Praga danifica grama, e estádio da Copa-2014 não pode receber jogos

CBF suspende partidas na Arena Pantanal após empresa detectar ervas daninhas

Lázaro Borges
Cuiabá

Um dos estádios da Copa de 2014 está impossibilitado de receber partidas Série B, após determinação da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) da última semana. A Arena Pantanal, em Cuiabá, custou mais de R$ 670 milhões aos cofres públicos e foi sede de quatro jogos no Mundial. 

Uma praga que danificou o gramado do estádio foi responsável pelo adiamento do jogo entre Cuiabá e Coritiba pela Série B do Campeonato Brasileiro. A partida aconteceria nesta terça-feira (24). A agenda de jogos regionais no estádio está mantida, segundo o governo do Mato Grosso.

A suspensão dos jogos na Arena Pantanal foi determinada pela CBF na última sexta-feira (19). As duas próximas partidas do Cuiabá Esporte Clube, único time de Mato Grosso na Série B, estão classificadas como “a definir” e dependem da recuperação do gramado.

As falhas no gramado de Arena Pantanal, construído para a Copa-14, que levaram a CBF a suspender os jogos no estádio
As falhas no gramado de Arena Pantanal, construído para a Copa-14, que levaram a CBF a suspender os jogos no estádio - Chico Ferreira - 18.set.2019/F5

Uma empresa contratada pelo Cuiabá detectou a presença de ervas daninhas no campo e lançou herbicida sobre elas. O veneno matou também a grama, que demorou a se recuperar em razão do tempo seco na cidade.

Dirigentes se queixam do uso do estádio para partidas amadoras e acreditam que isso pode ter ocasionado o problema.

“Ninguém respeita o futebol profissional em Mato Grosso, foram feitos jogos de pelada um atrás do outro na Arena, como se aquilo fosse um campinho de bairro”, afirma Helmute Lawisch, presidente do Luverdense Esporte Clube, participante da série B no ano passado.

“Usaram o estádio de forma deliberada, havia jogos de manhã, de tarde e à noite”, diz Arley Silva, vice-presidente do Mixto Esporte Clube, que disputa o campeonato estadual.

Em nota, a Secel lamentou a decisão da CBF de suspender os jogos e informou que apenas 7% do gramado foi danificado. Segundo a secretaria, o gramado está melhor que o de outros estádios que recebem partidas da Série A do Brasileiro. A FMF (Federação Mato-Grossense de Futebol), co-responsável pela manutenção do campo, diz que há condições para receber partidas.

A federação local também citou que apenas quatro eventos não oficiais foram feitos no campo do estádio. A diretoria do Cuiabá Esporte Clube também foi procurada, mas não se manifestou até a publicação da reportagem. 

A CBF informou ainda que o governo estadual enviaria até esta quarta-feira (25) um cronograma de reforma do gramado. Sobre o argumento de que o gramado é melhor do que estádios da série A, a confederação reiterou que ele "não está habilitado a receber jogos da CBF".

A decisão da CBF vai tornar ainda mais inativa a arena, que recebe em média 4.800 torcedores por jogo desde a inauguração. Além do problema no gramado, acumula falhas estruturais desde a sua entrega, em 2014, para sediar a Copa do Mundo em Cuiabá.

Os sistemas de energia solar e de reutilização de água, por exemplo, nunca saíram do papel. O Ministério Público de Mato Grosso ingressou em 2016 com uma ação civil pública para determinar que a construtora faça todos os reparos. Até hoje as falhas não foram corrigidas.

A Secretaria Adjunta de Esporte e Lazer (Secel), responsável pela manutenção da Arena Pantanal, diz que os problemas foram causados pelo Consórcio Santa Bárbara, que construiu o estádio. A empresa, por sua vez, alega que a obra foi entregue corretamente e que a culpa pelas falhas é da administração.

Os sistemas de reutilização da água e de energia solar sempre foram lembrados como exemplos da “sustentabilidade” do estádio. Em 2010, o projeto da Arena Multiuso recebeu o prêmio Americas Property Award em 2010, concedido a empreendimentos públicos que respeitam o meio ambiente.

Um dos motivos pelo qual o Ministério Público ingressou com ação contra a construtora é porque as falhas impedem que o estádio seja certificado com o LEED (Leadership in Energy and Environmental Design).

O LEED é um atestado ambiental e sustentável previsto no contrato com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Sem o selo, o governo estadual pode pagar até R$ 50 mil de multa diária.

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