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Gabigol e MC Gui são flagrados em cassino de luxo de SP em ação contra aglomeração

Jogador do Flamengo e funkeiro foram levados para órgão da Polícia Civil junto com outras 150 pessoas

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Gonçalves (MG)

O atacante Gabigol, do Flamengo, e o funkeiro MC Gui foram detidos, na madrugada deste domingo (14), num cassino de luxo no bairro Vila Olímpia, na zona oeste da cidade de São Paulo.

Além de a prática de jogos de azar ser proibida no Brasil, os frequentadores foram encontrados desrespeitando as regras sanitárias na véspera do plano emergencial, que implantará toque recolher em todo o estado de São Paulo a partir desta segunda-feira (15), das 20h às 5h.

Gabigol é encontrado em cassino e levado à delegacia em São Paulo
Gabigol é encontrado em cassino e levado à delegacia em São Paulo - Governo do Estado de São Paulo

O deputado federal Alexandre Frota (PSDB) acompanhou a equipe de fiscalização, e num vídeo postado em suas redes sociais, o parlamentar disse que viu no cassino “menores de idade, gente sem máscara e aglomerada com poder aquisitivo muito alto sem nenhum cuidado compartilhando copos e garrafas”.

Nas imagens feitas por Frota, os frequentadores são vistos sentados no chão e com as mãos na cabeça após a chegada da fiscalização. “E, para nossa surpresa, estavam lá MC Gui e Gabigol, o jogador do Flamengo. Acho que estavam no local errado e no momento errado”, disse o parlamentar.

A fiscalização interditou o cassino, e levou Gabigol e MC Gui com ao menos outras 150 pessoas para o DPPC (Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania). O órgão, da Polícia Civil, tem concentrado as investigações contra pessoas flagradas desrespeitando os decretos do governo paulista para a contenção da pandemia.

Gabigol e MC Gui, e os demais frequentadores do cassino, assinaram um termo circunstanciado de ocorrência após se comprometerem a comparecer à polícia quando forem requisitados. Eles foram liberados na sequência.

Os depoimentos deles não foram colhidos para evitar aglomerações no prédio do DPPC, localizado na região central da capital paulista. Os envolvidos deverão responder na Justiça por crime contra a saúde pública, contravenção e jogo de azar.

Em 1941 foi promulgada a Lei das Contravenções Penais, tornando o jogo ilegal. Em 1946, o general Eurico Gaspar Dutra, então presidente da República, fechou os cassinos e proibiu a prática ou exploração de jogos de azar (em que concorre só a sorte do jogador, e não sua habilidade).

Os crimes —contra a saúde pública, contravenção e prática de jogo de azar —são de menor potencial ofensivo, e as pessoas flagradas nestas situações não são presas em flagrante. Os detidos, quando concordam em comparecer às audiências da Justiça, acabam tendo substituída a prisão em flagrante pelo termo circunstancial.

No momento em que era conduzido para o DPPC, o jogador Gabigol se irritou com a pergunta de uma pessoa sobre se ele estaria em campo neste domingo para o clássico contra o Fluminense. “Não, mano, que pergunta idiota do caralho”, retrucou o jogador.

O Fla-Flu, marcado para as 18h pelo campeonato carioca, não terá a presença de Gabigol porque ele está de férias após a conquista do Brasileirão 2020.

MC Gui disse, por nota, que, diferentemente do que está sendo veiculado na imprensa, o local onde ele esteve é uma casa de pôquer, que foi fechada pela Vigilância Sanitária por causa da pandemia.

"Para que a vigilância possa atuar, no fechamento e na retirada das pessoas do local, necessita acionar autoridades locais, a fim de evitar maiores tumultos", afirmou a assessoria de imprensa do artista.

"O artista já prestou os esclarecimentos necessários e colaborou com o que foi solicitado, a quem de direito. Neste momento, o artista MC Gui não tem mais nada a declarar sobre o ocorrido".

O jogador Gabigol foi procurado pela Folha, mas ainda não se manifestou. À TV Globo, o jogador afirmou que "faltou sensibilidade".

"Não tenho costume de ir a cassino, a única coisa que eu jogo é videogame. Estava com meus amigos, fomos comer. Quando estava indo embora, a polícia chegou mandando todo mundo ir para o chão. Faltou sensibilidade da minha parte. Era meu último dia de férias, e estava feliz de estar com meus amigos. Faltou sensibilidade. Mas usei máscara, álcool em gel. Quando percebi que tinha um pouquinho mais de gente, estava indo embora", disse.

FISCALIZAÇÃO

O estado de São Paulo atingiu, neste sábado (13), a pior semana da pandemia: foram contabilizadas 2.548 mortes por Covid-19 desde o último domingo (7) —uma média de 364 casos por dia.

De acordo com o governo paulista, somente nas últimas 24 horas morreram 434 pessoas. O recorde de vítimas fatais é de sexta-feira (12), com 521 óbitos.

A 10ª semana epidemiológica de 2021 também foi marcada pelo aumento de casos, com 87.443 novas infecções. Com isso, o estado de São Paulo acumula 2.195.130 casos e 63.965 óbitos por Covid-19 desde o início da pandemia.

As taxas de ocupação dos leitos de UTI atingiram 89%, na Grande São Paulo; e 87,6%, nas demais regiões do estado. É por causa destes números que São Paulo ingressou na fase vermelha, a mais restritiva e que proíbe qualquer tipo de evento.

Uma força-tarefa, formada por órgãos da prefeitura e do governo de São Paulo, tem fiscalizado denúncias contra casas noturnas e outros espaços de festas que estão promovendo aglomerações.

Entre a noite de sábado (13) e a madrugada deste domingo, a Vigilância Sanitária Estadual inspecionou 34 estabelecimentos comerciais, dos quais 7 foram autuados e 4 interditados.

Entre eles, está uma casa noturna que foi flagrada com mais de 500 pessoas, na região do Capão Redondo, na zona sul. O espaço foi lacrado, e os envolvidos levados ao DPPC.

Denúncias sobre festas clandestinas e funcionamento irregular de serviços que não sejam essenciais podem ser feitas pelo telefone 0800-771-3541 e também pelo site do Procon-SP (www.procon.sp.gov.br) ou Centro de Vigilância Sanitária (secretarias@cvs.saude.sp.gov.br).

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