Descrição de chapéu Copa do Mundo

Novidade, VAR tem onda na 1ª fase, some em mata-mata e reaparece na final

Em lance interpretativo, juiz apitou pênalti para França após ver o vídeo

Fábio Aleixo Raphael Hernandes Amanda Lemos
Moscou e São Paulo

Utilizado pela primeira vez na Copa do Mundo da Rússia, o VAR (árbitro assistente de vídeo) teve uma onda na primeira fase, adormeceu nos mata-matas e reapareceu na finalíssima deste domingo (15).

Foi com o uso do monitor à beira do campo que o argentino Néstor Pitana apitou pênalti a favor da França aos 38 minutos do primeiro tempo, após a bola bater no braço de Perisic em um cruzamento na área. O jogo estava 1 a 1.

Em um primeiro momento, o juiz nada marcou, mas foi alertado pelo árbitro assistente de vídeo, o italiano Massimiliano Irrati, de uma sala no centro internacional de transmissões em Moscou.

O argentino optou por rever as imagens, fez isso mais de uma vez, viu o braço aberto do lateral croata e, pela sua interpretação, decidiu que justificava a marcação do pênalti.

Este lance foi o 26º em que houve revisão com o VAR no Mundial, destes, o 15º em que houve alteração na marcação inicial, segundo levantamento feito pela Folha. Antes da decisão, a Fifa falava em apenas 19 lances e 16 alterações.

Néstor Pitana, 43, verifica lance de pênalti para França no primeiro tempo da final no estádio Lujniki, em Moscou
Néstor Pitana, 43, verifica lance de pênalti para França no primeiro tempo da final no estádio Lujniki, em Moscou - Adrian Dennis/AFP

“Em uma final de Copa do Mundo não se dá um pênalti como este. Mas não tenho nada contra o juiz. É meu jeito de pensar e o respeito e acredito que ele agiu de forma justa”, disse o técnico Zlatko Dalic.

“O VAR é bom quando é a seu favor, e ruim quando é contra”, afirmou antes de pedir a palavra de volta na entrevista coletiva. “O VAR faz bem para o futebol”.

Das 15 alterações, 13 ocorreram após revisão das imagens e 2 foram feitas seguindo apenas a recomendação dos auxiliares da cabine de vídeo.

Este segundo caso se aplica apenas a lances não interpretativos, para avaliar, por exemplo, se uma bola saiu ou não de campo antes do gol ou se uma falta ocorreu dentro ou fora da área.

De acordo com a Fifa, uma análise completa do VAR levou em média 79,6 segundos. Porém nem durante todo este tempo a bola esteve parada.

Após a fase de grupos, a entidade falava em apenas 38 segundos perdidos em média por jogo com a revisão.

Depois de ser acionado por 23 vezes em 48 partidas da etapa inicial, o VAR só foi usado três vezes em todos os 16 jogos do mata-mata.

E seu uso agradou ao presidente da Fifa, Gianni Infantino. Ele foi um dos que mais batalhou pela ideia e aprovação pela IFAB (International Football Board), órgão responsável pelas regras do futebol.

“O VAR dá a possibilidade de checar duas vezes. Nas decisões claras não há interpretação. O gol em impedimento está finalizado. Não veremos mais um gol marcado em impedimento na era do VAR. Ou você está impedido ou não. As decisões são mais claras. Tivemos zero cartões vermelhos por violência”, afirmou.

“Agora todos sabem que o que você fizer, uma câmera vai pegar. Foi uma competição muito mais justa graças ao VAR” disse o cartola, em entrevista na última sexta-feira.

Ao longo de toda a primeira fase, a Fifa se manteve em silêncio em relação a todas as questões relacionadas ao VAR.

Apenas após os 48 jogos iniciais realizou um briefing para dar informações. Um dos lances que mais gerou discussão, contestação e até uma carta oficial à entidade por parte da CBF foi o gol de empate da Suíça sobre o Brasil na primeira rodada. Havia queixa de falta de Zuber em Miranda.

Áudio revelado depois pela Fifa mostrava que houve uma comunicação ao árbitro César Ramos falando em “empurrão muito leve”.

A Fifa também afirmou durante o Mundial que o uso do VAR não evitará polêmicas, mas que erros graves não acontecerão mais. “É sabido que ainda haverá discussões e opiniões divididas envolvendo certas decisões”, disse a entidade, em nota oficial.

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