Descrição de chapéu Coronavírus

Com triplo de infectados e curados além do imaginado, cidade alemã pode relaxar quarentena

Segundo resultados preliminares, 15% da população de Heinsberg pode ter anticorpos

Bruxelas

Estudo feito pela Universidade de Bonn indicou uma taxa de contágio por coronavírus que é o triplo da estimada anteriormente na cidade considerada o marco zero da pandemia na Alemanha: Heinsberg, na fronteira com a Holanda.

Resultados preliminares indicam que 14% da população da região desenvolveu imunidade para o coronavírus. Contando com os casos ativos, a taxa de infecção é de 15% —até então, a estimativa era de 5%.

Estação móvel para teses de Covid-19 na localidade de Gangelt, em Heinsberg, epicentro da epidemia na Alemanha - Wolfgang Rattay - 12.mar.20/Reuters

Para os cientistas, os dados podem permitir o início da retirada da quarentena, uma vez que, quanto mais pessoas tenham se imunizado, menor é a velocidade de contágio.

O estudo alerta porém que a retirada de restrições só pode ser feita se forem mantidas medidas de distanciamento social e proteção, como uso de máscaras e higiene das mãos, para evitar novos surtos.

Asilos e casas de idosos devem ser especialmente protegidos, segundo um dos autores, Martin Exner.

“Os primeiros resultados mostram que este é um vírus que deve ser levado a sério e que as medidas para conter a propagação estavam corretas. Precisamos classificar corretamente os riscos, porque vamos conviver com o coronavírus por muito tempo”, disse o coordenador do trabalho, o epidemiologista Hendrick Streeck.

Com 41 mil habitantes, Heinsberg se tornou epicentro da pandemia alemã depois de uma festa de Carnaval em 15 de fevereiro, que funcionou como foco de transmissão do coronavírus. A cidade registrou as duas primeiras mortes do país por Covid-19, a doença provocada pelo Sars-CoV-2.

Os pesquisadores de Bonn (das áreas de virologia, clínica farmacológica, saúde pública, biometria médica, computação e epidemiologia) testaram e entrevistaram residentes para entender como foi a dinâmica de contágio e a evolução da doença na cidade.

Uma amostra aleatória e representativa da população da cidade foi montada a partir de 600 famílias contatadas. Cerca de mil habitantes de 400 famílias participaram do estudo.

O estudo fez exames de secreção da garganta, para teste do vírus, e de sangue, para teste da presença de anticorpos, e questionário sobre hábitos de vida e cadeias causais (viagens, comida, contato com animais), para avaliar até que ponto os testes realizados foram corretos e como o vírus pode ser transmitido por ar, superfícies, bens de consumo, alimentos e água.

A curva de infecção do coronavírus em Heinsberg está plana: não há aumento no número de novos casos, afirma a prefeitura da cidade.

Com um número maior de infectados, a taxa de letalidade por caso confirmado também caiu. De acordo com o estudo, 0,37% das pessoas contaminadas em Heinsberg morreram, afirmou Streeck.

O número é a metade do calculado por pesquisadores do Imperial College de Londres com base em casos de Wuhan, na China. No trabalho inglês, a letalidade por pessoa infectada foi de 0,657%.

O dado mais recente para a Alemanha como um todo, calculado pela Universidade Johns Hopkins, é de 2,2%.

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