Descrição de chapéu Incêndio no CT do Flamengo

Justiça do Rio proíbe entrada de crianças e adolescentes em CT do Flamengo

Decisão foi do juiz Pedro Henrique Alvez, da 1ª Vara da Infância, da Juventude e do Idoso

Na academia do CT, jogadores do time profissional do Flamengo prestam homenagem às vítimas do incêndio
Na academia do CT, jogadores do time profissional do Flamengo prestam homenagem às vítimas do incêndio - Alexandre Vidal/Reuters
Lucas Vettorazzo
Rio de Janeiro

A Justiça do Rio de Janeiro informou ao Flamengo nesta quarta-feira (13) a proibição da entrada e permanência de crianças e adolescentes no CT Ninho do Urubu, do Flamengo, incendiado na última sexta-feira (8).

A decisão foi do juiz Pedro Henrique Alves, da 1ª Vara da Infância, da Juventude e do Idoso. Em caso de descumprimento da decisão, o clube carioca será multado em R$ 10 milhões. As atividades da base rubro-negra estão suspensas desde o incidente que vitimou 10 atletas.

Também nesta quarta, o Flamengo suspendeu temporariamente o pernoite de atletas profissionais no Ninho do Urubu, em Vargem Grande, zona oeste do Rio.

De acordo com o clube, a concentração no CT está suspensa até que as autoridades divulguem os resultados e exigências de uma vistoria conjunta entre Ministério Público, Bombeiros, prefeitura e Polícia Civil ocorrida na terça-feira (12) no local. Os órgãos envolvidos divulgarão suas conclusões na próxima sexta-feira (16).

Até lá, os jogadores do time profissional que estão concentrados para a semifinal da Taça Guanabara contra o Fluminense irão dormir no hotel Windsor, na Barra da Tijuca, também na zona oeste. O jogo, que seria realizado no último domingo (10) mas foi cancelado em razão da tragédia, ocorrerá na quinta (14), às 20h30, no estádio do Maracanã.

O clube continua utilizando as instalações do CT para treinos, apesar de o local funcionar sem alvará da Prefeitura do Rio há cerca de um ano. Os jogadores fizeram musculação no último domingo (10) no local e treinaram com bola na terça e na manhã desta quarta (13).

O incêndio que matou dez jogadores menores de idade atingiu uma estrutura de contêiner que servia de dormitório para atletas da base cujas famílias moravam fora do Rio. A principal linha de investigação é que um curto no ar-condicionado tenha sido a causa do fogo no dormitório, que ficou totalmente destruído.

Segundo documentos da prefeitura, no plano de reforma do CT encaminhado pelo Flamengo ao município, o clube indicou a área em que os jovens dormiam como um futuro estacionamento.

Cinco funcionários do clube foram intimados a prestar depoimentos na terça e nesta quarta. A empresa que faz a construção e montagem da estrutura de contêiner também foi chamada a dar explicações, assim como a concessionária de luz da cidade, já que moradores da região relataram diversos picos e quedas de energia um dia antes do incêndio.

O primeiro dos três atletas feridos a ter alta foi Cauan Emanuel, 14, que deixou na segunda-feira (11) o hospital particular Vitória, na Barra da Tijuca, zona oeste, pago pelo clube. Permanece na mesma unidade o jovem Francisco Dyogo, 15. Ele deixou a o CTI (Centro de Tratamento Intensivo) nesta quarta e seguiu para um quarto onde se recupera. A previsão é que ele tenha alta nos próximos dias.

Já o atleta Jhonata Ventura, internado no hospital municipal Pedro II, teve "melhora importante das lesões em vias aéreas", segundo boletim divulgado nesta quarta. O rapaz teve 30% do corpo queimado por conta das chamas e é o sobrevivente que ficou em estado mais grave do caso.

Ele segue internado no CTI do centro de tratamento de queimados da unidade, mas tem evoluído, segundo o hospital, para a retirada do respirador. Ainda não há previsão de alta.

​Todos parentes dos jovens que morreram no incêndio e que foram ao Rio para cumprir as burocracias de traslado dos corpos já voltaram para seus estados de origem. Permanecem no Rio, com despesas pagas pelo Flamengo, somente os familiares dos meninos que permanecem internados.

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