Ranking de transparência aprova só 20% das confederações

Entidade responsável pela vela no Brasil é a mais bem avaliada no Rating Integra

Carlos Petrocilo
São Paulo

Das 26 entidades olímpicas e paraolímpicas que se inscreveram na primeira edição do Rating Integra, apenas 5 (19,2%) foram aprovadas na lista divulgada nesta quarta (23) durante evento em São Paulo.

São elas: a Confederação Brasileira de Vela (CBVela), a Associação Nacional de Desportos para Deficientes, a Confederação Brasileira de Badminton, a Confederação Brasileira de Desportos na Neve e a Confederação Brasileira de Tênis de Mesa.

O Rating Integra, cujas bases foram lançadas em 2015 para orientar investimentos na área, é uma ferramenta idealizada pela organização Pacto pelo Esporte em parceria com o Instituto Ethos.

Da esquerda para a direita, Marco Aurélio de Sá Ribeiro, da CBVela; Artur Cruz, da Associação Nacional de Desportos para Deficientes; Pedro Cavazzoni, da Confederação Brasileira de Desportos na Neve; José Roberto Santini, da Confederação Brasileira de Badminton; Geraldo Ricardo Hruschka Campestrini, da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa.
Da esquerda para a direita, Marco Aurélio de Sá Ribeiro, da CBVela; Artur Cruz, da Associação Nacional de Desportos para Deficientes; Pedro Cavazzoni, da Confederação Brasileira de Desportos na Neve; José Roberto Santini, da Confederação Brasileira de Badminton; Geraldo Ricardo Hruschka Campestrini, da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa. - João Neto/Fotojump/Divulgação

O desempenho das entidades é apresentado para empresas que tenham planos de patrocinar a modalidade e estão inscritas no programa —atualmente são 32 possíveis investidoras.

A escolha de ser avaliada é da entidade esportiva, e aquelas que não são aprovadas não têm seus nomes divulgados pelos organizadores.

A plataforma avalia indicadores como governança e gestão, controles internos, riscos e conformidades, além de transparência.

As entidades receberam notas de 0 a 10. A maior foi dada à CBVela, 8,7.

Das 26 entidades que se inscreveram (existem mais de 40 filiadas aos comitês olímpico e paraolímpico), apenas 16 concluíram o processo de avaliação. Os organizadores do Rating Integra não consideraram a adesão pequena.

O GET (Gestão, Ética e Transparência), outra avaliação, esta elaborada pelo COB (Comitê Olímpico do Brasil), avalia 32 confederações.

“O Rating foi lançado em 2018, teve um tempo muito curto até o momento e vem se concretizando. Estamos aqui para longo prazo”, disse o ex-nadador Gustavo Borges, um dos fundadores do Pacto pelo Esporte.

A expectativa dos organizadores é que, a partir dessa primeira edição, o número de entidades inscritas suba. No ano que vem, os clubes, inclusive de futebol, poderão participar.

“Participar do Rating é uma decisão de cada entidade, acredito que vai ser um sucesso em breve porque é oportunidade de comunicação com o patrocinador”, afirmou Rogério Sampaio, ex-judoca e diretor-geral do COB. “Das 5 entidades anunciadas, 4 são do movimento olímpico, o que mostra a força [desse setor]."

O comitê gestor do Rating é formado pelo Pacto pelo Esporte, COB, CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro), Instituto Ethos​ e Atletas pelo Brasil. As entidades foram submetidas a um questionário elaborado pelo Instituto Ethos e com apoio da empresa de consultoria EY.

Apesar de ser a mais bem avaliada, a Confederação Brasileira de Vela está inscrita na dívida ativa da União com R$ 153.382.423,72, segundo extrato ao qual a Folha teve acesso nesta quarta (23). O passivo é originário da extinta Confederação Brasileira de Vela e Motor (CBVM), referente a impostos não pagos pelo Bingo Augusta, que funcionava em São Paulo sob a chancela da CBVM.

Walcles Figueiredo Osório presidiu a CBVM até 2007 e renunciou na época em que a cobrança estava em R$ 100 milhões.

Marco Aurélio de Sá Ribeiro, em vez de assumir a CBVM com dívidas milionárias, decidiu constituir uma nova confederação, a CBVela, com um CNPJ sem restrições. A Receita Federal, porém, entendeu que o passivo da CBVM também era de responsabilidade da CBVela, do COB e das federações de São Paulo e Rio de Janeiro.

A comissão do Rating resolveu não levar em consideração o passivo por conta de a cobrança ser discutida judicialmente.

"Não reconhecemos nenhum passivo, era de uma instituição chamada CBVM, que durante um bom tempo tomou conta de várias modalidades, entre elas a vela e a motonáutica também. Então espero que as autoridades deem um destino a isso. Ações como a do Integra têm atestado que estamos no caminho certo”, disse Ribeiro.

Ele ressaltou o fato de a CBVela, apesar de não possuir certidões negativas de débito, contar com dois patrocinadores privados: Bradesco e Energisa.

O evento reuniu ex-atletas, entre eles Gustavo Borges, Lars Grael, Ana Moser, André Domingos e Raí. O ex-jogador de vôlei Emanuel Rego e, atual, secretário nacional de esporte de alto rendimento, cargo vinculado ao Ministério da Cidadania, também esteve presente como representante do governo.

Erramos: o texto foi alterado

Diferentemente do que foi publicado inicialmente na legenda da foto, quem esteve na premiação foi o superintendente da Confederação Brasileira de Badminton, José Roberto Santini, e não o presidente, Francisco Ferraz de Carvalho. A legenda foi corrigida.

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