Descrição de chapéu Tóquio 2020

Lenda do judô Teddy Riner perde invencibilidade de quase 10 anos

Francês tem série de 154 vitórias interrompida por japonês no Grand Slam de Paris

São Paulo

Não se fala em outra coisa no mundo do judô neste domingo (9), nem se falará nos próximos dias. Isso porque um dos maiores atletas da história, o francês Teddy Riner, 30, perdeu uma luta após quase 10 anos de invencibilidade.

O feito raro ainda aconteceu dentro da sua casa, no Grand Slam de Paris. Riner foi derrubado pelo japonês Kokoro Kageura, 24, pelas oitavas de final de uma das mais tradicionais competições da modalidade.

"Ninguém torce por uma derrota, mas vão falar mais dessa derrota do que da vitória de qualquer atleta, afinal ele é um mito. Isso mexe com a cabeça de todo mundo. Já devo ter recebido pelo menos 30 vídeos da luta dele, de todos os ângulos", afirmou à Folha Ney Wilson, gestor de alto rendimento da Confederação Brasileira de Judô (CBJ).

Ele acompanhou a delegação do país no evento e presenciou o feito de Kageura num ginásio lotado. "Eram 15 mil pessoas lá dentro que entendem de judô, então realmente emociona. Eles vibram com aquilo que é bonito. Achei bacana porque o público respeitou e aplaudiu o vencedor", contou.

Bicampeão olímpico (2012 e 2016, além de um bronze em 2008) e dez vezes campeão mundial, o francês acumulava 154 lutas de invencibilidade.

Do fim de 2017 até julho de 2019, Riner havia ficado cerca de um ano e meio sem competir, com o objetivo de se preparar para a busca do tricampeonato na Olimpíada de Tóquio-2020.

Desde que voltou aos tatames, ele lutou e venceu o Grand Prix de Montreal e o Grand Slam de Brasília, ambos no ano passado, mas já havia passado dificuldade em alguns embates.

No Brasil, por exemplo, Riner fez sua luta de estreia contra Kageura e sofreu quatro entradas perigosas, mas ganhou após aplicar um waza-ari com quase 6 minutos de golden score (prorrogação).

Agora, foi a vez de o japonês derrubar a lenda do judô com esse mesma pontuação, também no golden score, depois de um contra-ataque que fez o público francês aplaudir a queda da lenda.

A última derrota de Riner havia ocorrido em setembro de 2010, quando perdeu para o japonês Daiki Kamikawa na categoria sem limite de peso do Campeonato Mundial, disputado no Japão naquele ano.

Para a Olimpíada de Tóquio, uma das metas do país-sede foi investir em atletas da categoria pesado (acima de 100 kg) que pudessem ser capazes de levar o francês ao chão.

Kageura, décimo colocado do ranking olímpico da federação internacional nessa categoria, não é o melhor judoca do país na lista. O posto é de Hisayoshi Harasawa, 27, vice-líder, atrás do tcheco Lukas Krpalek, 29, outro que quase bateu Riner recentemente.

Ainda não está confirmado quem será o único representante no peso pesado do Japão nos Jogos Olímpicos. A posição no ranking não é definitiva, e cada nação tem liberdade para indicar seus atletas. Em ascensão, Kageura certamente marcou muitos pontos neste domingo para ter seu nome escolhido.

Já o francês atualmente é o 24º colocado no ranking olímpico, pois esteve ausente de quase todas as competições importantes dos últimos anos. Ele corre para melhorar sua posição e conseguir um lugar entre os cabeças de chave em Tóquio.

"O reinado dele não acabou. Tiraram a invencibilidade, mas ele chegará à Olimpíada ainda com favoritismo, e a derrota pode representar uma troca de chave nos seus treinamentos", analisa o dirigente da CBJ.

Em vídeo divulgado nas suas redes sociais, o atleta falou sobre a derrota: "Desculpas pelo dia, mas é isso. O objetivo é ganhar os Jogos Olímpicos de Tóquio. Hoje não deu, mas é preciso se recuperar, trabalhar. Vamos ter dois ou três torneios para nos prepararmos bem. Agradeço pelo apoio e até breve".

O Brasil tem dois representantes fortes nessa categoria. Rafael Silva, 32, é o nono colocado do ranking, e David Moura, da mesma idade, o 11º. Na final do Grand Slam de Brasília, Moura levou um ippon de Riner após 20 segundos de luta.

Silva, conhecido como Baby, foi até as semifinais do Grand Slam de Paris e caiu justamente contra Kageura. Apesar do feito histórico, o japonês não ficou com a medalha de ouro —perdeu a final para o holandês Henk Grol.

"Não existe mais aquele cara que não perde para ninguém, e isso balança nossos atletas também", diz Ney Wilson. A disputa entre Baby e Moura para representar o Brasil em Tóquio está aberta e será definida até o fechamento do ranking olímpico, em maio.

Duas judocas do país foram ao pódio no Grand Slam de Paris. Beatriz Souza (acima de 78 kg) e Larissa Pimenta (até 52 kg) ficaram com a medalha de bronze, esta última ao derrotar a compatriota Sarah Menezes, medalhista de ouro na Olimpíada de Londres-2012.

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