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Covid na China pode provocar novo atraso na linha 17-ouro do metrô de SP

Empresa do governo paulista espera a liberação de vistos para mandar engenheiros acompanharem testes do 1º trem produzido sob medida

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São Paulo

A Covid-19 na China poderá atrasar ainda mais a entrega da linha 17-ouro. Segundo Silvani Pereira, presidente do Metrô paulista, desde o início de dezembro a empresa espera a liberação de vistos para que três engenheiros possam participar, na cidade chinesa de Shenzhen, dos testes do trem que foi desenvolvido sob medida para operar no Brasil.

O problema com os vistos foi relatado na noite desta sexta-feira (25), durante cerimônia no Palácio dos Bandeirantes, na zona oeste de São Paulo, para uma apresentação virtual do primeiro trem produzido pela chinesa BYD para operar na linha-17 ouro.

Trem produzido na China, que será utilizado na futura linha 17-ouro, do monotrilho, na capital paulista; apresentação ocorreu na noite desta sexta-feira (25) - Divulgação/Governo de São Paulo

O evento faz parte de uma sequência de inaugurações e anúncios que marca a saída do governador João Doria (PSDB). Ele deverá deixar o cargo no próximo dia 2 de abril para disputar a Presidência da República.

Também participaram o secretário de Transportes Metropolitanos, Paulo José Galli, diretores do Metrô e executivos da fabricante de trens BYD, inclusive por videoconferência da China.

Ao vivo, houve um corte de fita de dentro do trem, que andou por alguns metros na via de testes construída pela empresa chinesa em Shenzhen, com transmissão ao vivo.

A previsão original de inauguração da linha 17-ouro era a Copa do Mundo realizada no Brasil, em 2014. Em dezembro de 2020, ao retomar as obras, após rescisões de contratos, Doria disse que seriam concluídas até 31 de dezembro de 2022. Uma nova previsão levou a data para o fim de 2023 —sem contar com o problema recente dos vistos.

Ao ser questionado sobre um possível novo atraso, Doria disse que espera pela conclusão da obra no fim de 2023, mas que, pela sua experiência, sabe que fatores legais e judiciais, além de circunstâncias climáticas, podem comprometer datas previstas. Ele admitiu que a o início da operação pode ficar para as primeiras semanas de 2024.

Ao custo previsto de R$ 4,5 bilhões, o trecho prioritário da linha tem 7,7 km e oito estações entre o aeroporto de Congonhas e a estação Morumbi. Haverá conexões com as linhas 5-lilás do metrô e 9-esmeralda, da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).

Segundo o presidente do Metrô, os engenheiros da empresa precisam passar pelo menos três meses acompanhando os testes em Shenzhen para que o trem, chamado de cabeça de série, possa ser embarcado para o Brasil. A expectativa é que ele chegue a São Paulo até o fim deste ano para começar testes por aqui no início de 2023.

Ao todo, a BYD espera fabricar até o fim do próximo ano 14 trens para operar na linha 17-ouro. Cada composição será formada por cinco vagões. O contrato com o governo paulista é de R$ 1 bilhão e prevê ainda a instalação de portas e plataformas nas estações, além de sistemas de comunicação.

"A pandemia comprometeu, a China não liberou os vistos e com certeza isso pode impactar", afirmou Pereira, ao ser questionado se o problema com o embarque dos engenheiros pode provocar novo atraso da obra.

"Imaginamos que poderemos fazer alguma coisa a distância, mas, para a liberação dos demais trens, temos que fazer a liberação do cabeça de série", disse o executivo.

Segundo Pereira, nem com o apoio da BYD houve a liberação dos vistos. "Dependemos do governo chinês para que nossa equipe possa viajar", afirmou.

De acordo com o secretário Galli, que usou o evento para pedir ajuda à Embaixada da China para liberar o embarque da equipe, todos sistemas precisam ser testados pelo Metrô, além do acompanhamento do processo de fabricação.

Alexandre Barbosa, diretor técnico da BYD, admitiu que a pandemia impacta os trabalhos tanto dos técnicos da empresa quanto os do metrô. "Mas precisamos acompanhar os testes, pois o trem está pronto", disse.

Durante o evento desta sexta-feira houve a participação por videoconferência de Jin Hongiu, encarregado comercial da embaixada chinesa no país, que não falou sobre problema dos vistos. Doria repetiu várias vezes que a China é o maior parceiro de negócios do estado.

Interior do trem produzido pela empresa BYD para a linha 17-ouro do metrô de São Paulo; equipamento está em testes na cidade chinesa Shenzhen - Divulgação governo de São Paulo

"A China é um dos nossos maiores parceiros comerciais. Este trem apresentado é uma solução inovadora e que foi desenvolvido especialmente para a linha 17-ouro", afirmou Doria.

Segundo o governo, entretanto, o ritmo da obra vem se acelerando gradualmente. "A partir de abril ou maio deveremos ter uma rampa de desenvolvimento [da obra]", afirmou Galli.

Quem assinou o contrato de implantação da linha foi o então governador Geraldo Alckmin (PSB), que depois se afastaria de Doria e, atualmente, está em campo adversário —deve se tornar o vice de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial.

Inicialmente seriam 18 estações, com custo de R$ 3,1 bilhões. O novo valor já está em R$ 4,5 bilhões. A estimativa é que a linha atenda demanda de 165 mil passageiros por dia útil quando for inaugurada.

A construção da linha 17-ouro foi retomada após a rescisão de contratos parados e novas contratações. As obras em andamento são finalização da via do monotrilho, construção do pátio de manutenção Água Espraiada e acabamento de sete das oito estações.

A estação Morumbi, última deste trecho em construção, já foi concluída.

O trem

O cabeça de série da futura linha 17-ouro do monotrilho paulistano, que entrou em fase de testes, foi construído em 14 meses, tempo recorde, segundo a BYD.

Cada trem terá 72 assentos e capacidade de transportar cerca de 600 pessoas em condições confortáveis, segundo o fabricante. Contará também com passagem livre entre os cinco carros, sistema de ar-condicionado, portas com 1,60 metro de largura e câmeras de monitoramento com gravação de imagens.

Elas operam com tração elétrica, sustentadas por pneus que andam sobre vigas de concreto de 80 centímetros de largura. O funcionamento pode ser totalmente automático, sem necessidade de operador.

O monotrilho também conta com baterias de tração, que funcionam como fontes de energia reserva para o trem, garantindo que ele chegue à próxima estação se ouvir interrupção elétrica no sistema.

De acordo com o presidente do Metrô, o trem era o maior problema para a retomada da obra, porque as vias aéreas que vão nas vigas já estavam prontas e foi preciso desenvolver o veículo com material rodante que encaixasse na estrutura anterior.

De acordo com Alexandre Barbosa, diretor técnico da BYD, a empresa teve de construir uma pista de testes exclusiva de 800 metros na China.

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