Descrição de chapéu Obituário Cláudia Cardoso Ramos (1969 - 2023)

Mortes: Apaixonada por motos, fez grandes viagens sobre duas rodas

Cláudia conheceu o companheiro da vida toda aos 13 anos, na época em que encenaram juntos Romeu e Julieta

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São Paulo

Quando adolescente, Cláudia Cardoso Ramos costumava andar com as amigas nos intervalos das aulas pelo pátio da escola onde estudava em Campinas (a 93 km de São Paulo). Em sentido oposto, sempre vinha um garoto, como se ele buscasse chamar sua atenção.

Pois o menino conseguiu. A troca de olhares naqueles quase encontrões com a garota de 13 anos, caçula de três irmãos, virou cumplicidade para a vida toda entre Cláudia e Johnny Inselsperger, ele cinco anos mais velho.

Mulher loira de óculos escuros sorrindo
Cláudia Cardoso Ramos (1969 - 2023) - Arquivo pessoal

O namoro era para valer, tanto que Cláudia o convidou para a tradicional comemoração de Natal de sua casa.

Entre os Ramos, além de presentes e panetones, era costume encenar um teatrinho em família. Pois não é que naquele ano o tema foi "Romeu e Julieta"? Adivinha com quem ficaram os papéis principais?

Cláudia e Johnny continuaram juntos até a menina completar 16 anos e o relacionamento terminar.

Cada um seguiu sua vida. Ele casou e separou. Ela teve um filho, Juliano. Até que oito anos depois, um amigo insistiu para Johnny ir com ele a uma casa noturna de Campinas. Quem estava na fila de entrada?

Num plágio na vida real às avessas de "Eduardo e Mônica", a música da banda Legião Urbana, os dois se casaram na Igreja do Nazareno, onde coincidentemente foram batizados. Do casamento nasceram as meninas Mariana e Patrícia.

Juntos, cresceu um prazer em comum, pelas motocicletas. "Viajamos na mesma moto ou cada na sua, com as duas meninas na garupa", afirma o jornalista Johnny. "Escolhíamos as viagens pelas estradas", diz.

Mulher de chapéu, blusa preta, calças brancas e botas encostada em uma moto
Cláudia e uma de suas paixões, a motocicleta - Arquivo pessoal

Cláudia chegou a iniciar um curso de administração de empresas, mas largou para cuidar das meninas. Assim como o emprego em uma empresa de saúde.

Boa cozinheira, aprendeu a fazer pratos sírios com a sogra. Seu xodó era a jabuticabeira do quintal de casa —com mão boa para jardinagem, cultivou amoreira, limoeiro, plantas aromáticas e de tempero, além de orquídeas.

Com as filhas crescidas, voltou a trabalhar. Quando já engatava uma nova carreira de corretora de imóveis, em novembro de 2021 teve uma convulsão e o diagnóstico de câncer no cérebro.

Foram dois anos de tratamento contra a doença, cirurgias e uma briga judicial contra a operadora de plano de saúde, que se negava a pagar um medicamento orçado em R$ 75 mil —a história, narrada em capítulos pelo marido nas redes sociais, comoveu amigos, quem não conhecia o casal e talvez até o juiz que deu ganho de causa.

Cláudia, a Julieta da peça de infância, gostava de assistir a filmes românticos. Também de ouvir cantores dos anos 1980, como Tetê Espíndola, a de "Escrito nas Estrelas".

Casada, Cláudia Cardoso Ramos morreu no último dia 26 de outubro, aos 54 anos, vítima de câncer. Deixou três filhos.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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