VAR estreia no Paulista, muda 2 decisões e não cessa queixas

Utilizado em dois jogos das quartas, sistema é questionado pelo Palmeiras

O árbitro Raphael Claus, no jogo entre Palmeiras e Novorizontino, observa lance no VAR, durante partida valida pelas quartas de final (ida), do Campeonato Paulista, Série A1, no Estádio Jorge Ismael de Biasi.
O árbitro Raphael Claus, no jogo entre Palmeiras e Novorizontino, observa lance no VAR, durante partida valida pelas quartas de final (ida), do Campeonato Paulista, Série A1, no Estádio Jorge Ismael de Biasi. - Cesar Greco/Fotoarena/Agência O Globo
João Gabriel
São Paulo

​Estreante no Campeonato Paulista, o árbitro de vídeo (VAR) foi utilizado para mudar decisões em duas das quatro partidas de ida das quartas de final.

A média de uso do VAR foi maior do que a registrada na Copa-2018, na Rússia, primeiro Mundial em que a tecnologia foi utilizada. No torneio da Fifa, houve uma interferência do VAR a cada três jogos que foram disputados.

Em jogos com o árbitro de vídeo, a comunicação entre a equipe que segue a partida pela televisão – com seis auxiliares –e o juiz de campo é constante. Só é considerada a intervenção, porém, quando o árbitro faz o gesto oficial do VAR com os braços.

Em decisões sobre jogadas em que não há interpretação –casos de impedimento ou decisão se a falta foi fora ou dentro da área– o auxiliar do VAR pode pedir uma mudança sem que o juiz do campo reveja o lance na TV.

Na estreia da tecnologia, o não uso dela pelo juiz de campo foi o motivo da maior polêmica. Aconteceu no empate entre Novorizontino e Palmeiras, no sábado (23), no gol do time de interior. 

Os jogadores do Palmeiras reclamaram de um toque de mão de Murilo Henrique, no início do lance. Após a comemoração, o árbitro Raphael Claus colocou as mãos no ouvido e se comunicou com o VAR. O diálogo foi mostrado na TV por cerca de 10 segundos até o gol ser confirmado, com o reinício da partida.

"Qual o motivo de ele não ter ido lá ver o monitor dele? [...] em lances de dúvida o árbitro tem toda a autonomia para ir lá verificar", reclamou Fernando Prass.

Só quem pode definir pela consulta ao monitor é o juiz.

O clube alviverde postou nas suas redes sociais um vídeo de um ângulo em que parece que a bola bate na mão do jogador do Novorizontino. Após a partida, a Federação Paulista de Futebol publicou na sua conta do Twitter uma imagem de outro ângulo em que não é possível ver o toque de mão.

Responsável pela implementação do sistema, Ednilson Corona, presidente da Comissão de Arbitragem da federação, afirmou que prega aos árbitros que não "se apaixonem pela primeira imagem". "Se viu uma, vá atrás de outra, com outro ângulo", afirmou, ao defender que a decisão de Claus foi correta.

O Palmeiras afirmou que a federação "defende o indefensável" e chamou o torneio de "Paulistinha". O clube e a entidade estão rompidos desde a final do Estadual de 2018. Os palmeirenses dizem ter sido prejudicados pela arbitragem na final daquele ano. 

Segundo o ex-árbitro Salvio Spinola, a imagem exibida após a partida "é conclusiva de que a bola não bateu no braço, não requer interpretação, não precisa o árbitro fazer nenhuma análise [no monitor]".

Nem sempre o uso do monitor à beira do campo é necessário para que se mude uma decisão tomada em campo. No caso do gol de Diego Pituca, do Santos, contra o Red Bull Brasil, o árbitro Douglas Marques das Flores anulou o lance por impedimento apenas com as considerações feitas pela equipe do VAR.

Na ocasião, cerca de 10 segundos se passam entre o fim da comemoração do gol e o momento em que o árbitro anuncia que ele foi invalidado, após diálogo com os auxiliares que viram a jogada na sala de vídeo.

Neste domingo (24), a partida entre São Paulo e Ituano chegou a ficar paralisada por cerca de dois minutos após uma reclamação de pênalti para os donos da casa. Após se comunicar com seus assistentes, o juiz Jose Claudio Rocha Filho não marcou nada.

Mais tarde, no mesmo jogo, o Ituano teve um gol anulado por impedimento. Dessa vez, o juiz marcou a irregularidade antes de conclusão do lance e, caso a marcação estivesse equivocada, ele não poderia voltar atrás.

 

No último jogo das quartas de final, o VAR não foi acionado. O empate, por 1 a 1, entre Ferroviária e Corinthians não teve lance polêmico ou consulta.

VAR do Paulista tem um terço de câmeras da Copa

Todo o sistema do VAR do Estadual é abastecido com as câmeras da emissora, detentora dos direitos de televisão do torneio.

São de 9 a 11 câmeras utilizadas nos jogos de ida das quartas de final. Na Copa do Mundo de 2018, por exemplo, as partidas tiveram pelo menos 33 câmeras disponíveis por jogo.

Para Salvio Spinola, oito câmeras são suficientes para para que seja feita uma boa revisão dos lances pelo VAR. "Muitas câmeras atrapalham a análise e poluem o monitor", afirma.

Na Copa do Mundo, segundo levantamento da Folha, o VAR foi acionado 24 vezes. Em 17 ocasiões, houve revisão de lances na beira do gramado. Em outras sete, o juiz de campo recebeu a orientação de mudar uma decisão já tomada. Em média, houve uma intervenção a cada três jogos no torneio, que teve um total de 64 partidas.

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