Descrição de chapéu Coronavírus

Técnico de enfermagem diabético e hipertenso sobrevive a Covid-19 e H1N1

Após 11 dias de internação, 2 deles na UTI, profissional que também tem sobrepeso conseguiu se recuperar

São Paulo

Tinha tudo para dar errado, e o técnico em enfermagem Paulo Celso Costa, 42, sabia disso —o que tornou os 11 dias de internação, 2 deles na UTI, ainda mais angustiantes. Hipertenso e diabético, o homem de 1,81m, e que chegou ao Hospital do Servidor Público Estadual com 130 kg, ainda tinha o sobrepeso como mais um fator de risco.

Paulo deu entrada no hospital no dia 31 de março com sintomas da Covid -19, doença que já causou 1.328 mortes no país e mais de 23 mil casos confirmados. "Fui perdendo o paladar, não sentia mais o cheiro das coisas, tinha muita dor no peito e febre", afirma.

Funcionário do pronto socorro do próprio hospital, ele conta que começou a imaginar como seu quadro evoluiria. "Quando você é da área da saúde é ainda mais desesperador", diz. "Você fica pensando: 'e se me entubarem, e se eu não voltar?'."

Ele é casado com a auxiliar de enfermagem do Hospital São Paulo Claudia Cristina Costa, 40, que teve os sintomas da Covid-19, mas não precisou ser internada. Dois dos três filhos do casal também apresentaram sinais da infecção. "Acredito que a diabetes e a hipertensão tenham feito a diferença para eu precisar ser internado", afirma ele.

Paulo foi internado em uma área específica para casos de infecções respiratórias criada pelo Hospital do Servidor Público Estadual, onde conta ter visto uma série de funcionários da saúde assim como ele, antes de ir para a UTI. "É desesperador. Você tenta respirar e não consegue, mesmo com o cateter com oxigênio no máximo", diz.

Após os dias iniciais na enfermaria de Moléstias Infecciosas, o auxiliar de enfermagem piorou e foi transferido para a UTI. "Ali, passa um monte de coisas pela sua cabeça, sozinho, sem conversar com ninguém. A gente começa a pensar que pode ser entubado, sedado", diz. "Você olha pro relógio, acha que passaram duas horas, mas passaram só dez minutos."

Balanço da Ministério da Saúde com base em dados de 1.066 das 1.328 mortes registradas aponta que 74% delas ocorreram em pessoas acima de 60 anos. Cerca de 75% das pessoas que morreram tinham ao menos um fator de risco.

Em idosos, os fatores predominantes são cardiopatia e diabetes. Já em pessoas abaixo de 60 anos, os principais fatores são asma e obesidade.

Os sintomas mais comuns do coronavírus são febre, cansaço e tosse seca. Algumas pessoas têm dores no corpo, congestão nasal, coriza, dor de garganta ou diarreia. Uma em cada seis pessoas desenvolve dificuldade para respirar. Outras não desenvolvem sintoma nenhum, segundo a OMS.

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