Descrição de chapéu Obituário Antonio Carlos Carvalho (1947 - 2019)

Mortes: Amante do campo, ajudou a reduzir mortes por infarto

Médico paulista defendia que os pacientes precisam sempre ser ouvidos

Gabriel Alves
São Paulo

Foi observando o pai que Antonio Carlos Carvalho desenvolveu interesse pela medicina. Filho de uma funcionária dos Correios e de um farmacêutico, aos 7 o menino já preparava injeções e ajudava a fazer curativos. 

Nascido em Campinas, teve infância simples com os três irmãos em Leme, no interior paulista. Amava o campo.

Antonio Carlos Carvalho, cardiologista, e a mulher Teresa Carvalho, no Teatro Santander para o show de Maria Rita em 2016
Antonio Carlos Carvalho, cardiologista, e a mulher Teresa Carvalho, no Teatro Santander para o show de Maria Rita em 2016 - Ze Carlos Barretta - 25.out.2016/Folhapress

Quis de todo jeito fugir da cidade grande. Na hora do vestibular, prestou só no interior. Passou em Botucatu. Mas acabou vindo para São Paulo com a mulher, Teresa.

Começou como médico voluntário na Escola Paulista de Medicina (que deu origem à Unifesp). Depois, iniciou ali a carreira docente.

Cardiologista renomado, foi um dos idealizadores da Rede de Infarto, que reduziu o índice de mortalidade em até 74% em unidades de saúde. Entre as medidas estava o treinamento de equipes, sistema de transferência rápida de doentes graves e emissão de laudos de eletrocardiogramas a distância.

Segundo dizia, o maior gargalo da área ainda é a integração entre poder público, sociedade médica e unidades de saúde. “Quem atende lá em Ermelino Matarazzo [distrito da zona leste, distante do centro] não é o cardiologista. Se ninguém fizer essa ponte, o conhecimento não chega na ponta, em quem mais precisa.”

Ele, que não teve filhos, se orgulhava da marca que deixava em seus alunos e residentes. “Esse pessoal é a continuidade do que a gente quer fazer. Algumas flores brotam e os lugares vão ficando mais bonitos. Fico feliz de ter participado disso.”

Uma de suas atividades favoritas era cuidar de um sítio, no interior de SP, onde contabilizou ter plantado, com a mulher, mais de 5.000 árvores.

Morreu nesta terça (8), aos 71.  A causa não foi divulgada. Deixa a mulher, Teresa. “A grande sacrificada foi a minha esposa”, disse. “Sacrifícios têm que ser feitos. Os médicos mais novos, que estão chegando, precisam dessa orientação: o paciente geralmente está mais necessitado que você. É só por acaso que você está do outro lado da mesa. Hoje o paciente não consegue nem contar a história dele direito—e muitas coisas poderiam ser resolvidas de forma simples, só ouvindo-o.”


coluna.obituario@grupofolha.com.br

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