Post engana ao dizer que Coronavac matou mais de 2.000 voluntários

Publicação sugere, também erroneamente, que vacinas causam danos neurológicos e alterações genéticas

São Paulo

É falso que a Coronavac, vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac com apoio do Instituto Butantan, tenha matado mais de 2.000 voluntários e que altere o DNA das pessoas, como sugere uma imagem que circula pelas redes sociais. Também é inverídico que as vacinas desenvolvidas pela Pfizer e pela Moderna tenham como objetivo causar graves danos neurológicos e, assim, matar a população em massa. Todas estas afirmações foram divulgadas pela mesma página em um post no Facebook e em uma publicação no Telegram.

O post, verificado pelo Comprova, usa como imagem parte de uma checagem, apenas título e subtítulo, que repete o boato como forma de pergunta: “Vacina chinesa matou mais de 2 mil voluntários e altera o DNA das pessoas? Checamos!”. Essa imagem, no entanto, induz a uma interpretação errada, já que nem o link para a verificação nem a sua conclusão foram compartilhados. A verificação, feita pela seção de checagem do site maranhense O Imparcial, concluiu que a informação é falsa.

Ao fundo, um pouco desfocado, rosto de homem com máscara branca e avental branco; à frente, em primeiro plano, a mão esquerda dele segurando uma caixa de Coronavac, que se assemelha a uma caixa de pomada. A caixa é nas cores branca e laranja
Caixa da vacina desenvolvida pela farmacêutica Sinovac com apoio do Butantan - Silvio Avila/AFP

O texto que acompanha a imagem do post verificado pelo Comprova fornece um link que leva a uma publicação no Telegram, que diz: “Cobaias humanas da Moderna e Pfizer sofrem exaustão extrema, falta de ar, dores de cabeça etc. Prepare-se para vacinas de despovoamento em massa que causam graves danos neurológicos e lobotomize (sic) qualquer estúpido o suficiente para tomá-las”.

Comunicados das fabricantes e de órgãos oficiais mostram que as vacinas que estão em teste não causaram nenhum dano neurológico e, muito menos, mortes de voluntários relacionadas a elas. O Comprova ouviu especialistas que também negaram a possibilidade dos imunizantes causarem alterações no DNA.

O responsável pela página que compartilhou os conteúdos afirmou à reportagem que as informações “são conseguidas com pessoas que têm a mesma linha de pensamento que nós” e que iria tomar providências sobre as publicações, mas que a página iria manter “o foco, que é divulgar aquilo que a TV nunca vai mostrar”.

Verificação

Na terceira fase, o Comprova verifica conteúdos suspeitos sobre a Covid-19 ou sobre políticas públicas do governo federal que tenham alcançado grande repercussão nas redes sociais. As publicações que veiculam informações falsas acerca das vacinas contra o novo coronavírus são ainda mais prejudiciais, visto que podem desencorajar a população de se imunizar –meio apontado pelos especialistas como o mais promissor para dar fim à pandemia, que já causou a morte de mais de 161 mil brasileiros.

Os conteúdos verificados nesta publicação associam, de maneira enganosa e sem embasamento científico, as vacinas em fase de testes a mortes, doenças e reações adversas graves, o que coloca em dúvida a segurança dos imunizantes, que, até o momento, têm se mostrado eficientes. A publicação divulgada na página Maldito Sistema teve 304 reações e 2,5 mil compartilhamentos no Facebook até 9 de novembro.

Falso, para o Comprova, é todo o conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma mentira.

O Comprova fez esta verificação baseado em dados oficiais sobre o novo coronavírus disponíveis no dia 9 de novembro de 2020.

A investigação desse conteúdo foi feita por Favela em Pauta, Rádio Noroeste, NSC e A Gazeta e publicada na segunda-feira (9) pelo Projeto Comprova, coalizão que reúne 28 veículos na checagem de conteúdos sobre coronavírus e políticas públicas. Foi verificada por Folha, Jornal do Commercio, GZH, Marco Zero, Correio, Niara, Piauí e Estadão.

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