Em outro patamar, Ceni encontra o São Paulo do mesmo jeito que deixou

Técnico saiu da equipe com 50% de aproveitamento, número similar à media de seus sucessores

São Paulo

No seu primeiro confronto contra o único clube que atuou como jogador, o técnico do Fortaleza, Rogério Ceni, encontrará um São Paulo parecido com o que deixou quando foi demitido em 2017.

Desde então, o clube segue sem ganhar títulos, faz campanhas vacilantes e não consegue aproveitamento muito superior a 50% dos pontos disputados —índice que o time atingiu com Ceni técnico.

A carreira do ex-goleiro, porém, só evoluiu desde que deixou o clube paulista. Com estabilidade no Fortaleza, conquistou o Campeonato Brasileiro da Série B e colocou o time cearense novamente na elite do futebol nacional.

Em 2019, voltou a dar a volta olímpica. Venceu o Estadual em cima do maior rival, o Ceará. Em 79 jogos no comando do Fortaleza, venceu 46 partidas, empatou 15 vezes e sofreu 18 derrotas, com um aproveitamento de 64,5%. 

Rogério Ceni já está há mais de um ano no comando técnico do Fortaleza 
Rogério Ceni já está há mais de um ano no comando técnico do Fortaleza  - Mauro Pimentel/AFP

Valorizado, recebeu uma proposta do Atlético-MG, mas preferiu seguir em Fortaleza.

Desde a saída do ídolo, o São Paulo teve cinco técnicos. Somando as performances de Dorival Júnior, Diego Aguirre, André Jardine e ainda as nove partidas de Vágner Mancini até a chegada de Cuca, o aproveitamento do time foi de 50,46%.

Substituto de Ceni, Dorival Júnior conseguiu tirar a equipe do rebaixamento no Brasileiro, mas não chegou ao fim do Paulista do ano seguinte e obteve aproveitamento de 51,67%.

O uruguaio Diego Aguirre veio na sequência e foi o que teve melhor aproveitamento entre os que vieram depois da era Ceni: 55,83%. Sob seu comando, a equipe liderou oito rodadas do Brasileiro, mas a queda de rendimento na reta final da competição custou o seu emprego antes mesmo do fim do Nacional.

Já vislumbrando o ano de 2019, a diretoria bancou André Jardine levando em conta seu retrospecto na base, em Cotia. No entanto, a eliminação ainda na fase de grupos da Libertadores derrubou o jovem treinador ainda na metade de fevereiro. Sua performance foi de de 33,3%.

A eliminação do principal torneio deu origem a uma crise política no Morumbi e o planejamento teve de ser revisto às pressas. Cuca acabou contratado mesmo em tratamento cardiológico e coube ao coordenador técnico Vágner Mancini assumir a equipe até liberação do treinador. Neste curto período de nove jogos, seu aproveitamento foi de 48,15%.

Especial para o torcedor, o encontro deste domingo (11) é tratado como mais um jogo pela direção do clube, que não prevê afagos antes da disputa no Castelão. Para a partida diante do Fortaleza, nenhum tipo de homenagem para o ex-ídolo foi preparada.

De acordo com a assessoria da presidência, um tributo a Rogério —que fez 1.237 jogos com a camisa do clube— está sendo feito pelas redes sociais e no site oficial do São Paulo. Foi postado um material contando a trajetória do ex-jogador no Morumbi, em que são mostrados os títulos que ele ganhou.

Ainda há entre Ceni e o atual presidente uma rusga. No CT da Barra Funda, o sentimento em relação ao ex-capitão é de respeito.

“O Rogério é um ídolo inquestionável. Um dos maiores jogadores da história do São Paulo. Mas quando a bola rolar temos que defender a nossa camisa”, disse Hudson.

O distanciamento do ex-jogador e o clube se deu após sua queda, em 2017, depois de derrota por 2 a 0 para o Flamengo na 11ª rodada do Brasileiro, quando o time entrou na zona de rebaixamento.

Demitido com sete meses na função de técnico, o ex-goleiro não gostou da forma como Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, o tratou.

Quando Ceni conquistou a Série B pelo Fortaleza, ele, sem citar Leco, cutucou o cartola. “Quem sabe um dia, depois de 2020 [quando termina o mandato de Leco no Morumbi] a gente volta a trabalhar no São Paulo. Agora não é o momento”, afirmou.


50%
foi o aproveitamento 
do São Paulo enquanto teve Ceni no comando da equipe

5
técnicos comandaram o clube desde que o ex-goleiro deixou a equipe em 2017. Dorival Júnior, Diego Aguirre, André Jardine, Vagner Mancini e Cuca

64,5%
é o aproveitamento do Fortaleza com Ceni de técnico: São 46 vitórias, 15 empates e 18 derrotas


FORTALEZA X SÃO PAULO
domingo (12), às 19h, no Castelão
Na TV: pay-per-view

 

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