Prisões humanizadas produzem dois milhões de máscaras e querem furar bolha do sistema

Iniciativa Humanizando a Pena, Protegendo a Vida concorre na Escolha do Leitor em que público pode, além de votar, doar para ações de enfrentamento à Covid-19

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São Paulo

Uma ação de 41 carceragens brasileiras tem ajudado a reduzir os impactos da pandemia para além da prisão. Das mãos de 500 recuperandos, como são chamados os detentos das Apacs (Associação de Proteção e Assistência aos Condenados), já saíram 2,2 milhões de máscaras para asilos, hospitais e pessoas em situação de rua.

“Queremos sair da bolha”, diz Valdeci Ferreira, presidente da Fraternidade Brasileira de Assistência aos Condenados (FBAC). Ele não se refere aos muros das unidades prisionais, mas aos obstáculos de um sistema que pouco oferece à recuperação dos detentos.

As Apacs, consideradas oásis nesse sistema, com método de valorização humana vinculada à evangelização, apontam 15% de reincidência de seus internos, contra 80% do sistema prisional comum. Desde 1972, quase 54 mil pessoas passaram pelas 60 unidades.

Em 2020, elas ganharam oficinas de corte e costura, com instalações financiadas por Fundação AVSI-Brasil, fundo Todos pela Saúde e Instituto Minas pela Paz.

Foi o início do projeto Humanizando a Pena, Protegendo a Vida, finalista do Empreendedor Social do Ano em Resposta à Covid-19. “Temos Apacs produzindo jalecos para equipes de saúde, jaquetas de frio e artigos de mesa e banho”, afirma Valdeci.

Os recuperandos cumprem pena numa rotina rígida de palestras, cursos e jornada de trabalho. “Agora eles têm consciência de que estão prestando um grande serviço para a humanidade”.

Com as visitas suspensas pelo risco de contaminação pela Covid-19, os encontros com a família são virtuais. “Fazemos uma escala por semana e conectamos por vídeo”, diz Valdeci ao reconhecer que a presença física faz falta. “É difícil lidar com essas situações, as equipes são reduzidas e estamos tentando sobreviver.”

Uma das maneiras de furar a bolha é o lançamento do documentário "Unguarded" (“Desarmados”, em tradução livre), que retrata as Apacs pela perspectiva dos recuperandos.

“Como eu ia acreditar no amor com companheiros meus dormindo dentro de um banheiro?”, diz “Bruno”, que passou pelo sistema comum e dá seu depoimento. O filme de Simonetta Wierner foi premiado no Festival de Cinema de Berlim e na Academia Cinematográfica Europeia.

“Simonetta conseguiu captar a essência da nossa proposta, baseada no amor”, diz Valdeci. O documentário foi exibido em sessão fechada para 6.000 pessoas neste mês e em breve estará disponível ao público em plataforma de streaming.

A iniciativa Humanizando a Pena, Protegendo a Vida vai à votação popular na categoria Mitigação da Covid-19, concorrendo com outras nove iniciativas na Escolha do Leitor.

COMO VOTAR NA ESCOLHA DO LEITOR

Passo 1 Acesse folha.com/escolhadoleitor2021 e escolha a iniciativa que mais fez seus olhos brilharem

Passo 2 Clique no botão "Quero votar" e aguarde a confirmação

Passo 3 Faça uma doação para uma delas clicando em "Doar agora"

Passo 4 Preencha seus dados, valor da doação e clique em "Enviar"

O público poderá eleger seu finalista favorito em cada uma das categorias em formato inovador no qual a enquete, no site da Folha, torna-se também plataforma de doação.Os vencedores, tanto os recordistas de votos quanto os líderes na captação de doações, serão anunciados ao longo de 2021.

“Desde o momento em que fui escolhido como empreendedor social pela Folha, em 2017, as Apacs ganharam visibilidade e extrapolamos limites”, diz Valdeci. As doações obtidas na plataforma serão destinadas aos projetos de humanização da FBAC.

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