Descrição de chapéu Coronavírus

Grupo que aconselha OMS aprova uso da vacina de Oxford em idosos

Segundo especialistas, mesmo que ainda faltem dados sobre quem tem mais de 55 anos, há indícios de que produto protege contra doença grave e mortes

Bruxelas

O grupo de especialistas em imunização (Sage) que aconselha a OMS afirmou que a vacina Oxford/AstraZeneca pode ser usada por todos os adultos acima de 18 anos, incluindo os idosos. O imunizante é o principal do programa de vacinação do governo federal brasileiro.

Por falta de dados sobre o efeito em maiores de 55 anos, mais de dez países europeus restringiram temporariamente o uso da vacina de Oxford nessas faixas etárias. Os especialistas do Sage afirmaram que a cautela pode fazer sentido para os que têm mais de uma opção disponível, mas isso não se aplica a todo o mundo.

De acordo com a cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, ninguém deveria ficar esperando por um imunizante com maior eficácia. “Uma vacina agora, a que estiver disponível, é muito melhor do que esperar e correr o risco”, disse ela.

O grupo de aconselhamento da OMS afirmou que a recomendação desta quarta ainda é provisória e será atualizada conforme cheguem mais resultados de ensaios clínicos. Mas, segundo os especialistas, há vários indícios de que a vacina de Oxford terá resultado razoável entre os idosos.

“As respostas imunológicas induzidas pela vacina em pessoas idosas são bem documentadas e semelhantes às de outras faixas etárias”, afirmou Joachim Hombach, secretário-executivo do grupo.

O Sage também observou que os ensaios feitos até agora usaram intervalos entre as doses de no máximo 7 semanas, enquanto novos estudos mostraram maior eficácia quando a segunda dose é aplicada 12 semanas após a primeira (prazo usado no Reino Unido e recomendado no programa de vacinação brasileiro).

Segundo Hombach, a resposta imunológica por meio de outras estruturas de defesa, como as células T, também se mostrou suficiente para proteger os idosos.

A recomendação do Sage não interfere diretamente na avaliação da vacina pelo departamento regulatório da OMS, mas a expectativa é que ele inclua o produto de Oxford/AstraZeneca em sua lista de uso emergencial na próxima segunda (15). Essa autorização é necessária para que as vacinas comecem a ser distribuídas pela Covax, consórcio internacional que enviará imunizantes para mais de 100 países, incluindo o Brasil.

Por permitir a compra do imunizante por preço de custo, a Covax é a principal alternativa de vacinação dos países mais pobres, e as vacinas da Oxford/AstraZeneca são no momento a base do programa.

O Sage recomendou o uso do produto mesmo em países em que há forte circulação de variantes menos suscetíveis à vacina, como a África do Sul, onde foi detectada a B.1.351, ou o Brasil, onde circula a P.1. Estudos ainda preliminares mostraram que, para casos leves ou moderados de Covid-19, o imunizante de Oxford tem efeito sobre a variante B.1.351 muito menor que sobre o Sars-Cov-2 original –não há ainda resultados do impacto no caso da P.1.

Por causa desses indícios, o governo sul-africano suspendeu temporariamente o uso da vacina de Oxford, até montar um ensaio clínico que possa avaliar rigorosamente o impacto em 100 mil pessoas. A ideia é esperar esses resultados antes de escalar a administração do imunizante

De acordo com o Sage, porém, há muitos indicativos de que a vacina ofereça proteção suficiente contra doenças mais graves e morte. O’Brien afirmou que, em imunizantes em geral, o esperado é que a eficácia seja mais baixa para os casos mais leves e cresça conforme eles se tornam mais severos.

Embora apontem a necessidade de mais estudos e de ajustes nas vacinas, se necessário, os especialistas da OMS afirmam que os produtos já disponíveis são uma opção para evitar mortes e casos graves de Covid-19.

Segundo O’Brien, os modelos matemáticos mostram que, ainda que uma vacina hipotética tivesse eficácia tão baixa quanto 10%, ainda seria recomendável usá-la para proteger populações vulneráveis.

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