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O remédio para fome é dar de comer

Veja como ajudar famílias de agricultores no sertão da Paraíba

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José Dias

Formado em ciências econômicas, é coordenador e captador de recursos do Centro de Educação Popular e Formação Social (Cepfs). É empreendedor social da Ashoka e da Rede Folha de Empreendedores Socioambientais.

Uma das situações mais triste e humilhantes para o ser humano é chegar ao estado de fome. Pode levar a muitas loucuras e práticas desumanas, e até violentas, ilegais, como é o caso do furto.

No Nordeste já se teve muita fome no passado, a ponto de haver saques as feiras livres e supermercados, sobretudo quando governantes adotavam a estratégia de combater a seca.

Nessa mesma época, foram desenvolvidas as chamadas frentes de emergência, que, em muitos casos estruturam propriedades dos médios e grandes produtores, restando aos agricultores familiares um estado de sofrimento, fragilidade e fome.

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Cidade de Teixeira, na Paraíba, sofre com fome e seca - Renato Stockler

Vieram governantes que tiveram outro olhar para a realidade. Passaram a desenvolver e apoiar iniciativas de fortalecimento das experiências que vinham sendo desenvolvidas pelas organizações da sociedade civil.

Ao invés de combate à seca, eram estratégias de convivência com as adversidades do clima semiárido, por meio de processos formativos e implantação de tecnologia.

Mas como conviver com a seca? Trata-se de outra abordagem para lidar com a situação de irregularidade das chuvas, estruturando as propriedades da agricultura familiar com tecnologias sociais. Muitas delas aproveitam o potencial natural dos relevos dos terrenos, como é o caso da cisterna de enxurrada, do tanque em lajedo de pedra e da barragem subterrânea.

O objetivo é captar, ao máximo, água da chuva para o consumo humano e para a produção de alimentos saudáveis, gerando qualidade vida e renda, a partir do excedente da produção.

Trata-se de um processo de estruturação descentralizado que gerou e gera empoderamento das famílias, uma vez que a água é administrada pelas próprias pessoas, sem gerar dependência. Essa abordagem durou alguns anos e gerou importantes resultados que permanecem até os dias de hoje.

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Ao invés de combate à seca, Cepfs usa estratégias de convivência com as adversidades do clima semiárido - Renato Stockler

Mas, em seguida, veio um governo que pouco ou nada de preocupação tem com populações que estão à margem do processo de desenvolvimento local.

Pelo contrário, passou a desconstruir políticas que vinham sendo implantadas, muitas delas fruto de anos de luta das comunidades, dos povos mais sofridos. Foi como se começassem a destruir uma construção de anos, de muito suor, esforços e solidariedade entre os povos.

Foi e está sendo algo doloroso. Essa nova forma de olhar para as camadas mais vulneráveis da sociedade, somada com os efeitos da pandemia do coronavírus, infelizmente resgatou algo que a sociedade não gostaria mais de vivenciar: o estado de fome.

Talvez ainda não se tenha a situação do passado, de saques às feiras livres e supermercados, em razão de algo que foi erguido, construído e que não foi possível, ainda, ser destruído: a solidariedade entre as pessoas.

Nos últimos meses tem se visto muita tristeza, não só pelas inúmeras mortes causadas pela Covid-19, mas, também pelo triste cenário ilustrado por pessoas que passaram a morar nas ruas, por terem perdido emprego, por não ter o que comer, por não receber um auxílio emergencial digno.

Mas também se tem registrado inúmeros gestos de solidariedade de pessoas e organizações, igrejas, sindicatos, enfim, setores da sociedade que compreendem que vidas são importantes.

E, exatamente por isso, entendem a necessidade de arregaçar as magas, somar esforços para lutar por vacinação para todos e todas, mas, também, para cuidar daqueles que se encontram em estado de fome, necessitando de ajuda humanitária.

Eu experimentei, no ano de 1970, aos oito anos, a triste realidade de passar fome. Ficou marcado na minha vida. Por isso apelo para possamos fazer crescer essas correntes de solidariedade, que tenhamos compaixão dos irmãos e irmãs em estado de fome.

Onde você estiver, onde você morar, tenha um olhar para os outros. Busque compreender, mas, acima de tudo, busque conhecer as necessidades de seus vizinhos. Faça alguma coisa para amenizar o sofrimento daqueles que se encontram em maior estado de vulnerabilidade social.

Enquanto entidade da sociedade civil, o Centro de Educação Popular e Formação Social - Cepfs, organização com mais de 35 anos de trajetória de luta em prol da resiliência da agricultura familiar no semiárido da Paraíba, está desenvolvendo uma campanha de doação.

Arrecadamos recursos e alimentos para agricultores e agricultoras de base familiar que estão em estado de fome, com o lema “o remédio para a fome é dar de comer".

Temos a meta de conseguir recursos para distribuir 200 cestas básicas. Ainda estamos longe de atingi-la, por isso o Cepfs continuar na luta contando com sua generosidade.

Como contribuir com a campanha do Cepfs

Depósito bancário
Agência 1156-8
CC 13015-X
Banco do Brasil
Centro de Educação Popular e Formação Social - Cepfs
CNPJ 24.226.128 0001-36

Entrega de alimentos na sede da entidade
Rua Felizardo Nunes de Souza, 7, Centro, Teixeira - Paraíba
Ponto de referência: próximo ao Cacimbão

Mais informações
Telefone: (83) 9 9961-1361
Site: cepfs.org.br/doe-agora

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