Descrição de chapéu The New York Times

Aos 14 anos, filho de LeBron James lota ginásios quando joga

Jovem lida com curiosos e ouve provocações por seu pai ser o astro da NBA

Billy Witz
Nova York | The New York Times

Os rostos familiares do basquete universitário americano —Mike Krzyzewski, John Calipari, Roy Williams, Tom Izzo, Jay Wright e assim por diante— se reuniram na semana passada em um centro de recreação em North Augusta, Carolina do Sul, como fazem todos os anos na metade de julho, para avaliar os melhores talentos do basquete das escolas de segundo grau dos Estados Unidos.

Mas nenhum deles estava presente para o momento que mais atraiu público durante o torneio Peach Jam, na quadra cinco, uma semana atrás. Centenas de espectadores formaram fila por até três horas para assistir a um jogo entre meninos de 15 anos de idade ou menos. A multidão se espremeu nas arquibancadas de madeira e no mezanino —em uma massa compacta que atraiu a atenção dos bombeiros locais—, para um primeiro vislumbre de um jogador que ainda nem começou o segundo grau.

Mas ele tem um nome muito conhecido: LeBron James Jr.

"Bronny" James, filho do astro dos Los Angeles Lakers, LeBron James
"Bronny" James, filho do astro dos Los Angeles Lakers, LeBron James - Reprodução/Instagram

Se os treinadores universitários não pareciam ter pressa para ver o filho de LeBron James, conhecido pelo apelido "Bronny", outras pessoas mal podiam esperar.

Dezenas de torcedores se levantavam, com os celulares em mãos, a cada vez que o menino disparava um arremesso de três pontos. O jogo ganhou uma intensidade incomum até mesmo em meio às partidas de exibição usadas para estabelecer precedências entre os talentos adolescentes. O Team Final, de Filadélfia, venceu o Strive for Greatness, formado por Bronny e diversos outros jogadores da Califórnia, Arizona, Utah e Nevada, e a comemoração foi vigorosa a ponto de criar uma expectativa de chuva de confetes vinda das arquibancadas.

Nos segundos finais, Enai White, um ala de 1,96 metro que este ano fará a segunda série do segundo grau no Imhotep Institute Charter, em Filadélfia, ergueu os braços para incentivar os torcedores por trás do banco e obter aplausos ainda mais intensos.

"Foi uma loucura", disse Enai sobre a atmosfera. "Jamais vi algo parecido em um jogo 15-U AAU."

Ele abriu um sorriso.

"Eu não vou mentir," acrescentou. "Fez eu me sentir como uma pequena celebridade."

Se havia alguém no ginásio que parecia estar encarando o ambiente com normalidade era o jovem James. Aos 14 anos, ele era um dos jogadores mais jovens em quadra, mas em muitos momentos parecia ser o mais composto —passando a bola com calma para evitar a marcação, interferindo para separar uma briga que resultou em duas faltas técnicas e, em um de seus jogos, ouvindo com calma as provocações da torcida que o chamava de "filhinho de papai", ao se preparar para cobrar lances livres no minuto final da partida.

(Ele errou os dois lances livres. Isso acontece.)

 
"Bronny" James, filho do astro dos Los Angeles Lakers, LeBron James
Bronny, com 1,88 metro de altura, é parecido com o pai de muitas maneiras: o sorriso, as expressões faciais, o jeito de andar - Reprodução/Instagram

Paul Biancardi, analista de recrutamento da ESPN e ex-treinador de basquete universitário, disse que a postura de Bronny não é muito diferente da postura que o pai dele tinha, em sua época de fenômeno no basquete escolar.

"Ele foi ensinado pelo melhor do esporte", disse Biancardi, que era treinador assistente na Universidade Estadual do Ohio quando esta recrutou LeBron James.

