Grávidas enfrentam risco maior de complicações de Covid-19, diz estudo

Pesquisa dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) é a maior já realizada

Roni Caryn Robin
The New York Times

Autoridades de saúde dos Estados Unidos acrescentaram na segunda-feira (2) a gestação à lista de condições que colocam as pessoas com Covid-19 sob maior risco de desenvolver doenças graves, incluindo risco elevado de morte.

Embora a maioria das mulheres grávidas infectadas com o coronavírus não tenha ficado gravemente doente, a nova advertência se baseia em um grande estudo que analisou dezenas de milhares de gestantes com sintomas de Covid-19.

O estudo descobriu que elas tinham propensão significativamente maior a precisar de cuidados intensivos, a ser conectadas a uma máquina de bypass coração-pulmão e a necessitar de ventilação mecânica do que mulheres não grávidas da mesma idade que apresentavam sintomas de Covid. Mais importante ainda, as gestantes enfrentavam um risco de morte 70% maior se comparado às mulheres não grávidas que eram sintomáticas.

Mulher grávida com sintomas de Covid-19 é examinada em Tlapa de Comonfort, no México
Mulher grávida com sintomas de Covid-19 é examinada em Tlapa de Comonfort, no México - Pedro Pardo - 7.set.20/AFP

O estudo dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), o maior já realizado, examinou os resultados de 409.462 mulheres sintomáticas, entre 15 e 44 anos, que tiveram resultado positivo para o coronavírus, 23.434 das quais estavam grávidas.

"Agora estamos dizendo que as grávidas correm maior risco de doenças sérias. Antes, dizíamos que elas 'poderiam estar' sob maior risco de doenças graves", disse Sascha Ellington, cientista de saúde do CDC e um dos autores do novo estudo.

Ainda assim, Ellington enfatizou que o risco geral de complicações e morte era baixo. "O risco absoluto desses resultados graves é baixo entre mulheres de 15 a 44 anos, independentemente do estágio de gravidez, mas o que vemos é um risco maior associado à gestação", disse ela.

Denise Jamieson, catedrática de ginecologia e obstetrícia na escola de medicina da Universidade Emory, disse que os novos dados ressaltam a importância de as grávidas tomarem precauções extras para evitar a exposição ao vírus, incluindo reduzir encontros sociais e interações com pessoas —até mesmo parentes— que podem ter sido expostas ou infectadas.

"Esta é uma nova informação que se soma ao crescente corpo de evidências e realmente ressalta a importância de as gestantes se protegerem da Covid", afirmou Jamieson. "É importante que elas usem máscara e evitem pessoas que não estejam usando máscara."

Mas, disse ela, as mulheres não devem pular as consultas de exame pré-natal e devem tomar as vacinas necessárias, como contra a gripe. A médica também observou que o estudo indica que as grávidas devem ter acesso a uma vacina anti-Covid segura e eficaz assim que estiver disponível.

Um estudo anterior não encontrou um risco maior de morte entre pacientes grávidas com Covid, mas no novo estudo elas tinham probabilidade 1,7 vez maior de morrer do que as não grávidas. Isso representou uma taxa de mortalidade de 1,5 por 1.000 casos entre as mulheres grávidas sintomáticas, em comparação com 1,2 por 1.000 casos de mulheres sintomáticas que não estavam grávidas.

Mesmo depois que ajustes foram feitos para diferenças de idade, raça, etnia e condições de saúde subjacentes, como diabetes e doenças pulmonares, as mulheres grávidas tinham probabilidade três vezes maior que as não grávidas de serem internadas em terapia intensiva e 2,9 vezes maior de receber ventilação mecânica.

O estudo também destacou disparidades raciais e étnicas. Quase um terço das mulheres grávidas que tinham Covid eram hispânicas. E embora as mulheres negras representassem 14% das gestantes incluídas na análise, 9 das 34 mortes foram de mulheres negras.

Ellington enfatizou a importância de se tomar precauções para evitar infecções, dizendo que as grávidas devem limitar as interações para evitar pessoas que possam ter sido expostas.

"Mulheres gestantes devem ser aconselhadas sobre a importância de procurar atendimento médico imediato caso apresentem sintomas", escreveram os autores.

Um estudo menor, também divulgado na segunda pelo CDC, relatou que as mulheres com resultado positivo no teste de coronavírus tinham maior risco de parto prematuro, concluindo que 12,9% dos nascidos vivos entre uma amostra de 3.912 mulheres foram prematuros, em comparação com 10,2% na população em geral. A amostra não teve representatividade nacional, mas a descoberta confirma relatos anteriores que alertaram para um risco maior de partos prematuros.

​Entre 610 recém-nascidos que foram testados para coronavírus, 2,6% deram positivo, com a maioria das infecções ocorrendo entre bebês cujas mães tiveram a infecção dentro de uma semana após o parto.

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