Descrição de chapéu Seleção Brasileira

Brasil tropeça na Venezuela e no VAR e ouve gritos de 'olé' em Salvador

Seleção tem gols anulados por vídeo, é vaiada e fica no empate sem gols na segunda rodada da Copa América

João Pedro Pitombo
Salvador e São Paulo

Depois de vencer a Bolívia ouvindo vaias em sua estreia na Copa América, em São Paulo, o Brasil encarou a Venezuela com duas metas: obter a classificação antecipada às quartas de final e construir uma relação mais harmoniosa com a torcida. Nenhum dos objetivos foi alcançado na noite de terça-feira (18), em Salvador, e a seleção não conseguiu nada além de um empate por 0 a 0.

Com problemas na criação e dois gols anulados com o auxílio do VAR (árbitro assistente de vídeo), o time verde-amarelo enfrentou protestos firmes das arquibancadas na Fonte Nova. Antes mesmo do apito final, o público já explodia em vaias e gritava “olé” nos toques dos visitantes – fracasso retumbante no plano de uma “conexão” com a galera, palavra usada pelo capitão Daniel Alves.

“Ao meu modo de ver, não”, disse Thiago Silva, questionado se as críticas haviam sido merecidas. “A Venezuela não criou, toda segunda bola era nossa. Eles estavam fechados. A gente se precipitou em alguns momentos, mas acredito que, no todo, não fomos mal. Quando não se faz o gol, parece que está tudo errado”, acrescentou o zagueiro.

 
Lance da partida entra Brasil e Venezuela - Juan Mabromata - 19.jun.2019/AFP

O empate não tirou os anfitriões da competição da liderança do Grupo A, com os mesmos quatro pontos do Peru – seu adversário no sábado (22), em São Paulo, no estádio Itaquera. A Venezuela, que soma dois pontos e está viva na chave, enfrentará a zerada Bolívia, também no sábado, no Mineirão, em Belo Horizonte.

No início do jogo, a tal conexão com a torcida era positiva. Como havia ocorrido na estreia, o Brasil não começou mal, encaixando boas trocas de passes. O eficiente Arthur ditava o ritmo no meio-campo, e havia relativo sucesso na tentativa de desequilibrar a marcação da Venezuela, que se mostrava um adversário bem organizado.

Uma dessas jogadas iniciadas por Arthur acabou chegando a David Neres, que concluiu em boa condição, na área, mas sem precisão. Pouco depois, Richarlison ficou com a bola após saída errada dos visitantes, carregou até a entrada da área e bateu rasteiro, obrigando Fariñez a fazer a melhor defesa do primeiro tempo.

Esses dois lances ocorreram até os 17 minutos e, a rigor, foram as únicas oportunidades brasileiras até o intervalo. Logo em seguida, os venezuelanos tiveram sua única chance, usando sua arma mais perigosa: os cruzamentos para o forte centroavante Rondón. Ele ganhou de Marquinhos e errou por muito pouco.

Nesse momento, tal qual ocorrera contra a Bolívia, o bom momento inicial já tinha passado. A equipe grená conseguiu encaixar a marcação de maneira mais eficiente, e o Brasil passou a ter dificuldades. O time não ficou estático e buscou alternativas, porém a defesa levava vantagem na maior parte do tempo.

Roberto Firmino chegou a arrancar um grito de gol dos torcedores, mas o lance já havia sido parado por falta do atacante. Sem que a bola na rede fosse validada e ouvindo as primeiras vaias no intervalo, Tite decidiu colocar Gabriel Jesus, sacando do time Richarlison. Trocava a força física pela leveza.

Jesus entrou mesmo pela ponta esquerda, onde Richarlison havia terminado o primeiro tempo. Ele se mostrou boa opção e logo deu chute perigoso. Aos 15, bateu de fora e, após rebote de Firmino, recebeu de volta arrancou um grito de gol mais firme da torcida. Após revisão no vídeo, porém, o juiz apontou impedimento questionável de Firmino.

A ansiedade do público, que já estava alta, cresceu bastante. As arquibancadas não tinham aprovado a entrada de Fernandinho na vaga do amarelado Casemiro, pouco antes, e pediram “é Cebolinha”, referindo-se a Everton. Tite atendeu à solicitação e pôs em campo o atacante do Grêmio, que substituiu David Neres a 20 minutos do final.

A substituição até funcionou. Everton entrou muito bem e construiu uma ótima jogada pela esquerda, aos 42 minutos, no que parecia ter sido o gol da vitória brasileira em Salvador. Philippe Coutinho concluiu na pequena área, na sobra, mas a bola bateu no impedido Firmino antes de balançar a rede.

Philippe Coutinho comemora, precipitadamente, o que seria o gol da vitória do Brasil - Luisa Gonzalez/Reuters

O VAR entrou novamente em ação e informou ao juiz Julio Bascuñán sobre a irregularidade. A seleção ainda teve nove minutos de acréscimos, pelas paralisações para consulta de vídeo e pela cera feita pelos venezuelanos no final, tempo ainda assim insuficiente para que o tropeço fosse evitado.

A insatisfação do público teve seu auge nos instantes finais. Frustrada com a seleção, a torcida na Fonte Nova chegou a gritar “olé” para uma troca de passes da Venezuela, algo que não estava nos planos de Tite. As vaias não são exclusividade de São Paulo, aonde o time verde-amarelo retornará para decidir sua classificação contra o Peru.

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