai essa proteção e por quanto tempo dura. Embora reinfecções com o coronavírus sejam raras, já houve casos delas, e especialistas enfatizam que um resultado positivo em um teste de anticorpos não significa que a pessoa deva deixar de usar máscaras ou praticar distanciamento social.

Contras: Muitos testes imunológicos são imprecisos, alguns procuram os anticorpos errados, e mesmo os anticorpos certos podem diminuir com o tempo. Alguns testes são notórios por darem resultados falsos positivos, indicando a presença de anticorpos quando não os há. Esses testes também podem produzir falsos negativos, deixando de flagrar anticorpos que estão presentes em baixa concentração. Um teste imunológico não deve ser usado sozinho para determinar se uma pessoa está infectada.

Se você decidir fazer um teste imunológico, o resultado não deve modificar seu comportamento. Você ainda precisará tomar todas as precauções de saúde pública e supor que você ainda poderá contrair ou propagar o vírus. Se você sabe que já teve o coronavírus e isso foi confirmado por um teste diagnóstico quando você estava doente, é possível que possa doar plasma convalescente, algo que pode ajudar pacientes que ainda estão com Covid-19, que poderão receber uma infusão de seus anticorpos para acelerar seu tempo de recuperação.

Quando o teste do vírus vai me custar?

Na maioria dos casos, o teste não deve lhe custar nada. O Congresso aprovou leis obrigando os convênios médicos a pagar pelos testes, e a administração Trump criou um programa para cobrir os custos para pessoas que não têm convênio. Cidades e Estados criaram centros de testes gratuitos.

Mas alguns consultórios médicos e centros de testes particulares estão cobrando taxas adicionais, então verifique antes quanto vai custar. Uma pesquisa do New York Times feita por nossa colega Sarah Kliff descobriu que muitas pessoas receberam cobranças altas e inesperadas ligadas a testes de coronavírus ou que seus convênios se recusaram a custear os testes, e agora estão tendo pagar contas que variam de alguns dólares a mais de US$ 1.000 (R$ 5.102).

Para reduzir o risco de receber uma conta inesperada, Kliff recomenda:

-- Faça seu teste em um centro de testes público aberto pela prefeitura ou o departamento estadual de saúde. Se náo houver essa opção onde você vive, procure seu clínico geral ou uma clínica de saúde federal.

-- Evite fazer o teste em um hospital ou em salas de emergência isoladas. Esses lugares frequentemente cobram um valor extra dos pacientes.

-- Pergunte com antecedência quanto vai custar e que taxas serão incluídas: “Vou fazer um teste de coronavírus. Vocês vão me cobrar algum outro serviço adicional?”

-- Se você não tiver convênio médico, pergunte antes como seu médico trabalha com pacientes sem convênio. Verifique se ele vai pedir reembolso do valor do teste ao fundo de assistência emergencial do governo federal ou se vai mandar a conta para você.

O que vem a seguir em matéria de testes?

Mais de 200 testes de coronavírus foram aprovados emergencialmente pelo FDA, e é provável que ainda venham outros. Especialistas acham que a próxima onda de testes vai incluir mais produtos que possam ser administrados em casa do começo ao fim.

Com os EUA se aproximando do inverno, é provável que exames que combinam testes de gripe e coronavírus, ou seja, que podem procurar os dois tipos de vírus ao mesmo tempo, se tornem cada vez mais comuns. Muitos desses testes já estão presentes em clínicas e consultórios médicos.

Pesquisadores também estudam outros tipos de testes que possam medir outros aspectos da resposta imunológica ao vírus.

Então qual é a conclusão final?

É preciso testar mais para frear a propagação do coronavírus. Quanto mais testes fizermos e em quanto menos tempo chegarem os resultados –quer sejam testes de PCR ou testes rápidos--, mais informações teremos em mãos para poder fazer escolhas corretas e proteger a segurança daqueles que nos cercam. Os testes são úteis quando são usados corretamente e quando você conhece os limites da informação que eles fornecem. Um resultado positivo de qualquer tipo deve fazer você ficar em casa e se isolar. Se você tiver um motivo válido para colocar o resultado em dúvida, faça novo teste.

Um teste negativo não autoriza as pessoas a andarem sem máscara e se reunirem em grupos. O resultado negativo é um instantâneo de um momento. Um resultado negativo em teste de PCR lhe diz que você estava negativo quando fez o teste, alguns dias atrás. Um teste rápido de antígeno com resultado negativo lhe diz que você provavelmente não está infeccioso agora, mas é melhor fazer mais alguns testes nos próximos dias para ter certeza maior. Em ambos os casos é possível que você ainda tenha o vírus (do mesmo modo como é possível obter resultado negativo em um teste de gravidez, mas estar grávida assim mesmo).

De modo geral, se você tiver sintomas, o médico pedirá um teste de PCR para confirmar se você está com Covid-19. Se você vive em um campus universitário ou se trabalha diariamente numa fábrica ou supermercado, testes rápidos frequentes podem ser uma maneira útil de monitorar sua saúde regularmente. Como os testes não estão disponíveis igualmente em todo o país, talvez você não tenha a opção de fazer nenhum dos testes em pouco tempo. Usar máscara, respeitar o distanciamento social e limitar seu contato com pessoas com quem você não vive na mesma casa continuam a ser medidas essenciais para barrar a propagação do coronavírus.

Tradução de Clara Allain

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