CBF cobra na Justiça R$ 7 milhões por naming rights da Copa Verde

Empresa não pagou parcelas do acordo feito com confederação

São Paulo e Rio de Janeiro

A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) cobra R$ 7.213.820,63 da empresa All Invest Consultoria Financeira e Negócios no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Em fevereiro deste ano, CBF e All Invest firmaram acordo, no qual a empresa poderia explorar espaços publicitários e inclusive o naming rights da Copa Verde, que reúne os times da região norte e centro-oeste do Brasil e do estado do Espírito Santo. O vencedor garante vaga nas oitavas de final da Copa do Brasil.

O contrato foi assinado em fevereiro com duração de 2019 a 2021. A All Invest deveria pagar R$ 4 milhões por temporada, R$ 12 milhões no total. A primeira parcela, no valor de R$ 2 milhões, venceu no dia 4 de março deste ano. A CBF diz não ter recebido, notificou a empresa e rescindiu o contrato.

Cuiabá se sagrou campeão da Copa Verde diante do Paysandu, no Mangueirão, em Belém
Cuiabá se sagrou campeão da Copa Verde diante do Paysandu, no Mangueirão, em Belém - Fernando Torres/CBF

A entidade cobra na Justiça uma multa de 50%, referente aos R$ 12 milhões, acrescidos de correção monetária e juros de 1% ao mês. Caso não receba, os advogados da CBF pediram ao juiz que penhore bens da All Invest.

A empresa passa por problemas financeiros. A All Invest, de acordo com dados da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), iniciou suas atividades em agosto de 2018 e foi constituída em maio deste ano, isto é, três meses depois de assinar o contrato com a CBF.

A sede da empresa, segundo a Jucesp e a Receita Federal, é na cidade de São Paulo. Na internet, a empresa indica um endereço em Goiânia. Há internautas que afirmam ter emprestado dinheiro para a firma e outros que postaram ter investido em um fundo financeiro da All Invest.

A Folha não localizou o responsável pela empresa e ninguém atende ao telefone informado na internet. Em seu site, foi publicado no último dia 19 uma nota de esclarecimento se comprometendo a realizar pagamentos “ainda em atraso no decorrer dos dias 19/11/2019 a 27/11/2019".

Segundo o contrato, a CBF cedia para a empresa sete placas nos estádios, entre elas uma central com a marca “Copa Verde All Invest”. A marca também seria inserida no uniforme dos mascotes dos times durante as semifinais e finais da competição, no totem da bola, placa para foto oficial e no pódio da premiação. A CBF também faria postagens alusivas ao torneio em suas redes sociais.

A Copa Verde, inspirada na Copa do Nordeste, reuniu neste ano 24 equipes das regiões Norte e Centro-Oeste, além dos clubes do Espírito Santo. Foram quatro meses de competições. O nome verde faz alusão à Floresta Amazônica, e o troféu é de madeira.

O Cuiabá conquistou o título no último dia 20 de novembro ao superar o Paysandu na decisão do título. O time mato-grossense perdeu por 1 a 0 na Arena Pantanal, no dia 14, mas devolveu o placar no Mangueirão, em Belém, e levou a melhor na cobrança de pênaltis.

Em todo o torneio deste ano foram vendidos 97.977 ingressos, uma média de 2.332 pagantes por partida. O campeão de bilheteria Remo, do Pará, alcançou uma média de 11.629 pagantes. Seu rival Paysandu, em segundo, conseguiu 10.155 pagantes e o Cuiabá, em terceiro, registrou média de 3.475 pagantes.

A CBF não comenta a ação. Contratado pela entidade, o advogado Alvaro Palma de Jorge disse à Folha que "tem como política não discutir casos em andamento".

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