Descrição de chapéu Coronavírus

Empresário bolsonarista Luciano Hang tem diagnóstico de Covid-19 e se interna em hospital de SP

Dono da rede de lojas Havan é um defensor do tratamento à base de cloroquina, sem comprovação científica

São Paulo

Luciano Hang, 58, dono da rede de lojas Havan, recebeu diagnóstico de Covid-19 e está internado em um hospital da Prevent Sênior na capital paulista.

O empresário de Santa Catarina é um dos expoentes do bolsonarismo no Brasil e segue à risca as pautas defendidas pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Na pandemia de Covid-19, vem propagando o uso da hidroxicloroquina e da ivermectina como "tratamento precoce" ao coronavírus, dois medicamentos cuja eficácia contra o vírus não foi comprovada em uma série de estudos científicos.

Hang está estável e internado há alguns dias na unidade Dubai do Hospital Sancta Maggiore, no Morumbi.

Na mesma unidade, inaugurada em 2020, está Andrea Hang, a mulher de Luciano, também sob tratamento para a Covid-19. O estado de saúde dela também é considerado estável.

O coronavírus ainda contaminou a matriarca da família Hang. Regina Modesti Hang, 82, também está internada num hospital da Prevent Sênior. No caso dela, em estado mais grave, numa UTI.

Procurada, a Prevent Sênior disse que não poderia confirmar o fato por questão de sigilo. Já a assessoria de imprensa da Havan informou que não tinha informações.

Pelas redes sociais, Hang mantém o habitual ritmo de publicações, apesar de sua internação.

Nesta terça-feira (19) escreveu um post motivacional cujo texto é acompanhado por uma ilustração sobre os seis hábitos das pessoas felizes.

Parte do texto diz: “não fazer comentários maldosos sobre os outros, passar longe das fofocas, ser discreto, não se preocupar em exibir suas conquistas e ter bom humor diante das lutas do dia a dia são traços marcantes das pessoas realmente felizes”.

Também há um vídeo compartilhado por Hang, nesta segunda-feira (18), que mostra a movimentação de pessoas num shopping do Cairo, a capital do Egito.

O autor das imagens, não identificado, narra que o país africano está “com vida normal” porque adotou em seu protocolo de tratamento contra a Covid-19 os medicamentos azitromicina, ivermectina e hidroxicloroquina “e não teve oposição contra isso”.

As pessoas filmadas, no entanto, aparecem de máscara cobrindo o rosto.

“Como vocês podem ver no vídeo, onde foi feito o cuidado preventivo, a vida segue normal. Por que aqui [no Brasil] não podemos seguir o exemplo de onde deu certo? Para que insistir no erro”, questionou Hang.

O Egito, com 100 milhões de habitantes, acumula 157 mil casos de Covid-19 e pouco mais de 8.600 mortes, segundo monitoramento da universidade americana Johns Hopkins.

A pandemia também restringiu o turismo no país, o principal motor da economia local, e impôs duríssimas regras para o funcionamento de bares e restaurantes, que só podem funcionar com até 50% de sua capacidade.

No dia 9 de janeiro, Hang compartilhou uma cartilha sobre o tratamento precoce contra a Covid-19 que defende e diz ser recomendada por médicos, mas sem citar quais seriam os profissionais.

O tratamento inclui o uso de ivermectina, hidroxicloroquina e azitromicina associado à prática de atividade física, boa alimentação com vitaminas C e D, além de zinco.

Luciano Hang, o dono da Havan, em protesto diante da prefeitura de Pelotas em razão de um decreto da prefeitura que colocou a cidade em lockdown por causa da Covid-19
Luciano Hang, o dono da Havan, em protesto diante da prefeitura de Pelotas em razão de um decreto da prefeitura que colocou a cidade em lockdown por causa da Covid-19 - Rafael Freitag/Diário da Manhã de Pelotas
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