Descrição de chapéu Copa Libertadores 2020

Amante dos clássicos, Coudet busca acertar conta pendente no Gre-Nal

Técnico do Internacional ainda não venceu o rival desde que chegou ao Brasil

São Paulo

Eduardo Coudet, 46, nunca escondeu ser torcedor fanático do Rosario Central. Como jogador do clube, pelo qual conquistou a Copa Conmebol em 1995, sempre viveu os clássicos contra o Newell's Old Boys de maneira especial.

Provocador, preparava o cenário já no início da semana, com brincadeiras e declarações direcionadas ao rival. Como quando chamou Luciano Vella, do Newell's, de marca de shampoo, pela semelhança do nome do jogador com um produto para cabelos.

Eduardo Coudet busca a sua primeira vitória no clássico contra o Grêmio
Eduardo Coudet busca a sua primeira vitória no clássico contra o Grêmio - Liamara Polli - 16.set.2020/Reuters

Mas Coudet, apesar do estilo boquirroto, sempre soube que as provocações dos dias prévios precisavam ser bancadas dentro de campo, se não com vitórias, ao menos com garra e a busca pelo resultado até o fim.

Hoje, como técnico, o argentino não é mais o falastrão de outrora, mas ainda respira os clássicos como jogos especiais, diferentes dos outros. E no Internacional, equipe que comanda desde o início do ano, o treinador ainda não conseguiu bancar e saborear uma vitória sobre o rival Grêmio, o que lhe incomoda bastante.

No duelo desta quarta-feira (23), no Beira-Rio, às 21h30, Eduardo Coudet e seus comandados buscarão encerrar essa sina do Gre-Nal, em jogo válido pela quarta rodada da fase de grupos da Copa Libertadores.

À frente do Inter, o técnico comandou o time em quatro clássicos até aqui: foram três derrotas, todas pelo Campeonato Gaúcho, e um empate sem gols pela Libertadores, confronto que terminou com briga entre os atletas dos dois clubes, antes da paralisação causada pela pandemia.

"No nível pessoal, sim, [o jejum] me dói muito. Mas isso está para ser quebrado. Sempre dizemos que olhamos para a próxima partida, mas não vou mentir. [O dia do clássico] Era a data que eu olhava, porque você sempre quer a revanche", disse Coudet, em entrevista no fim de agosto a Paulo Vinícius Coelho, colunista da Folha e comentarista do Grupo Globo.

O argentino já comparou o Gre-Nal com o duelo entre Rosario Central e Newell's Old Boys, por dividirem uma cidade e pelo fanatismo das duas torcidas.

Como jogador ou técnico, Coudet tem boas recordações do clássico rosarino. Seu retrospecto na função de treinador, entre 2015 e 2017, foi de duas vitórias, dois empates e uma derrota.

Mas a lembrança mais especial ele certamente viveu enquanto atleta. Em novembro de 1997, o Rosario Central vencia o clássico por 4 a 0 em sua casa, o Gigante de Arroyito. O Newell's já tinha quatro jogadores expulsos quando José Herrera, atleta da equipe, precisou deixar o campo com uma suposta lesão.

O relógio marcava 19 minutos do segundo tempo e, como o Newell's havia feito todas as suas substituições, o regulamento não permitia que o time seguisse em campo com apenas seis atletas.

Coudet anotou um dos gols da goleada do Central, que comemora a cada ano o aniversário do Clássico do Abandono.

"Estivemos a ponto de fazer o quinto gol, mas eles foram embora, abandonaram. Sejamos claros: se cagaram", disse o "Chacho", em entrevista de 2005 à revista El Gráfico.

No fim da década de 1990, Eduardo Coudet se transferiu para o River Plate e experimentou a maior rivalidade do futebol argentino, contra o Boca Juniors. Era uma época na qual o River dominava o cenário local, e o Boca os torneios internacionais.

Com a camisa do clube de Nuñez, disputou sete clássicos em jogos oficiais e somou três vitórias, duas derrotas e dois empates.

Foi em um desses triunfos, na Bombonera, que Coudet afirma ter gritado um dos gols mais especiais de sua carreira.

Em março de 2002, na casa do rival, Coudet aparece na direita da área para receber o passe de Cavenaghi e chutar cruzado para marcar o segundo do River na vitória por 3 a 0. A construção do lance lembra, com algum esforço, o gol de Carlos Alberto na final da Copa do Mundo de 1970, contra a Itália.

Eduardo Coudet celebra gol do River sobre o Boca Juniors, na Bombonera, em 2002
Eduardo Coudet celebra gol do River sobre o Boca Juniors, na Bombonera, em 2002 - Enrique Marcarian - 10.mar.2002/Reuters

A rivalidade fez com que ele ganhasse a antipatia também dos torcedores do Boca, mas que nunca superou o ódio da torcida do Newell's com relação a ele.

"Os torcedores do Newell's me odeiam tanto porque eu os odeio mais do que eles odeiam a mim", disse o "Chacho", à revista El Gráfico.

A última experiência de Eduardo Coudet em clássicos foi no comando do Racing, clube com o qual conquistou o Campeonato Argentino em 2019. Em seu único confronto com o rival Independiente, o Racing venceu por 3 a 1, fora de casa, no estádio Libertadores de América.

É na Libertadores, nesta quarta, que o comandante do Internacional espera rever seu sucesso pessoal em clássicos para encerrar o jejum diante do Grêmio e encaminhar a classificação da equipe gaúcha.

Com 7 pontos, o Inter lidera o Grupo E da competição. O Grêmio, segundo colocado, tem quatro.

Palmeiras visita o Guaraní antes de sequência em casa

Líder do Grupo B com 9 pontos, o Palmeiras visita o Guaraní nesta quarta-feira (23), no estádio Defensores del Chaco, em Assunção, no Paraguai.

A partida terá transmissão do SBT, para a TV aberta, e do Fox Sports, para a TV fechada.

O compromisso diante dos paraguaios, que eliminaram o Corinthians na segunda fase da Copa Libertadores, será o último fora de casa para os comandados de Vanderlei Luxemburgo nesta fase de grupos da competição.

As duas últimas rodadas, contra Bolívar e Tigre, respectivamente, serão disputadas no Allianz Parque, onde a equipe tem encontrado problemas para vencer no Campeonato Brasileiro.

No Nacional, nas três partidas que jogou em sua casa, o time alviverde empatou todas. A única vitória como mandante no Brasileiro, no clássico contra o Santos, aconteceu no Morumbi.

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