VAR estreia no Brasileiro com nove mudanças de marcação

Árbitros recorrem oficialmente à tecnologia em 6 dos 10 jogos da primeira rodada

João Gabriel
São Paulo

O árbitro assistente de vídeo (VAR) está cada vez mais integrado ao futebol. Neste final de semana, fez sua estreia no Campeonato Brasileiro e foi utilizado oficialmente em 60% das partidas.

O saldo foi de nove alterações nas decisões originais: três pênaltis anulados e dois marcados, dois gols cancelados e um validado e uma expulsão após as análises.

A partida que mais usou a ferramenta foi a derrota do Fluminense para o Goiás por 1 a 0, neste domingo (28). Dewson Freitas anulou um pênalti inicialmente marcado para os donos da casa, após recorrer ao monitor à beira do gramado. Minutos depois, fez nova consulta para assinalar pênalti antes não marcado.

Por falta de energia, o jogo ficou suspenso por cerca de 20 minutos antes da cobrança, desperdiçada.

O árbitro Luiz Flávio de Oliveira confere monitor do VAR  durante  partida válida pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro 2019, na Arena da Baixada, em Curitiba, neste domingo (28)
O árbitro Luiz Flávio de Oliveira confere monitor do VAR durante partida válida pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro 2019, na Arena da Baixada, em Curitiba, neste domingo (28) - Geraldo Bubniak/AGB/Agência O Globo

Na segunda etapa, Dewson viu impedimento por interferência em gol do Fluminense após ir à cabine. Só depois desse lance o Goiás fez o gol da vitória.

Contando a conversa para confirmar irregularidade em um gol do Goiás, no primeiro tempo, o jogo ficou mais dez minutos parado. No total, foram 14 minutos de acréscimo.

Mais cedo, a goleada do Athletico-PR por 4 a 1 sobre o Vasco poderia ter sido maior se o árbitro Luiz Flávio de Oliveira não tivesse voltado atrás em pênalti marcado para os paranaenses.

Em outra goleada, 4 a 0 do Ceará sobre o CSA, quando os jogadores já estavam a postos para cobrança de pênalti para os cearenses, Adriano Milczvski pediu para rever a infração e alterou sua marcação. Depois, ele mudou cartão dado ao goleiro João Paulo por falta fora da área de amarelo para vermelho.

Neste ano, o Brasileiro adotou as novas orientações da International Board (Ifab, entidade maior em arbitragem) que alteram, por exemplo, o conceito de mão na bola.

No sábado (27), o Atlético-MG venceu o Avaí por 2 a 1, mas o resultado poderia ter sido outro caso não houvesse o VAR ou o novo regimento.

No que seria o segundo gol do Avaí, em bola cruzada na área, Betão tocou para o fundo das redes e o juiz Rodolpho Toski assinalou gol. Após mais de dois minutos de comunicação, o árbitro anulou o lance por entender que o desvio foi com a mão.

Mesmo tendo sido um toque involuntário, a nova regra diz que deve ser dada a falta nesse tipo de lance. Toski confiou a decisão à equipe do VAR. Betão ficou revoltado, já que, segundo ele, a bola não bateu em seu braço.

No primeiro gol do Avaí, após a finalização de Brizuela, o atacante acertou a sola da chuteira no goleiro Victor. Inicialmente, o árbitro assinalou impedimento e parou o jogo para atendimento médico. Ele conversou com os assistentes da sala do VAR e, com mais de três minutos de jogo parado, validou o gol.

Também no sábado, o primeiro gol da vitória da Chapecoense por 2 a 0 sobre o Internacional foi marcado de pênalti, após Raphael Claus consultar o monitor e ver toque de mão. A partida ficou parada por mais de dois minutos.

No domingo, quando Bahia e Corinthians empatavam em 0 a 0, Wilson Pereira Sampaio usou o monitor para confirmar a não marcação de pênalti para os baianos.

Na vitória do Santos sobre o Grêmio por 2 a 1, a equipe de vídeo avalizou para Breno de Araújo a anulação do gol do gremista André por impedimento. Mas esse caso não configura revisão oficial, que só acontece quando o árbitro faz o sinal previsto (desenha um retângulo imaginário).

Em geral, houve poucas reclamações de atletas, técnicos e dirigentes sobre o VAR. As principais foram pelos lances de Fluminense e Goiás.

Além dos lances de mão, as novas recomendações da Ifab dizem que o time que cobra uma falta não pode colocar jogadores em meio à barreira rival. Precisam ficar a  menos um metro de distância.

A partir de agora, o tiro de meta pode ser cobrado para dentro da própria área e o árbitro pode dar cartão amarelo e vermelho para integrantes da comissão técnica.

Torneio começa com alta média de gols

Assim como em 2017, foram marcados 33 gols nesta primeira rodada. Número é o segundo maior no formato com 20 clubes, atrás do ano de 2007.

2019 - média de 3,3
2018 - média de 2,7
2017 - média de 3,3
2016 - média de 1,4
2015 - média e 2,8
2014 - média de 1,6
2013 - média de 2,6
2012 - média de 2,0
2011 - média de 2,4
2010 - média de 2,7
2009 - média de 2,5
2008 - média de 2,6
2007 - média de 3,9
2006 - média de 1,8

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