Descrição de chapéu Campeonato Paulista

Fichas de Leônidas e Pelé a Ceni lembram Paulistas que deixaram saudade

Arquivo da Federação Paulista tem registros de ex-jogadores que atuaram no Estadual

Ficha de craques que marcaram a história do Campeonato Paulista Adriano Vizoni/Folhapress

Bruno Rodrigues Toni Assis
São Paulo

Começou neste sábado (19) a 118ª edição do Campeonato Paulista, o torneio de futebol mais antigo do Brasil, em que a história foi e continua sendo escrita com os pés de seus principais protagonistas: os jogadores.

Organizadora da competição desde 1941, a Federação Paulista de Futebol (FPF) preserva em seus arquivos uma parte preciosa dessa história.

A Folha teve acesso aos registros dos atletas da FPF, que guarda as fichas de inscrição de grandes figuras do futebol paulista, ícones dos grandes do estado: Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo.

Entre as mais antigas está a ficha de Leônidas da Silva, o Diamante Negro, ídolo são-paulino da década de 1940 e considerado o maior jogador brasileiro antes de Pelé.

Seu registro na federação data de 28 de abril de 1942. 

Um ano depois, Leônidas venceu o Estadual. Título que conquistou outras quatro vezes—1945, 1946, 1948 e 1949.

O documento de registro de Pelé mostra uma foto de Edson Arantes do Nascimento ainda menino. A data de inscrição é 8 de agosto de 1956.

A ficha da FPF seria mais um documento a registrá-lo como Edson, sem a letra “i”, diferentemente de sua certidão de nascimento emitida em Três Corações, Minas Gerais, onde está Edison. A mesma certidão também publica sua data de nascimento como 21 de outubro de 1940, ao contrário da ficha da federação, que indica o dia 23 de outubro.

Curioso, pois no mesmo registro da FPF, o campo “Observações” diz que o primeiro documento apresentado pelo Rei do Futebol para formalizar sua condição de jogador do Santos perante a federação foi, justamente, sua certidão de nascimento.

 

Edson Arantes do Nascimento levantou dez taças do Estadual com o clube: 1958, 1960, 1961, 1962, 1964, 1965, 1967, 1968, 1969 e 1973.

Outros tempos, nos quais o Campeonato Paulista era a conquista mais almejada pelos atletas que defendiam as equipes do estado.

“Fazíamos excursões para o exterior, mas quando voltávamos, queríamos mesmo era viajar e jogar pelo interior. Os estádios estavam sempre cheios para ver o Santos”, lembra Pepe, o segundo maior artilheiro do Santos com 403 gols, atrás apenas de Pelé.

José Macia, que tinha o mesmo nome do pai e ostentava um elegante bigode na foto de seu registro na FPF, conquistou 12 Paulistas pelo alvinegro praiano, 11 como jogador, entre as décadas de 1950 e 1960,  e um como técnico, em 1973.

O mais especial para ele foi o de 1955, edição na qual marcou o gol do título sobre o Taubaté. “Meu pai, o seu Macia, tinha um bar na época. Ele liberou bebida para todo mundo. Aí todo mundo ficou tomando guaraná de graça”.

O único time capaz de frear a hegemonia santista nos anos 60 foi o Palmeiras, com a equipe que entrou para a história como Academia.

Em campo estava um ainda jovem Ademir da Guia, com ficha de inscrição entregue à Federação Paulista de Futebol no dia 29 de agosto de 1961. Consagrado com a camisa 10 do Palmeiras, ele lembra desse dia como se fosse hoje.

“Essa ficha foi quando fiz o primeiro contrato com o Palmeiras”, recorda o ex-jogador, campeão estadual em 1963, 1966, 1972, 1974 e 1976.

 

Para o ídolo palmeirense, o Paulista de hoje não perdeu em qualidade de jogo, mas foi relegado a um segundo plano no cenário nacional.

“Nós jogávamos seis meses de Paulista e seis meses de Brasileiro. Hoje a gente vê o Paulista em três meses só. O campeonato foi perdendo espaço”, opina o ex-meia.

Entre os saudosistas do antigo Estadual está um ex-atacante campeão por São Paulo e Santos. Maior goleador da história do clube do Morumbi com 242 gols, Serginho Chulapa, 65, sente falta dos grandes clássicos com estádio lotado.

“O Paulista já foi mais romântico. Disputei clássicos com casa cheia, 120 mil, 80 mil pessoas. Era um campeonato muito duro. Tinha Ponte Preta, Guarani, Botafogo, Comercial. Hoje jogam com 40 mil pessoas e acham que é bom público”, afirma o centroavante, campeão em 1975, 1980 e 1981 com o São Paulo e em 1984 com o Santos, seu time do coração.

“Foi graças ao Paulista que me destaquei no São Paulo. Quase fui para a Copa de 78 e depois disputei a de 82. A visibilidade era outra”, completa.

Campeão do mundo em 1970 com a seleção, Rivellino, 73, não conquistou nenhum título paulista. Mas se recorda com carinho da competição.

“Você ganhava o Paulista no interior, porque o interior era muito forte. Tinha qualidade técnica”, diz o ex-corintiano.

Sua ficha de jogador foi registrada em 19 de agosto de 1964. Então com 18 anos, já ostentava na foto 3x4 um volumoso bigode.

Dos confrontos regionais, o corintiano lembra de um encontro com Pelé, que mais tarde seria seu colega na seleção.

“Foi num Santos e Corinthians de 1965 (primeiro Paulista de Rivellino). Pelé trombou comigo na área, ele fortão e eu magrinho, e o juiz deu pênalti. Até chorei depois”, conta. 

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