Descrição de chapéu Copa do Mundo Feminina

Hegemonia de clube fez Lyon virar maior polo do futebol feminino

A equipe, base da seleção francesa, é hegemônica no futebol nacional e no europeu

Lucas Neves
Paris

O desavisado pode estranhar que o palco da final da Copa do Mundo feminina, neste domingo (7), não seja o Stade de France, na periferia de Paris, de longe a maior arena da França (80 mil lugares).

As norte-americanas, atuais campeãs, tampouco vão enfrentar a Holanda, sensação do torneio, na segunda maior casa do futebol do país-sede, o Vélodrome de Marselha.

Jogadoras do Lyon com o troféu da Champions League, o quarto consecutivo do time, conquistado em maio após vitória sobre o Barcelona na decisão
Jogadoras do Lyon com o troféu da Champions League, o quarto consecutivo do time, conquistado em maio após vitória sobre o Barcelona na decisão - Tobias Schwarz/AFP

Uma consulta ao retrospecto do time de mulheres do Lyon, porém, evidencia a razão de os organizadores terem escolhido a terceira maior cidade francesa como cenário dos lances decisivos do Mundial.

A equipe, que tem em seu elenco a norueguesa Ada Hegerberg, eleita a melhor jogadora do mundo em 2018, é hoje hegemônica no futebol nacional e também no europeu.

A formação conquistou em maio seu 13º título consecutivo da elite francesa. Na Champions League, são seis troféus (os último quatro seguidos).

A base da seleção francesa, que alcançou as quartas de final, tem no Lyon sua morada regular. Ali batem ponto as Bleues mais conhecidas, como a zagueira Wendie Renard, a atacante Eugénie Le Sommer e a meia Amandine Henry (carrasca do Brasil).

Nas equipes que disputaram as semifinais da Copa havia sete atletas que defendem ou já defenderam o time francês: uma holandesa, uma sueca, duas inglesas e três americanas, incluindo Alex Morgan e Megan Rapinoe.

O rolo compressor começou a tomar forma em 2004, quando o magnata da informática Jean-Michel Aulas decidiu replicar, em versão feminina, a fórmula que tinha levado os homens do Lyon a sete títulos franceses, de 2002 a 2008.

Comprou uma equipe local que havia sido tetracampeã nacional nos anos 1990, formalizou o status trabalhista de todas as jogadoras e ofereceu a elas acompanhamento médico e infraestrutura semelhantes aos dos homens.

Além disso, criou uma academia de formação, da qual saiu, por exemplo, a atacante Delphine Cascarino, 22.

A supremacia repercute fora de campo. O time feminino tem duas torcidas organizadas e um público puxado por famílias e jovens —perfil bem diferente do visto nos jogos da formação masculina.

Mas o prestígio ainda não se traduz em paridade de investimento e remuneração. O orçamento anual do clube gira em torno dos 280 milhões de euros. Desse montante, cerca de 8 milhões de euros são destinados à equipe de mulheres (menos de 3%).

“As jogadoras do Lyon têm um entrosamento que se assemelha à osmose”, diz a jornalista Dounia Mesli, fundadora do site Coeurs de Foot, sobre futebol feminino.

Segundo ela, alguns oponentes, como os ingleses Manchester United e Chelsea, começam a entender o “sistema Lyon” e podem ameaçar a hegemonia daqui a alguns anos.

“O que eu lamento é que as jogadoras [francesas] saibam se fazer respeitar quando defendem o clube, mas não na seleção. [O Lyon] deveria ser uma mola propulsora”, afirma Mesli, decepcionada com a queda diante dos EUA.

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