Fundo 'Volta por Cima' anuncia negócios que vão receber aporte financeiro

Arquitetos da Vila, Boutique de Krioula, Digna Engenharia, Enjoy e WeUse são alguns dos negócios de impacto social selecionados pelo fundo emergencia

São Paulo

Com a missão de conceder empréstimos a juro zero para que empreendedores possam superar a crise econômica da Covid-19, garantindo empregos e renda, a Articuladora de Negócios de Impacto da Periferia (Anip) e o Banco Pérola criaram o fundo emergencial Volta por Cima.

A iniciativa pioneira no ecossistema –direcionada a negócios com forte atuação nas periferias do Brasil e que beneficiam públicos vulneráveis–, anuncia a seleção de 55 empresas que acabam de receber um aporte de R$ 15 mil, a ser pago em 12 parcelas sem juros.

Arquitetos da Vila, Boutique de Krioula, Digna Engenharia, Enjoy, WeUse, Barkus Educacional, Da Tribu e Pappo Consultoria são alguns dos negócios de impacto social apoiados. A Anip é resultado da parceria entre A Banca, Artemisia e FGVcenn.

Robert Pereira e Joyce Izauri, do negócio de impacto social em alimentação Enjoy
Robert Pereira e Joyce Izauri, do negócio de impacto social em alimentação Enjoy - Marco Torelli/Divulgação

De acordo com Maure Pessanha, diretora-executiva da Artemisia e uma das articuladoras do fundo Volta por Cima, uma parte importante da iniciativa foi a condução de uma pesquisa com 69 empreendedores da rede que atuam nas periferias.

A proposta era entender o impacto da crise sanitária nesses negócios e quais as principais demandas para a sobrevivência das empresas, sobretudo as em estágio inicial.

Esse mapeamento mostrou que para 62%, o principal desafio do momento é manter a remuneração da equipe; 61% o faturamento; 61% o capital de giro e 40% a remuneração dos sócios.

Sobre o aporte de eventuais recursos, a maioria respondeu que usaria o investimento para remuneração da equipe (66%); no pagamento de contas essenciais (46%) e na aquisição de insumos e equipamentos (43%).

Para 60% dos empreendedores ouvidos pela organização, o impacto negativo –na perspectiva de sobrevivência do negócio frente a pandemia– foi imediato.

“Em um momento no qual a inovação social assume uma importância gigantesca, o papel dos investidores e articuladores do ecossistema de negócios de impacto tem sido decisivo", afirma Maure. "A proposta [do fundo] é oferecer apoio financeiro e mentoria para permanecerem como fonte de emprego e renda, gerando impacto e apoiando as economias locais em que atuam”, completa.

A executiva acrescenta que o fundo emergencial conta com apoio de doações da Potencia Ventures, Fundação ARYMAX, Instituto Humanize, Fundação Tide Setubal, Instituto Vedacit, Votorantim Cimentos, Tigre e Instituto Carlos Roberto Hansen (ICRH), Gerdau, Instituto de Cidadania Empresarial (ICE), Instituto C&A, Fundação Telefônica Vivo, B3 Social e INSEAD Alumni Association Brazil.

Segundo Marcelo Rocha (Dj Bola), fundador do negócio social A Banca e cofundador da Articuladora de Negócio de Impacto da Periferia (Anip), o fundo Volta Por Cima é um elo de uma corrente de inovação social e econômica no ecossistema de negócios de impacto.

“Esse recurso está apoiando diversos negócios de impacto periféricos. Mais que nunca, o fundo representa um mecanismo financeiro que entende as reais necessidades dos empreendedores e empreendedoras, dando acesso a empréstimo de forma simples, sem juros e com condições especiais”, afirma.

O empreendedor social acrescenta que o Volta por Cima, nesse momento, é emergencial por conta do Covid-19, mas que futuramente pode ser um exemplo de cooperação a ser seguido para que outras iniciativas sejam fortalecidas e criadas, tendo em vista a promoção da autonomia e poder dos empreendedores sociais periféricos.

Reforça, também, que a luta para evidenciar o que tem de mais potente nas periferias é de longa data. “Há mais de dez anos, buscamos fomentar as inovações sociais e economias criativas para que os irmãos e irmãs das quebradas continuem sendo protagonistas e revolucionárias em seus territórios”, finaliza.

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