Contra fiasco, Brasil busca voltar à semi da Copa América após 12 anos

Seleção vem de três eliminações precoces e enfrenta o Paraguai, algoz em duas

Marcos Guedes
Porto Alegre

Não foi sem vaias pelo caminho, mas a seleção brasileira cumpriu seu papel na primeira fase da Copa América que disputa em casa, classificando-se ao mata-mata com o primeiro lugar do Grupo A. Agora, tenta superar uma barreira que não conseguiu ultrapassar nas três últimas edições da competição.

A partir das 21h30 (de Brasília) desta quinta-feira (27), na Arena do Grêmio, em Porto Alegre, o Brasil vai enfrentar o Paraguai. A vitória vale vaga nas semifinais, uma etapa que o time verde-amarelo não alcança desde 2007, quando conquistou o torneio continental pela última vez.

De lá para cá, o desempenho foi decepcionante. Em 2011, na Argentina, e em 2015, no Chile, a campanha foi interrompida nas quartas de final, exatamente contra o Paraguai, com derrota nos pênaltis em ambas as ocasiões.

Jogadores da seleção brasileira durante treino nesta quarta (26) em Porto Alegre
Jogadores da seleção brasileira durante treino nesta quarta (26) em Porto Alegre - Henry Romero/Reuters

Em 2016, na edição extra que celebrava o centenário da disputa, nos Estados Unidos, a equipe não conseguiu nem mesmo sobreviver à primeira fase, o que custou o emprego do técnico Dunga.

Tite espera evitar o mesmo destino. Ainda que seja bancado pela direção da CBF até o Mundial de 2022, no Qatar, o treinador sabe que um fracasso precoce dentro de casa complicaria bastante sua sequência no comando do time verde-amarelo. Assim, trabalha para repetir a última atuação de seus comandados.

Na primeira fase, depois de vencer a Bolívia e empatar com a Venezuela sob vaias, a seleção se encontrou no confronto com o Peru e fez as pazes com a torcida. O triunfo por 5 a 0 no estádio de Itaquera, em São Paulo, fez crescer a confiança de que, enfim, a barreira das quartas de final será deixada para trás.

“Com certeza, é a partir desse jogo contra o Peru que a gente quer evoluir. Não faltou dedicação nos dois primeiros jogos, mas a equipe toda foi bem no terceiro, a gente acertou o que vinha faltando. Temos que pegar aquele desempenho como exemplo e continuar assim”, afirmou o meia Philippe Coutinho.

Apesar da disposição, a expectativa é de um jogo diferente na Arena do Grêmio. O Brasil tem se preparado para enfrentar um adversário bem mais fechado do que o Peru. E teme que o criticado gramado do estádio gaúcho atrapalhe a agilidade na troca de passes, necessária para quebrar a marcação.

Tite fez três visitas ao local para averiguar a situação do campo e não gostou do que viu, especialmente na região central. Mas o treinador sabe que as dificuldades com o terreno não lhe servirão de desculpa em caso de mais um fracasso da equipe nacional diante do Paraguai nas quartas de final.

A seleção verde-amarela entra em campo com amplo favoritismo, por jogar em casa, por ter jogadores mais qualificados e por ter construído uma campanha bem mais sólida até aqui. O Paraguai ainda não venceu e se classificou apenas como o segundo melhor terceiro colocado –teve dois empates e uma derrota.

Um desses empates, porém, foi diante da Argentina, um jogo que os paraguaios estiveram perto de ganhar. Ainda que os argentinos não estejam fazendo uma grande competição, o duelo competitivo com um rival de camisa forte é motivo de confiança para o técnico Eduardo Berizzo. E de respeito por parte dos brasileiros, que já aprenderam a não subestimar o Paraguai na Copa América.

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