Balsa com 40 bois naufraga no Pará; 30 morreram na hora

Eles eram levados para matadouro em Muaná; carne foi incinerada, o que gerou revolta entre moradores

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Eduardo Laviano
Belém

Trinta dos 40 bois que estavam em uma balsa morreram logo após um naufrágio no início da tarde desta quarta-feira (14), no município de Muaná, no arquipélago do Marajó, no Pará. A embarcação navegava rumo a um matadouro da cidade.

Testemunhas relatam que tudo ocorreu no momento do desembarque dos animais e que moradores das imediações do local do acidente buscaram imediatamente maneiras de aproveitar a carne.

"Claro que a primeira coisa que a gente pensa, né? Nesse tempo de carestia, que nem se pode mais comprar carne... Mas, aí, no desespero as pessoas não pensam na questão da saúde, tanto nossa quanto do rio. Não pode. Eu sei que eu não quero comer", disse a costureira Maria de Sousa.

Assim que soube do ocorrido, o Ministério Público do Pará enviou ofício à delegacia de Polícia Civil do município para que fosse feita uma vistoria no local após uma denúncia de que os animais já estavam sendo esquartejados e distribuídos para açougues da região.

Uma análise da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará condenou a carne para consumo humano, o que revoltou alguns moradores que exigiam a liberação da carne e reclamaram da decisão nas redes sociais. Os bois foram incinerados na manhã de quinta-feira (15).

"Em momento nenhum a gente ia colocar a vida das pessoas nesse risco. A gente não é nem maluco em pensar nisso'', afirmou o prefeito Biri Magalhães (PTB).

Na manhã desta quinta-feira (15), o Ministério Público afirmou que segue apurando as denúncias e as circunstâncias do naufrágio. O veículo pertencia ao vereador João Guilherme Kalume Kalif (PSC), presidente da Câmara Municipal, e ao Secretário de Agricultura da cidade, Nalmiro Brabo.

Segundo Brabo, não houve nenhum crime ambiental. A área do matadouro, conhecida como Rodagem, é bem afastada do centro da cidade, e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente não identificou até o momento nenhum vazamento de óleo no rio.

“É acidente de percurso que acontece e, às vezes, a gente não sabe nem explicar. O prejuízo foi grande e vamos trabalhar para pagar. O mais importante é que não houve vítima”, disse o dono da embarcação.

Não foi a primeira vez que uma carga bovina naufragou em um rio paraense, impactando a economia local. Em 6 de outubro de 2015, um navio de bandeira libanesa naufragou na cidade de Barcarena com cinco mil bois vivos.

O acidente gerou um vazamento de 700 toneladas de óleo e brigas entre os moradores, que correram para a beira da praia para esquartejar os animais e levar as peças de carne para casa.

Desde então, o navio Haidar segue no fundo do mar e continua liberando óleo na água. Diversos cadáveres seguem em decomposição no local, que viu o movimento turístico cair após a tragédia.

O governo do Pará autorizou em dezembro de 2020 a retirada do Haidar. O resgate deve durar seis meses.

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