Descrição de chapéu Coronavírus

Avanço da Covid-19 faz lockdown se espalhar pelo interior de São Paulo

Entre as cidades que adotaram a medida estão Ribeirão Preto e São José do Rio Preto

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Ribeirão Preto

Casos em alta, recordes sucessivos de internações, UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) lotadas e pessoas na fila de espera por uma vaga em hospital. O cenário crítico devido à pandemia do novo coronavírus fez dezenas de cidades do interior de São Paulo adotarem lockdowns como forma de tentar reduzir a disseminação da Covid-19.

Na maioria das cidades, as medidas são válidas a partir desta quarta-feira (17), como em Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo), que anunciou a adoção de mais restrições na cidade nesta terça (16) e desencadeou uma onda de lockdowns em cidades da região metropolitana.

Na segunda-feira (15), São José do Rio Preto e outras 11 cidades no entorno também anunciaram que terão restrições totais na cidade a partir desta quarta.

O prefeito de Ribeirão, Duarte Nogueira (PSDB), afirmou que as medidas são difíceis, mas necessárias para “superar essa extrema dificuldade, gravíssima”.

Com isso, supermercados, hortifrutis, mercearias e empresas de entrega de gás só poderão atender via delivery.

Após prefeitura decretar lockdown, população forma longas filas na porta dos supermercados de Ribeirão Preto - Joel Silva/Fotoarena/Agência O Globo

Bancos não poderão abrir –exceto autoatendimento—, assim como lotéricas, e foram suspensos o transporte coletivo e os serviços públicos da prefeitura. Nos postos de combustíveis, o horário de funcionamento foi reduzido, das 6h às 20h.

O anúncio em Ribeirão Preto gerou uma corrida de consumidores a supermercados, que registraram enormes filas durante toda a tarde e noite , e também reações de prefeitos de cidades da região metropolitana, que seguiram as medidas.

“Certamente muitos deles [prefeitos], devido à situação semelhante, deverão nos acompanhar, o que é muito bom. Teremos uma região expandida com medidas de distanciamento e emergenciais até o próximo domingo, que é o tempo que vamos levar para avaliar como é que vai se comportar a doença”, disse o prefeito de Ribeirão.

Em Jaboticabal, o prefeito Emerson Camargo (Patriota) disse que a iminência do colapso exige as medidas restritivas.

“A partir do momento que uma cidade como Ribeirão Preto, que tem um grande número de habitantes, começa a ter dificuldades para atender seus habitantes, as outras cidades começam a ter dificuldades também”, disse.

A Acirp (Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto) informou defender o funcionamento do comércio e indústria, mas, neste momento, “não é possível pedir recuo das medidas, pois não podemos ser cúmplices das mortes que ocorrerão em caso de um colapso no sistema de saúde”.

Na noite desta terça, a ocupação de leitos de UTI na cidade estava em 94%. Com 245 leitos exclusivos para Covid-19, há 230 pacientes internados. Em enfermaria, são outros 210.

“Com essa ocupação, não conseguimos garantir atendimento a todos. Estamos num limite muito tênue, uma situação muito perigosa [...] Isso significa que quando não temos recursos para atender todos, temos de fazer opções. Os médicos vão ter de começar a fazer opções sobre quem vai ter acesso ao pouco recurso que tem sobrando”, disse o secretário da Saúde da cidade, Sandro Scarpelini.

Imagem mostra leitos hospitalares com pacientes em hospital de Ribeirão Preto
Hospital das Clínicas da USP, em Ribeirão Preto - FMRP-USP

Além de Jaboticabal, outras prefeituras da região metropolitana terão lockdown de cinco dias, válidos a partir desta quarta ou quinta (18), como Batatais, Orlândia, Morro Agudo, Brodowski e Altinópolis.

"Nós estávamos regulando pacientes para cidades da região, para Ribeirão Preto, e nesse momento todos os leitos da nossa regional, todas as UTIs da região, estão ocupadas. Nós temos aproximadamente 205 pessoas em toda a nossa região aguardando um leito de UTI [sendo 138 para Covid-19], o que nos preocupa muito. Antes, com 100% da ocupação da UTI, nós ainda tínhamos a possibilidade de encaminhar pacientes, de regular pacientes, para outros municípios", disse o prefeito de Batatais, Juninho Gaspar (PP).

Já em São José do Rio Preto (a 437 km de São Paulo) a decisão pelo lockdown se deu ainda no domingo (14), após reunião de emergência. A ocupação de leitos de UTI alcançou 98%.

O prefeito Edinho Araújo (MDB) se reuniu com governantes de outras cidades, que decidiram também adotar as restrições a partir desta quarta. Inicialmente, a proposta é que as decisões sejam válidas por cinco dias, com flexibilização gradativa de serviços a partir da próxima segunda-feira (22).

Entre as cidades que adotaram restrições está Nova Granada, que desde o último dia 8 implantou uma pulseira vermelha para ser usada por moradores diagnosticados com a Covid-19.

A primeira cidade do interior a adotar restrições muito severas foi Araraquara (a 273 km de São Paulo), que fechou até postos de combustíveis e bancos e restringiu a circulação de pessoas e veículos sem necessidade em toda a cidade.

A medida fez com que houvesse queda nos novos casos de coronavírus. As internações e óbitos ainda seguem em alta. Médicos afirmam que o prazo para a eficiência das restrições ser refletido nas internações é mais longo.

Com apenas 16 dias de março, a cidade já alcançou nesta terça o recorde de mortes provocadas pelo novo coronavírus. São 89, mesmo número de fevereiro inteiro.

Desde 10 de fevereiro —há 36 dias, portanto—, não houve um dia sequer sem o registro de mortes provocadas pelo vírus no município da região central do estado.

Depois de registrar 92 mortes em todo o ano passado, a cidade viu explodir casos, internações e óbitos a partir do final de janeiro, quando a nova variante começou a ser detectada.

Nesta terça, foram registrados cinco óbitos, entre eles o de uma jovem de 17 anos, que tinha comorbidades e estava internada num hospital particular desde o dia 19 de fevereiro. As outras quatro mortes foram de dois homens (de 50 a 58 anos), um deles sem comorbidades, e duas mulheres (65 e 72 anos).

“A pressão por UTI existe e, como as mortes são um marcador tardio, o número de vagas de UTI vai demorar muito ainda [para cair]”, disse o pneumologista Flávio Arbex, diretor do centro de ensino e pesquisa da Santa Casa e docente da Uniara.

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