Bobsled brasileiro sai em busca de novos pilotos

Edson Bindilatti, 38, é o único atleta na posição desde a retomada do Brasil no esporte em 2013

Gustavo Longo
PyeongChang
Trenó com quatro pessoas em pista de gelo
O time brasileiro de bobsled (4-man), formado por Edson Bindilatti, Edson Martins, Odirlei Pessoni e Rafael Souza, durante treino em PyeongChang - Arnd Wiegmann/Reuters

A equipe de bobsled do Brasil, que competiu nos Jogos Olímpicos de PyeongChang, encerrados neste domingo (25), tem um problema para resolver. O país sabe que, a partir de março, precisará recrutar e treinar novos pilotos se quiser manter a linha de evolução dos últimos anos no esporte. 

Atualmente, o país tem apenas um piloto para sua equipe: Edson Bindilatti, 38, e atleta mais experiente do Brasil na modalidade.

Ele foi o responsável por conduzir os trenós brasileiros durante todo o ciclo olímpico no "2-man" e no "4-man" rumo à classificação para os Jogos de PyeongChang. Agora, entende que é hora de começar a passar o bastão para os mais jovens. 

Após terminar na 27ª colocação da categoria "2-man" (duplas), o Brasil encerrou sua participação na "4-man" neste domingo. O quarteto terminou na 23ª colocação (entre 29 equipes). Foi a melhor participação do país na modalidade, superando o 25º lugar nos Jogos de Turim, em 2006.

O Brasil teve representantes na modalidade nas Olimpíadas de 2002, 2006 e 2014. Na Coreia, obteve pela primeira vez vaga na dupla masculina (2-man) --com Bindilatti ao lado de Edson Martins.

"Minha carreira está acabando, eu tenho consciência disso. Minha ideia é ajudar a formar novos pilotos para o Brasil a partir de março. Quero levá-los comigo para Lake Placid, fazer escola de piloto", disse Bindilatti à Folha. 

Homem com capacete junta as mãos acima da cabeça
Edson Bindilatti, 38, após prova de duplas de bobsled - Mohd Rasfan/AFP

Dois nomes já despontam como os primeiros da lista para serem trabalhados ainda neste ano. Um deles é Erick Vianna, reserva da equipe em PyeongChang e que acompanhou as últimas duas temporadas da equipe brasileira de Bobsled como pusher (responsável pelo arranque do trenó na largada).

O outro é Marley Linhares, que participou do Monobob, variação do bobsled em que apenas um atleta pilota e freia o trenó, nos Jogos Olímpicos da Juventude de Inverno de Lillehammer, em 2016.

Novos nomes passarão pelo trabalho estratégico desenvolvido pela CBDG (Confederação Brasileira de Desportos no Gelo) já no ciclo olímpico que começa após os Jogos de Inverno da Coreia do Sul. A entidade lançou um trabalho específico para o esporte, recrutando atletas que já tenham características físicas similares à pratica da modalidade.

A primeira parte dessa visão estratégica consiste em criar perfis de atletas considerados ideais para cada uma das funções no trenó: pilotagem, arranque e frenagem. A partir daí, traçar planos de treinos e metas para cada um desses atletas. É essa segunda parte que o Brasil espera avançar após os Jogos Olímpicos de PyeongChang.

"Não se trata mais de uma aventura", resumiu Matheus Figueiredo, presidente da CBDG desde 2017.

Homem dentro de trenó é empurrado por outros três homens, todos de roupa azul e capacete
Edson Bindilatti lidera equipe brasileira "4-man" nos Jogos de PyeongChang - Mark Ralston/AFP

Não há um "centro internacional de pilotagem" para atletas que desejam dirigir o trenó de bobsled. A formação de novos pilotos é responsabilidade de cada uma das 16 pistas ativas em todo o mundo, que mantêm escolas durante toda temporada de inverno (normalmente de outubro a abril). Em duas semanas de curso de pilotagem a pessoa começa a ter as primeiras aulas sobre o esporte e já pega o certificado. 

Com ele, o interessado está apto para dirigir naquela pista específica e já possui o conhecimento para conseguir pilotar nas demais.

A partir daí, é necessário acumular tempo de descida nas mais diferentes pistas para evoluir. É a mesma lógica do carros nas ruas: quanto mais tempo ao volante em diferentes pistas, mais rápida será a adaptação. 

No caso do Brasil, os atletas serão levados para o Centro Olímpico de Lake Placid, local que abriga uma das duas pistas de bobsled existentes nos Estados Unidos e lar da equipe americana 

Dois motivos explicam essa escolha: a parceria entre as equipes de bobsled do Brasil e a dos EUA e a dificuldade da pista, considerada uma das mais exigentes do esporte. 

"Quem pilotar bem lá, consegue pilotar em qualquer pista do mundo", afirma Edson Bindilatti

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