Dois brasileiros são eleitos entre 22 inovadores sociais do ano no mundo

Adriana Barbosa e Guilherme Brammer Jr. foram reconhecidos na Cúpula de Impacto e Desenvolvimento Sustentável do Fórum Econômico Mundial nesta terça-feira (22)

São Paulo

Dois brasileiros integram a lista de 22 Inovadores Sociais do Ano no mundo em 2020, anunciada nesta terça-feira (22) na Cúpula de Impacto e Desenvolvimento Sustentável do Fórum Econômico Mundial.

O evento que acontece tradicionalmente em Nova York durante a Semana do Clima, neste ano é virtual, reunindo de 21 a 24 de setembro mais de 3.200 participantes de 141 países.

Adriana Barbosa, fundadora da Feira Preta, e Guilherme Brammer Jr., sócio da Boomera, passaram a integrar a Rede Schwab para o Empreendedorismo Social, uma das comunidades do Fórum Econômico Mundial.

“Os Inovadores Sociais de 2020 representam um novo ecossistema de líderes que estão impulsionando mudanças e transformando organizações e sistemas em direção a um futuro mais justo, inclusivo e sustentável”, afirmou Hilde Schwab, cofundadora da Schwab, ao dar as boas-vindas aos novos membros.

Eles foram homenageados em uma sessão virtual às 10h, no painel intitulado “Promovendo Inovação Social em Face do Covid-19”, moderado por François Bonnici, diretor-executivo da Schwab, e transmitido ao vivo pelas plataformas do Fórum Econômico Mundial.

“Os inovadores sociais do ano são agentes de mudança reconhecidos por impulsionar impacto social e ambiental significativo, atuando em comunidades vulneráveis, as mais afetadas pela pandemia”, ressalta Bonnici.

A dupla brasileira foi indicada pela Folha, na condição de vencedores do Prêmio Empreendedor Social e do Troféu Grão no ano passado, quando a parceria com a Schwab para realização da premiação no Brasil completou 15 anos.

É a primeira vez que o conselho da Schwab analisa duas candidaturas simultâneas do Brasil para sua seleção anual de novos membros.

“É um sinal da força do ecossistema de impacto social no Brasil que ganha destaque no cenário mundial com dois representantes de iniciativas inovadoras no combate à desigualdade racial e no fomento à economia circular e sustentável”, afirma Sérgio Dávila, diretor de Redação da Folha.

A entrada de Adriana Barbosa, a primeira negra entre os 27 brasileiros que integram a Schwab, também é simbólica. É resultado de um esforço para tornar a premiação nacional mais diversa e inclusiva.

“A criação do Troféu Grão foi uma iniciativa da Folha para ampliar a diversidade da nossa rede de empreendedores sociais”, explica Dávila.

Ele se refere à categoria especial lançada em 2018 e à comunidade composta de 112 lideranças entre finalistas e vencedores do Prêmio Empreendedor Social.

Para Adriana Barbosa, vencer o Troféu Grão em 2019 contribuiu para a promoção da luta pela equidade racial e desenvolvimento econômico da população negra no Brasil.

“Vamos levar essa pauta para uma rede internacional e nos conectar com outros empreendedores que estão procurando soluções de impacto global, em um momento de internacionalziação do nosso trabalho", afirma a brasileira.

Brammer Jr. também ressalta a importância do chancela como Empreendedor Social do Ano para a Boomera, uma startup que inova ao unir indústria, academia e cooperativas de catadores na reciclagem de resíduos difíceis.

“O prêmio foi uma virada importante no negócio e trouxe uma certeza de que estamos no caminho certo. Só fortaleceu o nosso propósito”, avalia o vencedor de 2019 na categoria principal.

Condição que lhe abriu as portas para a entrada na Schwab, onde espera alcançar um novo patamar pela conexão com o Fórum Econômico Mundial.

“Vamos ter voz e representar o Brasil numa plataforma global em que o tema da economia circular é um dos pilares. Em ano de pandemia, é um reconhecimento que nos fortalece e nos honra.”

Os dois brasileiros fazem parte de um grupo de 12 empreendedores sociais, 4 líderes da academia e da pequisa e 4 intraempreendedores do setor privado e 2 de setor público que estão sendo reconhecidos neste ano.

Estão à frente de iniciativas que vão da construção de hospitais na zona rural da Índia ao uso de inteligência artificial e big data para promover equidade na educação na Coreia do Sul.

Desde o ano passado, além de empreendedors sociais, a rede Schwab passou a abrigar na sua comunidade fundadores e CEOs de multinacionais, líderes governamentais, acadêmicos e especialistas.

Neste ano, o reconhecimento levou em conta ainda a capacidade de impulsionar respostas para os desafios sociais, econômicos e sanitários da crise sem precedentes gerada pela Covid-19.

Os premiados de 2020 foram submetido ao conselho da Fundação Schwab, que tem entre seus membros o ex-primeiro-ministro da Dinamarca, Helle Thorning-Schmidt, e a rainha Mathilde da Bélgica.​


Brasileiros na Rede Schwab

A rede internacional de empreendedores sociais, uma das organizações-irmãs do Fórum Econômico Mundial, já selecionou 27 brasileiros para integrar uma comunidade que conta com engajamento de mais de 300 líderes de 60 países, ao longo dos últimos 21 anos.

