Sem coronavírus, brasileiros repatriados da China e isolados em Goiás são liberados

Após novos exames, governo federal antecipou fim de quarentena

Anápolis (GO)

Com a confirmação do diagnóstico de que não foram contaminados pelo novo coronavírus, os brasileiros que foram repatriados da China no início deste mês deixaram a quarentena estabelecida pelo governo federal.

Ao todo, 58 pessoas, sendo 34 resgatados pelas autoridades brasileiras e 24 integrantes da equipe de apoio, permaneceram por 15 dias em período de isolamento. Eles partiram da Base Aérea de Anápolis (GO) neste domingo (23).

Inicialmente, eles ficariam em quarentena por 18 dias, mas o governo brasileiro decidiu antecipar o período, o que é permitido pelo protocolo internacional, após um terceiro exame clínico realizado na sexta-feira (21) não ter identificado infecção pelo vírus Sars-CoV-2.

“Hoje, sentimos orgulho pelo resultado da operação bem-sucedida e alívio pelo retorno dos nossos brasileiros aos seus lares com os resultados dos exames dando negativo“, disse o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva.

O país não tem casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus, mas ainda há uma suspeita no Rio de Janeiro sendo investigada. Até agora, 51 casos foram descartados após exames laboratoriais darem negativo.

Os brasileiros que passaram por quarentena deixaram Anápolis (GO) às 11h40 com destino a nove unidades federativas: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Pará, Maranhão, Rio Grande do Norte e Distrito Federal.

O deslocamento foi feito por duas aeronaves da FAB (Força Aérea Brasileira), sendo que uma delas foi utilizada também para transportar a comitiva do governo federal de volta a Brasília.

Por questões logísticas, dois brasileiros, que foram levados para a capital federal, voltarão para os seus estados, no caso Rio Grande do Norte e Maranhão, em voos comerciais pagos pelo governo brasileiro.

Antes do embarque, foi promovida uma cerimônia na Base Aérea de Anápolis, na qual duas crianças repatriadas entregaram ao ministro bandeiras nacionais assinadas pelos 34 brasileiros resgatados da China. 

Segundo Azevedo, os presentes serão repassados ao presidente Jair Bolsonaro, que não compareceu à solenidade porque passa o Carnaval no Guarujá, litoral paulista. Antes de entrar nas aeronaves, dois brasileiros resgatados choraram.

“A nossa família está reunida para o Carnaval e agora só falta a gente", disse o publicitário mineiro Alefy Rodrigues, 26, um dos que permaneceram em quarentena. Ele acrescentou que o período de isolamento "superou a expectativa".

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que também participou da cerimônia, disse que o grupo de repatriados será recebido pelo presidente, nas próximas semanas, no Palácio do Planalto.

Na sexta-feira (21), o Ministério da Saúde decidiu alterar os critérios que devem ser usados pela rede de saúde para definição de casos de suspeita de infecção pelo novo coronavírus.

Até então, a definição incluía apenas os casos de pacientes que apresentavam febre e outros sintomas respiratórios, além de histórico de viagens à China em até 14 dias antes do início dos sintomas.

Agora, o ministério passará a enquadrar também nessa definição casos de pessoas com sintomas e histórico de viagens dentro desse período a outros sete países e territórios: Japão, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Singapura, Vietnã, Tailândia e Camboja.

A mudança ocorre devido ao aumento no número de novos casos fora da China e à chegada do Carnaval, quando há maior vinda de turistas ao país. Dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) apontam 76.769 casos confirmados do novo coronavírus no mundo até o momento.

Destes, 98,4% ocorreram na China, e o restante em outros países.

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