Itália registra mortes por coronavírus e põe 50 mil em isolamento

Norte do país tem escalada de casos; Coreia do Sul tem sexta morte

Milão (Itália)

O coronavírus está circulando pelo norte da Itália e duas mortes já foram registradas, com mais de cem casos confirmados, segundo autoridades locais. Outras centenas de pessoas estão em quarentena obrigatória, à espera de resultados de exames, e milhares estão em confinamento domiciliar determinado pelas autoridades sanitárias.

As vítimas são um homem de 78 anos no Vêneto e uma mulher de 77 anos na Lombardia. As mortes ocorreram, respectivamente, na noite de sexta-feira (21) e na manhã deste sábado. São os primeiros óbitos na Europa de pessoas contaminadas internamente. Antes, na França, um turista chinês havia morrido.

A confirmação de que o vírus circula pelo norte da Itália ocorreu na noite de quinta-feira (20), a partir de um caso em Codogno (a 60 km de Milão). Um homem de 38 anos apresentava nos dias anteriores um quadro agravante de gripe, mas, como não tinha viajado, não havia sido testado para coronavírus.

Homem vestindo máscara respiratória deixa uma padaria
Consumidor usa máscara de proteção em padaria em Codogno, a sudeste de Milão, onde um homem de 38 anos foi diagnosticado com covid-19 - Miguel Medina/AFP

Sua mulher, no entanto, se lembrou de que o marido havia encontrado, no início deste mês, um amigo italiano recém-chegado de Xangai, na China. Feito o teste, o resultado foi positivo: o homem de 38 anos é considerado o paciente número um.

A partir dele, foram contaminadas dezenas de pessoas, incluindo a própria mulher, grávida de oito meses, um amigo, médicos, enfermeiros e outros pacientes do hospital de Codogno. Sua situação é considerada grave, mas estável. A mulher grávida está internada, mas em boas condições. Já o italiano que chegou da China, chamado de "paciente zero", não testou positivo para o vírus, mas continua sendo submetido a exames.

A cidade de Codogno e seu entorno, conhecido como Baixo Lodigiano, são considerados o epicentro da contaminação.

"Podemos confirmar que essa área é hoje um centro de infecção. Podemos dizer isso de maneira clara porque todas as situações positivas que estamos encontrando tiveram contato nos dias anteriores com o hospital de Codogno", afirmou em entrevista à imprensa neste sábado Giulio Gallera, secretário de Bem-estar da Lombardia.

A mulher de 77 anos que morreu neste sábado é um desses casos. Ela esteve no hospital de Codogno no mesmo dia em que o paciente 1. Após recuperada de uma crise respiratória, foi para a casa, onde depois morreu. O exame para coronavírus foi realizado após o óbito. Já o caso do idoso morto no Vêneto está sendo investigado para saber as origens do contágio.

A área de Codogno está em regime de isolamento. O ministro da Saúde e o governador da Lombardia divulgaram na sexta-feira um comunicado pedindo, entre outras medidas, a suspensão obrigatória de atividades em escolas, empresas e comércio sem utilidade pública, além de eventos coletivos como festas, missas e competições esportivas.

A medida afeta também as cidades de Castiglione d'Adda, Casalpusterlengo, Fombio, Maleo, Somaglia, Bertonico, Terranova dei Passerini, Castelgerundo e San Fiorano. São cerca de 50 mil pessoas residentes nesses locais.

Em seguida ao comunicado das autoridades sanitárias, a Trenord, que opera os trens da região da Lombardia, anunciou que as composições não vão parar nas estações dessas cidades, que também estão com as bilheterias fechadas.

Também em consequência dos casos de covid-19, as autoridades esportivas italianas decidiram adiar três jogos programados para domingo (23) pelo campeonato de futebol da primeira divisão. Por essa decisão, as partidas entre Inter e Sampdoria, Atalanta e Bergamo e Verona e Cagliari serão disputadas numa data posterior ainda não definida. 

As imagens de TV mostram ruas desertas em Codogno, com lojas, bares e restaurantes de portas fechadas e sem a circulação de carros, meios de transportes públicos e pedestres. Algumas farmácias mantiveram o atendimento, mas sem permitir a entrada dos clientes, que chegaram a formar filas nas calçadas. As máscaras cirúrgicas estão esgotadas.

A orientação é que aqueles que tenham sintomas como febre, tosse e dificuldade respiratória ou que possam ter estado em contato com algum contaminado liguem para o sistema de emergência e evitem ao máximo ir para os hospitais.

"As medidas tomadas estão sendo positivas, porque as pessoas permanecem em casa, era o que queríamos. O objetivo é conter o máximo possível a situação. O importante é que as pessoas não circulem para evitar a veiculação do vírus", disse Gallera.

O secretário nega que haja uma situação de pandemia. "Evidente que o cenário italiano mudou. Mas devemos sublinhar que em pouco tempo, em cerca de 37 horas, conseguimos colocar em prática uma ação articulada, pontual, com investigação das pessoas, seus contatos, seus parentes", afirmou.

Neste sábado, o governo italiano aprovou um decreto-lei especial para proibir a entrada e saída em áreas consideradas o foco da epidemia.

"Em áreas consideradas com focos, nem a entrada nem a saída serão autorizadas, com exceções particulares", disse o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte.

Além disso, Conte anunciou o fechamento de empresas e escolas e o cancelamento de eventos públicos. 

Antes das contaminações de Codogno, a Itália havia registrado até então três casos de coronavírus: um casal de turistas chineses e um pesquisador italiano, todos provenientes de Wuhan, onde surgiram na China os primeiros casos da doença, em dezembro. Todos estão em recuperação em Roma, no centro da Itália.

O país foi um dos primeiros da Europa a suspender, no fim de janeiro, todos os voos com destino e origem à China. O paciente zero, que chegou à Itália vindo de Xangai, teria voado no dia 21 de janeiro, antes, portanto, da medida adotada pelo governo italiano.

No início de fevereiro, o governo trouxe ao país 56 italianos que estavam em Wuhan e que foram colocados em quarentena em Roma. Neste sábado chegaram outros 19 italianos que viajavam no navio Diamond Princess, que ficou ancorado por dias no Japão com mais de 600 casos confirmados de coronavírus. Eles também vão cumprir quarentena.

Coreia do Sul tem 229 novos casos

O país asiático tem 433 casos no total e registrou uma segunda morte provocada pela doença, informa a agência de notícias AFP. 

"A epidemia entrou em uma fase grave e o governo faz todo o possível para prevenir a propagação", afirmou o primeiro-ministro sul-coreano Chung Sye-kyun.

De acordo com a agência, entre os novos pacientes diagnosticados, 95 estão vinculados a um hospital de Cheongdo (sul), onde a seita cristã Igreja de Jesus Shincheonji organizou funerais. 

Mais de 150 fiéis desta seita foram infectados nas cerimônias religiosas por uma mulher de 61 anos que não sabia que havia contraído a pneumonia viral, segundo a AFP.

Com AFP e Reuters

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