  • 2020: Adriana Barbosa (Troféu Grão 2019), da PretaHub, plataforma que impulsiona o potencial de afroempreendedores brasileiros, e Feira Preta, um dos maiores eventos da cultura negra no país;
  • 2020: Guilherme Brammer Jr. (Prêmio Empreendedor Social 2019), da Boomera, negócio social que transforma resíduos difíceis em novos produtos e matéria-prima;
  • 2019: Rodrigo Pipponzi (Prêmio Empreendedor Social 2018), da Editora Mol, editora de impacto social que produz revistas e livros com renda revertida para ONGs;
  • 2019: Roberta Faria (Prêmio Empreendedor Social 2018), da Editora Mol, editora de impacto social que produz revistas e livros com renda revertida para ONGs;
  • 2018: Valdeci Ferreira (Prêmio Empreendedor Social 2017), da Fbac (Fraternidade Brasileira de Assistência aos Condenados), entidade que dissemina e fiscaliza uma metodologia de humanização do sistema prisional;
  • 2017: Carlos Pereira (Prêmio Empreendedor Social 2016), do Livox, aplicativo que permite a comunicação com pessoas que possuem algum tipo de deficiência cognitiva;
  • 2016: Sergio Andrade, da Agenda Pública (Prêmio Empreendedor Social 2015), que aprimora a gestão pública e a amplia a participação social por meio da construção de capacidades em municípios impactados por grandes obras;
  • 2015: Claudio Sassaki (Prêmio Empreendedor Social 2014), da Geekie, empresa social que desenvolveu uma plataforma de educação adaptativa capaz de personalizar e conferir autonomia à experiência de aprendizagem do aluno a partir da análise de seu desempenho;
  • 2015: Eduardo Bontempo (Prêmio Empreendedor Social 2014), da Geekie, empresa social que desenvolveu uma plataforma de educação adaptativa capaz de personalizar e conferir autonomia à experiência de aprendizagem do aluno a partir da análise de seu desempenho;
  • 2014: Merula Steagall (Prêmio Empreendedor Social 2013), da Abrale (Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia) e da Abrasta (Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia) que produz e dissemina conhecimento, oferece suporte e mobiliza parceiros para alcançar a excelência e a humanização no cuidado integral de pacientes onco-hematológicos;
  • 2013: Cybele Amado de Oliveira (Prêmio Empreendedor Social 2012), do Icep (Instituto Chapada de Educação e Pesquisa), que criou uma metodologia para melhorar a educação pública por meio do apoio à formação continuada de educadores e gestores educacionais;
  • 2012: Gisela Maria Bernardes Solymos (Prêmio Empreendedor Social 2011), do Cren (Centro de Recuperação e Educação Nutricional), primeira iniciativa no Brasil a combater a desnutrição infantil, o sobrepeso e a obesidade exógena com uma equipe de saúde integrada interdisciplinarmente dentro de um modelo de centro de saúde infantil;
  • 2011: Roberto Kikawa, in memorian (Prêmio Empreendedor Social 2010), do Projeto Cies (Centro de Integração de Educação e Saúde), que leva atendimento médico-preventivo especializado a comunidades carentes por meio de um centro médico móvel avançado, também conhecido como carreta da saúde;
  • 2010: Claudio Benedito Valladares-Padua (Prêmio Empreendedor Social 2009), do IPÊ (Instituto de Pesquisas Ecológicas), terceira maior ONG ambiental do país, que cria modelos inovadores de conservação da biodiversidade com benefícios socioeconômicos às populações locais;
  • 2010: Suzana Machado Padua (Prêmio Empreendedor Social 2009), do IPÊ (Instituto de Pesquisas Ecológicas), que beneficia mais de 10 mil pessoas em cinco Estados brasileiros ao introduzir educação ambiental com alternativas de desenvolvimento em comunidades empobrecidas, a fim de integrá-las ao seu ambiente;
  • 2009: André Luis Cavalcanti de Albuquerque (Prêmio Empreendedor Social 2008), da Terra Nova Regularizações Fundiárias, primeira empresa social do país especializada em regularização fundiária sustentável, além de pioneira na realocação integral de famílias afetadas em razão de grandes obras;
  • 2008: Tião Rocha (Prêmio Empreendedor Social 2007), do CPCD (Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento), que criou plataformas de transformação social e desenvolvimento sustentável em cidades com menos de 50 mil habitantes.
  • 2007: Fábio Bibancos (Prêmio Empreendedor Social 2006), da Turma do Bem, que atende adolescentes com graves problemas bucais em consultórios particulares de 16 mil dentistas voluntários, reinserindo-os na sociedade e na busca pelo primeiro emprego;
  • 2006: Eugenio Scannavino Netto (Prêmio Empreendedor Social 2005), do Saúde e Alegria, que combina saúde, educação, economia e gestão participativa para o desenvolvimento de comunidades carentes ribeirinhas da Amazônia paraense;
  • Antes de 2005 (quando o processo era conduzido pela diretamente pela Schwab): Adair Antonio de Freitas Meira, da Fundação Pró-Cerrado; Vera Cordeiro, da Associação Saúde Criança; Rodrigo Baggio, do CDI (Comitê para Democratização da Informática), atual Recode; Maria Elena Johannpeter, da Parceiros Voluntários; Ismael Ferreira, da Apaeb (Associação de Desenvolvimento Sustentável e Solidário da Região Sisaleira); Fabio Rosa, do Ideaas (Instituto para o Desenvolvimento de Energias Alternativas e da Auto Sustentabilidade); Helio Mattar, do Instituto Akatu; Dener Giovanini, da Renctas (Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres).

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