Santos anuncia retorno de Cuca para comandar time no Brasileiro

Técnico volta ao clube depois de dois anos e será o substituto de Jesualdo Ferreira

Santos

O Santos oficializou nesta sexta-feira (7) o retorno do técnico Cuca, 57. O acordo foi sacramentado no início da tarde, após reunião entre o treinador, o presidente José Carlos Peres e membros do comitê gestor do clube.

O contrato dele irá até o final do Campeonato Brasileiro, em fevereiro de 2021, período em que o time também disputará a Copa Libertadores.

As partes já tinham conversas alinhadas desde o início da semana. Mesmo antes da demissão do antecessor, o português Jesualdo Ferreira, Santos e treinador conversavam sobre um possível retorno.

Pesou para o desfecho a pedida financeira avaliada como viável pela cúpula santista (cerca de R$ 600 mil mensais) em meio à crise que o clube enfrenta nesta temporada e que foi agravada na pandemia. Cuca levará dois integrantes para a comissão técnica: o irmão e auxiliar Avlamir Dirceo Stival, o Cuquinha, e um preparador físico.

Com a volta do treinador, o ex-meia Renato, que estava no time B do Santos, assume como diretor técnico no lugar de William Thomas. O executivo havia pedido demissão por causa da saída de Jesualdo.

O cenário agora é bem diferente do traçado para o português no início da temporada. Ele chegou ao clube com pompa, para ser o substituto do argentino Jorge Sampaoli após o vice-campeonato brasileiro em 2019, e com vencimentos superiores a R$ 1 milhão mensais, acompanhado de cinco nomes em sua comissão.

Cuca vai estrear já na partida contra o Red Bull Bragantino, domingo (10), às 16h, na Vila Belmiro, pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro.

Cuca durante sua apresentação como técnico do Santos
Cuca durante sua apresentação como técnico do Santos - Santos/Divulgação

Essa será a terceira passagem do treinador pela Vila Belmiro. A última ocorreu na própria gestão de Peres, de julho a dezembro de 2018. Na ocasião, o treinador surpreendeu ao comunicar um afastamento repentino, mesmo com contrato até 2019, por motivos de saúde. Ele foi submetido a uma cirurgia para corrigir um problema no coração. No ano seguinte, comandou o São Paulo.

O trabalho de 2018 no Santos foi encerrado com 25 jogos: nove vitórias, nove empates e sete derrotas, um aproveitamento de 48%. Antes disso, ele teve passagem frustrada, em 2008, interrompida com apenas 14 jogos e três meses incompletos.

O clube passa por turbulências nos bastidores. Ao todo, são cinco meses de atrasos no pagamento dos direitos de imagem dos jogadores, além da redução salarial promovida pelo clube em meio à pandemia –realizada sem acordo assinado com o elenco e a antiga comissão técnica.

Na segunda (3), os atletas pediram uma reunião emergencial com o presidente José Carlos Peres para cobrar explicações sobre a verba que o Santos prometeu desembolsar para a permanência de Yuri Alberto, de cerca de R$ 10 milhões.

No dia seguinte, pelas redes sociais, o clube anunciou ter desistido do plano de manter a jovem promessa e desejou sorte para a sequência de sua carreira no Internacional.

A própria saída de Jesualdo gerou incômodo pela forma como foi conduzida. Ela ocorreu minutos antes do treino e causou surpresa nos atletas, que já aguardavam em campo pelo início da atividade quando foram avisados que o trabalho seria comandado por Pablo Fernandez, técnico do sub-20.

Em 2018, Cuca também assumiu o clube em cenário tumultuado. A equipe não vencia há oito jogos e estava na zona de rebaixamento. “Podem ter uma certeza: o Santos não cai”, disse à Folha, em entrevista em 8 de agosto daquele ano, pouco após a sua chegada. O clube terminou na décima colocação, com 50 pontos.

O treinador e Peres trocaram várias farpas publicamente no período. Logo após a eliminação do clube para o Independiente (ARG), pelas oitavas de final da Libertadores, o técnico disparou contra o erro da diretoria na escalação irregular do uruguaio Carlos Sánchez, que custou uma desvantagem de 3 a 0 no jogo de ida, mesmo com o empate em 0 a 0 registrado em campo.

O técnico também reprovou um palpite do presidente com relação ao aproveitamento do costarriquenho Bryan Ruiz. Na ocasião, Peres citou que o meio-campista jogava fora de posição. O atleta deixou o clube em julho deste ano, após duas temporadas no time e apenas 14 jogos feitos.

Em sua apresentação, Cuca disse estar ciente dos problemas.

"Hoje é uma situação diferente daquela que cheguei [em 2018]. Hoje, eu chego sabendo dos problemas do Santos. Eu sei das coisas que podem e devem acontecer ao longo do ano. Eu faço parte dessa engrenagem. Podemos ter de vender um ou outro jogador, mas não podemos perder a força. Temos de criar alternativas, descobrir jogadores. Não só aqui no profissional, mas lá na base, também, ir ver jogos", disse ele.

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