Jogador da Chape vai à Justiça após receber 11% de seguro da CBF

Para Neto, decisão não levou em consideração sequelas sofridas pelo atleta

Alex Sabino João Gabriel
São Paulo

Quase três anos após o acidente envolvendo o avião da Chapecoense, o zagueiro Neto, 34, recebeu o seguro de vida contratado pela CBF. Mas não no valor que esperava.

Pela apólice, o jogador, que ainda sofre sequelas do acidente e não voltou aos gramados, deveria receber o valor equivalente a 12 meses de salários na época do contrato (cerca de R$ 500 mil). A Prudential, empresa responsável pelo seguro, pagou R$ 55 mil, equivalente a 11,25% do total.

O avião da empresa boliviana LaMia, que transportava o elenco da Chapecoense para Medellín, na Colômbia, onde disputaria a final da Copa Sul-Americana daquele ano, caiu nos arredores da cidade antes do pouso, em 29 de novembro de 2016, matando 71 pessoas.

Com a família, Neto visita local do acidente com o avião da Chapecoense, em que foi um dos sobreviventes
Com a família, Neto visita local do acidente com o avião da Chapecoense, em que foi um dos sobreviventes - Joaquin Sarmiento-9.mai.17/AFP

Neto contesta a quantia e vai à Justiça. Segundo seu advogado, Marcel Camilo, a decisão não levou em consideração o acidente e seus agravantes, que tiraram seu cliente dos gramados e o comprometem profissionalmente até hoje.

A CBF afirma ter entrado em contato com a seguradora para apurar o caso. 

De acordo com a entidade, o seguro é feito de forma espontânea e igualitária para todos os jogadores e técnicos de futebol com contrato profissional ativo registrado junto à Confederação. O investimento é superior a R$ 1 milhão por ano e beneficia cerca de 12 mil jogadores e treinadores no país inteiro.

“Exames mostram as sequelas sofridas pelo Neto, que está se aproximando do final da carreira. Não voltou a jogar e não poderá mais ser um atleta de alto nível, o que ele era no momento do acidente. Nós esperávamos que fosse usado o mesmo critério do [Jackson] Follman [outro sobrevivente do acidente], que recebeu o seguro em menos tempo e no valor de 100% da apólice”, diz Camilo.

Caso seja confirmado que não haverá uma revisão, o advogado afirma que entrará com uma ação.

A apólice foi feita pela CBF com o Itaú com validade de um ano a partir de 1º de março de 2016. Meses depois, o Itaú vendeu a carteira de seguros feitos com a confederação para a Prudential.

Por isso, a assessoria da instituição financeira afirma não ter qualquer relação com o pagamento do sinistro e que o assunto tem de ser resolvido pela Prudential.

A seguradora afirma que o pagamento foi realizado com base no “laudo médico enviado pelo próprio segurado”. “Após perícia médica realizada pela Prudential, ficou confirmado o quadro de invalidez parcial decorrente do acidente, com redução funcional na coluna vertebral e no joelho direito”, explicou a companhia, por meio de sua assessoria.

Essa não é a única batalha judicial que Neto trava com uma seguradora. O jogador lidera o movimento que briga para receber a indenização pelo seguro da aeronave.

No final de setembro, ele e um grupo de viúvas dos jogadores foram a Londres protestar contra as multinacionais Aon, Tokio Marine Kiln e Bisa, que tinham contrato com a LaMia, dona do avião que caiu na Colômbia.

Nenhuma das famílias vítimas da tragédia recebeu a indenização prevista na apólice, e as companhias alegam que o contrato não cobria a região do acidente.

O seguro contratado pela CBF cobre os casos de morte e invalidez total e parcial. Desde a tragédia, Neto passou por cirurgias na coluna, pescoço e joelhos.

A seguradora diz que, em caso de discordância acerca do valor, “é facultado ao mesmo [segurado] solicitar a constituição da junta médica” para reavaliar o caso.

Existe ainda uma outra apólice de seguro de vida para Neto, esta contratada pela Chapecoense e de responsabilidade da Porto Seguro, que ainda está em fase de análise.

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