Santos derrota o São Paulo com mais um gol de Gabriel

Atacante santista marca pela terceira vez em três jogos

Gabriel comemora gol em vitória do Santos por 1 a 0 sobre o São Paulo
Gabriel comemora gol em vitória do Santos por 1 a 0 sobre o São Paulo - Mauro Horita

 
 
Alberto Nogueira
São Paulo
 

A estrela de Gabriel, do Santos, brilhou neste domingo (8), no Morumbi, na vitória de sua equipe sobre São Paulo por 1 a 0, em partida válida pela oitava rodada do Campeonato Paulista.

O atacante, depois de 17 meses na Europa e só dois gols marcados, foi às redes pela terceira vez em três jogos desde seu retorno ao Brasil.

Apagado em sua passagem pela Internazionale, da Itália, e pelo Benfica, de Portugal, Gabriel é daqueles jogadores que costumam aparecer em clássicos. Com a camisa do Santos, o atacante marcou 60 gols, 12 contra os rivais da capital. Foram três contra o São Paulo, três ante o Corinthians e seis sobre o Palmeiras, sua vítima predileta.

Isolado e com poucas chances na primeira etapa, o camisa dez santista foi o responsável por vazar a defesa são-paulina, que havia iniciado a rodada com apenas quatro gols sofridos, a melhor do Paulista.

Com a vitória, o Santos chegou a 14 pontos, na liderança do Grupo D. Já o São Paulo, que vinha de quatro vitórias seguidas --duas pela Copa do Brasil--, permanece com 10 pontos, mas continua na liderança do Grupo B.

Duas horas antes do início da partida já era possível ouvir de dentro do Morumbi os animados torcedores são-paulinos entoando seus cantos nos arredores do estádio. Um presságio de que o apoio não faltaria para reverter a complicada situação recente em clássicos --os jogos entre os quatro grandes do Estado são realizados com torcida única desde abril de 2016, após confronto entre integrantes das torcidas Mancha Alvi Verde, do Palmeiras, e Gaviões da Fiel, do Corinthians, que deixou dezenas de feridos e um morto.

Mas a paciência do torcedor acabou minutos após o gol santista. Gritos de “burro” direcionados ao técnico Dorival Júnior podiam ser ouvidos nas arquibancadas, que tinham 36.118 pagantes. O melhor público do São Paulo em casa havia sido no empate em 0 a 0 contra o Novorizontino (17.171 pagantes), pela segunda rodada da competição.

A derrota para o Santos foi a segunda acumulada pelo São Paulo diante de um rival do Estado neste ano. O time já havia perdido para o Corinthians, por 2 a 1, no dia 27 de janeiro.

O JOGO

As duas equipes iniciaram o duelo desta tarde como as que mais mantêm a posse de bola na competição. O São Paulo com uma média de 60,7% por partida, e o Santos com 58%, de acordo com o site Footstats. No jogo de hoje, os donos da casa tiveram 57%, contra 43% do rival.

Como era de se esperar, o time da casa foi quem deu as cartas no início, com mais controle das ações, enquanto o time visitante, fechado, tentava explorar os contra-ataques.

O técnico santista Jair Ventura disse durante a semana que o segredo para o jogo seria não dar espaços para as trocas de passes do rival, que conta com jogadores muito técnicos, porém sem tanta velocidade, como Nenê, Cueva e Diego Souza. Não foi isso que se viu na prática.

Sem marcar sob pressão, o time esperava o São Paulo chegar com a bola até o meio de campo para começar a diminuir os espaços, marcando com suas linhas bem próximas umas das outras.

Quando tinha a bola nos pés, a equipe santista mostrava calma na troca de passes, ao mesmo tempo que sofria com a falta de criatividade de seu meio campo nas jogadas ofensivas. O meia argentino Vecchio não é um jogador que dá dinâmica ao time. Com isso, os jogadores abusaram das bolas longas para os atacantes.

Dorival Júnior é um técnico que nunca escondeu gostar de jogar com pontas rápidos, em profundidade. No entanto, seu ataque titular só conta com um jogador que tem essa característica: Marcos Guilherme. Cueva e Diego Souza não têm tanta velocidade, assim como Nenê, responsável pela armação da equipe, mas os experientes jogadores trocaram passes com muita qualidade e criaram juntos mais jogadas perigosas do que o rival no primeiro tempo.

Diferente do que era esperado, Cueva jogou mais centralizado, e Diego Souza flutuava entre o meio da área e a ponta direita. Numa dessas movimentações, Nenê lançou por cima da defesa santista, e o camisa nove quase marcou.

O Santos, recuado, assistiu o adversário jogar em boa parte da primeira etapa. Lembrou em alguns momentos o Botafogo, que foi comandado pelo próprio Jair Ventura, esperando por uma bola para vencer. Porém, o técnico do clube da Vila Belmiro possui hoje um elenco muito mais qualificado do que na época, principalmente no ataque, com Eduardo Sasha, Copete e Gabriel.

Os três jogadores estiveram muito longe um dos outros nos primeiros 45 minutos. O próprio Gabriel falou sobre isso ao sair para o intervalo. “A bola chega em profundidade para mim, mas estou sozinho, sempre com três ou quatro [marcadores]. Precisamos encostar mais um nos outros”, disse.

O pedido do atacante foi atendido na volta para o segundo tempo. Em jogada na linha de fundo, Sasha teve calma, levantou a cabeça e rolou para o camisa dez santista, que da entrada da área bateu rasteiro no canto do goleiro Sidão, aos 8 min.

O São Paulo, melhor até então, se perdeu com o gol sofrido. Dorival tentou dar um novo ânimo com a entrada de Valdivia no lugar Marcos Guilherme, mas o Santos se fechou mais ainda e passou a explorar os contra-ataques. Resultado final, vitória do Santos por 1 a 0.

O clube tricolor agora volta a jogar na quarta-feira (21), às 21h45, contra o Ituano, em Itu, em partida atrasada da sétima rodada do Campeonato Paulista. Depois, enfrenta a Ferroviária no domingo (25), às 17h

Já o Santos volta a campo no domingo, na Vila Belmiro, contra o Santo André, às 19h30.

DUELO EM FAMÍLIA

Ídolo como jogador, o agora diretor executivo do São Paulo, Raí, teve um confronto bem particular neste domingo. Do outro lado, o homem forte do futebol do Santos é Gustavo Vieira de Oliveira, filho do ex-jogador Sócrates (1954-2011), seu irmão.

Em comum, fora o laço familiar, tio e sobrinho possuem ligações afetivas com os clubes que defendem profissionalmente. Raí fez história com a camisa do tricolor, com a qual venceu duas Libertadores (1992 e 1993) e um Mundial Interclubes (1992). Já Gustavo trabalha para o time que seu pai torcia antes de se tornar ídolo corintiano. Sócrates era torcedor da equipe da Vila Belmiro, grande fã de Pelé.

 
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