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Justiça torna policiais rodoviários réus por morte da menina Heloísa, 3, no Rio

Procuradoria pede julgamento dos réus pelo Tribunal do Júri por homicídio qualificado; agentes devem responder também por fraude processual

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A Justiça Federal do Rio de Janeiro tornou réus os três policiais rodoviários federais pela morte da menina Heloísa Santos Silva, 3, morta a tiros em uma rodovia na altura do município de Seropédica, na baixada fluminense.

A criança morreu em setembro, ao ser atingida na nuca por disparos feitos pelos agentes, quando estava no carro da família, com outras quatro pessoas, retornando de um passeio.

Heloisa dos Santos Silva, 3, morta pela PRF - Reprodução


Na peça enviada à Justiça, o procurador Eduardo Benones denuncia os policiais pela prática de homicídio consumado e quatro tentativas de homicídio, além do crime de fraude processual.

Ao receber a denúncia, a Justiça manteve as medidas cautelares já impostas aos réus, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de se aproximarem das vítimas.

Em nota, a procuradoria afirmou que espera que eles sejam levados a júri popular federal.

COMO FOI O CRIME

Heloisa estava com a família indo para casa, em Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, no feriado de sete de setembro.

De acordo com relatos dos parentes e de testemunhas, uma viatura da PRF passou a seguir o carro em que a menina estava, na altura do município de Seropédica, na baixada fluminense. Os agentes abriram fogo após o pai da criança, William Silva, dar sinal de parada.

A PRF iniciou a abordagem após o veículo apontar como roubado. Em depoimento, Souza disse que não sabia da situação do veículo adquirido havia dois meses.

Na denúncia, a procuradoria afirma que no Detran (Departamento Nacional de Trânsito) não havia nenhuma restrição ao veículo. Além disso, o carro foi comprado pelo valor de mercado e tanto o pai de Heloísa quanto o vendedor afirmaram desconhecer o registro de roubo, datado de agosto de 2022.

No carro, além de Heloisa estavam seus pais, uma irmã de oito anos e uma tia. O caso é investigado pelo Ministério Público Federal, pela Polícia Federal e pela Corregedoria-Geral da PRF.

Segundo a equipe médica que atendia a menina, Heloisa tinha várias perfurações por arma de fogo. Ao menos dois tiros a atingiram: um deles no ombro e outro na nuca, que se fragmentou. A criança morreu após nove dias de internação.

Em depoimento à Polícia Civil, o agente Fabiano Menacho Ferreira admitiu ter atirado contra o carro em que estava a menina com três disparos. Ele alegou que ouviu barulhos de tiro e, por isso, fez os tiros.

A versão, no entanto, não bate com o que disse o pai de Heloisa e uma testemunha que presenciou a movimentação dos agentes. Segundo eles, não houve nenhum barulho de tiro antes de o policial atirar.

A reportagem não localizou os advogados dos réus. A responsável pela área temática dos direitos humanos da PRF, Liamara Cararo Pires, afirmou à Folha na ocasião do crime que a morte de Heloisa vai contra as diretrizes da corporação.

"No mínimo, a gente pode dizer que os resultados não foram aqueles que são esperados nem desejados", afirmou.

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