Descrição de chapéu Coronavírus

Doria estende quarentena por 15 dias em SP e diz que PM dissipará aglomerações

Governador também enquadrou prefeitos do interior e citou apoio de Moro e Guedes ao isolamento

São Paulo

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), em um discurso politizado, anunciou que vai renovar a quarentena no estado por mais 15 dias.

O anúncio foi feito nesta segunda-feira (6) no Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi, em entrevista coletiva que o tucano dá diariamente.

Doria também afirmou que as guardas-civis e a Polícia Militar serão usadas para dissipar aglomerações, se necessário. "Prefeitas e prefeitos que estão nos assistindo aqui, vocês terão o dever, a obrigação de seguirem nas suas cidades a orientação do governo do estado de SP", disse Doria.

"Devem exercer também ao lado da Polícia Militar o poder de polícia se houver desobediência de qualquer natureza. Nenhuma aglomeração de nenhuma espécie em nenhuma cidade ou área será permitida. As guardas deverão agir e se necessário recorrer à Polícia Militar para que possa haver a dissipação de qualquer movimento ou aglomeração", disse.

De acordo com o tucano, as primeiras medidas serão orientativas. "Se não o fizerem, a segunda etapa será de medidas coercitiva, podendo penalizar com medidas previstas em lei, incluindo a prisão", disse Doria.

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), também endureceu o tom e afirmou que a ordem é lacrar comércios abertos. "Orientação da prefeitura não é multar, é lacrar", disse. "E na reincidência cassar o alvará de funcionamento".

O tucano mais uma vez se contrapôs a Bolsonaro, dessa vez afirmando que várias pessoas do governo, com exceção do presidente, são favoráveis ao isolamento.

"No Brasil defendem isolamento o ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, o ministro da Justiça, Sergio Moro, o ministro da Fazenda, Paulo Guedes, o vice-presidente Hamilton Mourão", disse Doria.

"Será que todos eles estão errados? Será que a ciência mundial está errada?", disse o tucano. "Será que um único presidente da República no mundo é o certo? É quem detém o poder, a ciência, para discordar do mundo?".

O novo período de quarentena vai até 22 de abril. Para embasar as decisões, Doria trouxe médicos para dar depoimentos sobre o assunto.

"Se não houvesse nenhum tipo de medida, teriamos 277 mil mortos. Com as medidas vamos reduzir em 166 mil mortes", disse Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, sobre um cenário para 180 dias.

De volta ao trabalho, após se recuperar de coronavírus, o infectologista David Uip, que chefia o centro de contingência contra o coronavírus, fez um depoimento sobre a sua experiência. "Foi um sentimento muito angustiante. Você ir dormir não sabendo como acordar. Felizmente, Deus me ajudou e eu venci a quarentena", disse.

Uip foi aplaudido pelos presentes no Palácio dos Bandeirantes.

Mais tarde, Doria também afirmou à Folha que a pesquisa Datafolha divulgada neste domingo (5) mostra que a população está seguindo medidas de isolamento recomendadas por autoridades de saúde.

Três em cada quatro (76%) brasileiros adultos que possuem celular avaliam que no momento é mais importante que as pessoas fiquem em casa a fim de evitar a propagação do coronavírus, mesmo que isso prejudique a economia e cause desemprego, do que acabar com o isolamento das pessoas em casa para estimular a economia e impedir o desemprego.

Em oposição, 18% avaliam que acabar com o isolamento é o mais importante a fim de estimular a economia e impedir o desemprego, mesmo que isso contribua para a disseminação do coronavírus. Uma parcela de 6% não opinou.

"A pesquisa Datafolha mostra que a maioria expressiva da população está seguindo o que recomendam autoridades mundiais em saúde: ficar em casa. Reduzir ao máximo a circulação de pessoas é o melhor investimento para proteger e salvar vidas", afirmou João Doria.

Doria decretou quarentena a partir do dia 24 de março, como medida de combate à pandemia de coronavírus.

A medida implica o fechamento obrigatório de todo o comércio e serviços não essenciais —lojas, bares, cafés e restaurantes devem fechar as portas. Restaurantes continuam vendendo no sistema delivery

Na saúde, ficam abertos hospitais, clínicas, farmácias e clínicas odontológicas. Na área de alimentação, supermercados, padarias e açougues. No caso das padarias, Doria disse que poderão vender produtos (como pão), mas não alimentos preparados (refeições, por exemplo).

Permanecem abertos ainda transportadoras, postos de gasolina, oficinas de automóveis e motocicletas, serviços de transporte público, táxis, aplicativos de transporte, call center, lojas de pet shop e bancas de jornais. Bancos, serviços bancários, incluindo lotéricas, seguem funcionando.

O QUE FECHA

  • bares
  • restaurantes
  • lojas de varejo
  • hotéis e hostels (para novos hóspedes)​
  • salão de cabeleireiro
  • material de construção
  • baladas, casas noturnas e boates
  • sorveterias
  • LAN house
  • estabelecimentos de ensino, como escolas de música

O QUE ABRE

  • indústria
  • segurança (pública e privada)
  • limpeza
  • manutenção e zeladoria
  • hospitais
  • clínicas
  • farmácias
  • lavanderias
  • clínicas odontológicas
  • supermercados
  • hipermercados
  • feiras de rua
  • padarias
  • açougues
  • transportadoras
  • postos de gasolina
  • oficinas de automóveis e motocicletas
  • ônibus
  • trem
  • metrô
  • táxis
  • aplicativos de transporte
  • entregadores de delivery
  • call center
  • pet shop
  • bancas de jornais
  • bancos
  • lotéricas
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