Ainda que James pai não tenha comparecido, dois de seus bons amigos estavam lá: Chris Paul e Mike Miller, ex-colega de time de James; os dois viram os jogos de Bronny. Em um jogo, Paul estava sentado ao lado de Savannah, a mulher de James, e da jovem filha do casal, em um canto do ginásio que ficava perto de uma saída e parecia bem protegido por seguranças. A avó de Bronny e outros membros da família também estavam assistindo.

(Um dos jogos de Bronny no ano passado teve de ser encerrado por conta de um torcedor que estava provocando o menino. Isso também explica a presença de um segurança no banco do Strive for Greatness.)

"Ele foi bem preparado para isso —teve o melhor preparo possível", disse Miller. "Foi um esforço coletivo, de sua mãe, avó e toda a família."

Bronny, que segundo a ficha técnica tem 1,88 metro de altura, é parecido com o pai de muitas maneiras: o sorriso, as expressões faciais, o jeito de andar —e o mesmo pode ser dito sobre a predisposição a mais passar que concluir, o que pode ser definido como um traço em geral recessivo no mundo do basquete de raiz. Mas também existiam sinais de que ele é um jovem com personalidade própria, com seus cabelos coloridos e mais longos do que o pai já usou, a camisa número 0 (não o 6 ou 23 de seu pai), e a capacidade de fazer embaixadinhas com a bola de basquete.

Em sua órbita, Bronny é mais um jogador complementar que o dono do time. Ainda que ele tenha um jump shot mais refinado que o de seu pai em idade semelhante, suas capacidades físicas ainda ficam abaixo das de muitos jogadores da mesma idade.

James lamentou no ano passado ter dado seu nome ao filho mais velho, embora suas intenções fossem honradas. "Quando eu era pequeno, não tinha pai", ele disse em "The Shop", seu programa na HBO. "E assim eu sempre pensei que, quando tivesse um filho, ele não só seria o Júnior, mas eu faria por ele tudo que meu pai não fez por mim."

James não hesita em compartilhar histórias sobre seus filhos na mídia social, o que pode explicar os 2,7 milhões de seguidores de Bronny no Instagram.

Há outros herdeiros no torneio, que envolve jogadores de 15, 16 e 17 anos: Kenny Lofton Jr.; Jamal Mashburn Jr.; Larry Hughes Jr.; Adrian Griffin Jr.; e o neto de Jerry Jones, proprietário do Dallas Cowboys, da NFL. As carreiras deles são acompanhadas por observadores do basquete, que lotam os pequenos ginásios em que jogam, mas as plateias que assistem, ou tentam assistir, aos jogos de Bronny, são formadas por adolescentes, em sua maioria.

Quando os seguranças fecharam as portas do ginásio antes do último jogo de Bronny no torneio, Mark Abduo, 21, e os quatro jogadores de segundo grau que ele levou de carro de Pittsburgh para assistir ao torneio ficaram de fora. Eles ficaram sem almoçar e passaram três horas na fila para tentar ver o jogo.

"Bronny" James, filho do astro dos Los Angeles Lakers, LeBron James
LeBron pai não hesita em compartilhar histórias sobre o filho na mídia social, o que pode explicar os 2,7 milhões de Bronny Instagram - Reprodução/Instagram

"Eles precisam de um lugar maior", disse Abduo. "Nos próximos quatro anos, a atenção só vai crescer."

Isso parece garantido. Bronny este no começará na Sierra Canyon, uma escola privada em Chatsworth, Los Angeles, onde jogará com Zaire, o filho de Dwyane Wade, Scottie Pippen Jr. e Kelvin Martin Jr., no time de basquete.

No momento, desajeitado e ainda em desenvolvimento, Bronny parece um bom jogador entre atletas melhores, quando comparado aos seus pares.

"Um jogador para a Divisão I", disse Biancardi, seja na universidade Duke, seja na Duquesne. O treinador disse que o tempo decidirá, quanto a isso —sob os olhares de muita gente.

 The New York Times, tradução de Paulo Migliacci

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