Descrição de chapéu Coronavírus

Pessoas que tiveram Covid-19 relatam perda de olfato e fortes dores no corpo

Jovens e idosos que se curaram da doença dizem que sintomas duraram até dez dias

Rio de Janeiro

Quando começou a escalada do coronavírus, o médico David Kern, que faz residência em cirurgia geral no Hospital das Clínicas de São Paulo, já começou a se distanciar do pai e da mãe, com quem mora, de 59 e 57 anos. “Eu não sentava nos sofás da sala, não abraçava ninguém, jantava mais longe deles, então eu já estava tomando precauções, considerando que eu poderia ser um risco para eles”, conta.

Desde sexta (20), porém, o médico de 27 anos está isolado em seu quarto. Naquele dia, ele começou a ter uma tosse leve e coriza; no dia seguinte, passou a sentir dor de cabeça e deixou de sentir cheiros. Ele diz que esse foi um dos alarmes.

Médicos de países como China, Alemanha, Itália e França estão chamando a atenção para o fato de que a perda total ou parcial do olfato possa ser o primeiro sinal da infecção pelo novo coronavírus. Otorrinolaringologistas britânicos disseram, em comunicado, que um número significativo de pacientes desenvolveu o sintoma.

A publicitária Rafaella de Oliveira Emsenhuber, que teve Covid-19
A publicitária Rafaella de Oliveira Emsenhuber, que teve Covid-19 - Acervo Pessoal

Na segunda, Kern realizou um teste, que deu positivo. Na quarta, quando falou com a reportagem, disse ainda estar com o corpo mole, um pouco de tosse e sem sentir cheiros. Asmático, disse não ter tido episódios de falta de ar. Agora, deve ficar isolado por 14 dias, a contar de sexta.

Cookie Richers, de 79 anos, também parou de sentir cheiros. Ela começou a sentir os primeiros sintomas entre os dias 9 e 10 de março, após uma reunião com amigos, muitos dos quais haviam estado na Europa recentemente. Ela diz ter sentido muita dor no corpo, na cabeça, e moleza. A designer de joias, que mora no Rio de Janeiro, relata não ter tido tosse nem falta de ar, e apenas um pouco de febre.

Ela conta que, com o passar dos dias, foi piorando. “Fui ficando com mais dor no corpo e cada vez dormindo mais e mais.” O resultado de seu exame, positivo, saiu no começo desta semana. Acompanhada por telefone por seu médico cardiologista, ela diz ter feito algumas inalações apenas com vapor e ter lavado com soro as vias aéreas.

A publicitária Rafaella de Oliveira Emsenhuber, 30, chegou a ser internada por três dias em São Paulo, com quadro de pneumonia. Ela conta que os sintomas começaram no dia 16, com muita dor no corpo e na cabeça. “A dor de cabeça era insuportável, como se fosse uma enxaqueca constante, e muita sensibilidade à luz”, conta.

No dia 20, sentindo-se cada vez pior, fez uma tomografia, que indicou a pneumonia, e teve de ser internada para ficar em observação. Emsenhuber, que voltou ao Brasil no dia 26 de fevereiro após morar por um ano e meio em Milão, conta que foi apenas após o nono dia de sintomas que começou a se sentir melhor.

Isolada em casa com o marido, ela diz que, apenas de estar mais bem disposta, ainda sente dores na cabeça e nas costas e que segue sem olfato e paladar, um dos sintomas pelos quais foi acometida.

A irmã da jornalista Julia Piovesan esteve, no último dia 7, no casamento da influencer Marcella Minelli em Itacaré, na Bahia, depois do qual famosos como Preta Gil e Gabriela Pugliesi, irmã da noiva, tiveram resultados positivos no teste do novo coronavírus.

No dia 13, Julia, 24, começou a sentir os primeiros sintomas da doença. Um dia antes, o teste da irmã havia dado positivo. Julia também fez o teste, que deu positivo. Os pais, ambos de 62 anos, que moram na mesma casa, em São Paulo, não realizaram os testes, mas também tiveram sintomas. A família toda está em quarentena domiciliar desde o dia 11 de março.

“Sabe quando você está gripado, tem muito catarro e não consegue respirar direito? Com o corona não tem catarro nenhum, mas o ar sempre parece insuficiente”, descreve ela sobre a falta de ar que sentiu nos primeiros dias.

Julia teve febre nos dias 13 e 14, e muita dor no corpo, sobretudo nas costas e na cabeça. Ela diz ter passado o segundo dia de sintomas na cama, sem disposição. Sob orientação médica, tomou paracetamol e dipirona. Foi apenas no dia 22 que a irmã de Julia, a primeira a apresentar os sintomas, voltou a se sentir melhor, sem o mal-estar e a sensação de moleza no corpo. Ela e o pai deixaram de sentir gosto, enquanto a mãe, segundo Julia, teve dores no corpo.

Foi também no dia 13 que a jornalista Marcia Peltier, 61, começou a se sentir febril e teve dores no corpo. Ela relata ter passado dois dias com esses sintomas, além de ter mal-estar generalizado, olho vermelho, enjoo e ausência de gosto. No dia 14 fez o teste, que deu positivo.

Sem sentir falta de ar ou ter tido tosse, Peltier diz que foi apenas no dia 24 que voltou a não ter nenhum dos sintomas, mas segue em sua casa, com o marido, no Rio de Janeiro, até o fim da quarentena estabelecida pelos médicos. O marido, que não apresentou sintomas, também fez o teste, que deu negativo.

Nesta terça (24), o empresário Hugo Antonio Jordão Bethlem Jr., 28, recebeu sua alta em São Paulo. No dia 10, ele começou a sentir dores de cabeça e a ter febre. No dia seguinte, foi fazer o exame. “Depois senti meu corpo muito quebrado por uns dias, não conseguia ficar muito tempo em pé”, conta ele, que estima ter se contaminado no dia 7, em contato com pessoas que tiveram contato com estrangeiros no Brasil.

Quanto ao olfato e paladar, ele diz que, enquanto estava doente, não ficou atentou a isso.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.