Desafiante no US Open, jovem tenista russo coleciona polêmicas

Daniil Medvedev, 23, chega embalado ao último Grand Slam do ano

Daniel E. de Castro
São Paulo

Há até pouco tempo, o tenista russo Daniil Medvedev, 23, poderia ser mais conhecido por episódios controversos nos quais se envolveu dentro de quadra do que pelos seus feitos esportivos.

Mas 2019 tem sido um ano de virada na carreira do atleta, que chega ao US Open, último Grand Slam da temporada, como grande aposta para desafiar os favoritos de sempre: o sérvio Novak Djokovic, 32, o espanhol Rafael Nadal, 33, e o suíço Roger Federer, 38.

O torneio em Nova York começa nesta segunda-feira (26) e terá transmissão a partir das 12h (de Brasília) em três canais: ESPN, ESPN 2 e SporTV 3.

Medvedev é o quinto colocado do ranking mundial (atrás do trio de veteranos e do austríaco Dominic Thiem, 25) graças principalmente ao bom desempenho que teve nos eventos que antecederam o Grand Slam americano.

Daniil Medvedev levanta os braços e comemora maior título da sua carreira, no Masters de Cincinnati, há uma semana
Daniil Medvedev comemora maior título da sua carreira, no Masters de Cincinnati, há uma semana - Matthew Stockman - 18.ago.19/AFP

Nas últimas semanas, ele chegou à decisão do Masters de Montreal, quando perdeu para Nadal, e sagrou-se campeão do torneio de mesmo nível em Cincinnati após bater Djokovic na semifinal.

Nenhum tenista acumula mais vitórias neste ano do que o russo, que ganhou 44 jogos até agora, três a mais do que o espanhol. Ele estreia no US Open nesta segunda, por volta das 13h30, contra o indiano Prajnesh Gunneswaran (89º colocado do ranking).

“Estou no meu melhor nível e posso ganhar de qualquer um”, disse, mas ponderou. “Antes de tudo, tenho que melhorar em partidas longas. Até aqui, não me saí bem em jogos de quatro ou cinco sets, então preciso de algumas vitórias para ficar mais confiante”.

Com exceção dos últimos meses, sua trajetória foi marcada por um processo lento de consolidação na elite. Da chegada ao top 100, no fim de 2016, até a entrada no grupo dos 20 melhores quase dois anos se passaram.

Já o número de polêmicas que ele protagonizou no período cresceu em ritmo acelerado. Há três anos, Medvedev foi desqualificado de um torneio de nível challenger nos Estados Unidos por uma atitude considerada racista.

Segundo comunicado divulgado na época pela federação americana, Medvedev insinuou que a juíza Sandy French favoreceu seu oponente, Donald Young, por ambos serem negros. Ele negou que essa tenha sido a intenção ao dizer que os dois eram amigos.

Em 2017, o tenista conquistou sua primeira vitória em um Grand Slam, contra o então número 3 do ranking, o suíço Stan Wawrinka, 34. Mas foi a atitude dele na partida seguinte, quando perdeu para o belga Ruben Bemelmans, 31, que teve mais repercussão.

Além de xingar a juíza Mariana Alves, Medvedev tirou moedas da bolsa de raquetes e as jogou na direção da portuguesa. O ato, que ele mesmo classificaria mais tarde como “estúpido”, lhe rendeu uma multa de US$ 14,5 mil (R$ 59 mil).

Medvedev durante entrevista após ter jogado moedas na direção da juíza de sua partida em Wimbledon
Medvedev durante entrevista após ter jogado moedas na direção da juíza de sua partida em Wimbledon - Joe Toth - 5.jul.17/AFP

Em março do ano passado, o tenista precisou ser contido pelo árbitro de cadeira após vencer o grego Stefanos Tsitsipas, 21, no Masters de Miami. De acordo Medvedev, o rival o chamou de “russo de merda” quando deixava a quadra.

“É uma criança que não sabe brigar. Se ele não fala nada, não tenho problema nenhum com ele. Mas, se ele fala algo para mim e quer brigar, então vamos fazer isso”, afirmou. Os dois voltaram a se enfrentar outras três vezes, sem grandes incidentes e com 100% de aproveitamento de Medvedev.

Recentemente, porém, o que tem chamado mais a atenção são as qualidades do tenista de 1,98 m. Ele tem o saque como um diferencial e, a despeito do seu tamanho, apresenta boa movimentação.

“Quando alguém dispara um segundo saque de 205 km/h, não faz muitas duplas faltas e é agressivo, você só tem que tirar o chapéu e parabenizá-lo”, disse Djokovic após a derrota em Cincinnati.

No US Open, Medvedev terá o desafio de cumprir as expectativas criadas pelos seus resultados, algo que já se mostrou difícil para outros jovens entre os primeiros do ranking.

Alexander Zverev, 22, e Karen Khachanov, 23, ainda não passaram das quartas de final em um Grand Slam. Tsitsipas foi quem se deu melhor até agora, após bater Roger Federer e chegar à semifinal do Australian Open deste ano. Mas depois perdeu cedo em Roland Garros e Wimbledon.

O russo, que nunca passou das oitavas de final em um torneio desse nível, terá como possível rival nas quartas em Nova York novamente Djokovic. Federer está do mesmo lado da chave e poderá cruzar com um deles nas semifinais. Já Nadal ficou no setor de Zverev, Tsitsipas e Thiem.

O único brasileiro no torneio de simples é Thiago Monteiro, 25, que ocupa a centésima posição do ranking. Nas duplas, os representantes são Marcelo Melo, Bruno Soares e Marcelo Demoliner.

Outros jogos do torneio para ver na 1ª rodada

Stefanos Tsitsipas (8º) x Andrey Rublev (47º)
O grego Tsitsipas, 21, e o russo Rublev, 21, têm algo além da idade em comum: ambos já derrotaram Roger Federer
Quando: terça (27), às 12h

Denis Shapovalov (38º) x Felix Auger-Aliassime (19º)
As jovens revelações canadenses Shapovalov, 20, e Aliassime, 19, são amigos e também se enfrentaram na primeira rodada do ano passado
Quando: terça (27), por volta das 17h

Aryna Sabalenka (9ª) x Victoria Azarenka (41ª)
Duelo de gerações entre duas tenistas de Belarus. Azarenka, 30, é bicampeã do Australian Open. Sabalenka, 21, tenta seguir seus passos
Quando: terça (27), às 20h

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