Descrição de chapéu Campeonato Brasileiro 2020

Justiça suspende jogo entre Palmeiras e Flamengo após surto de Covid no time carioca

Equipe rubro-negra tem 36 funcionários ou dirigentes com o novo coronavírus

São Paulo

Decisão do TRT-RJ (Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro) adiou a partida entre Palmeiras e Flamengo, marcada para este domingo (27), às 16h, no Allianz Parque, pelo Campeonato Brasileiro. A equipe carioca tem um surto de Covid-19 entre empregados, dirigentes e jogadores.

A liminar foi assinada pelo juiz Filipe Olmo e aconteceu a pedido do Sindeclubes (Sindicato dos Funcionários de Clubes do Rio), presidido por José Pinheiro dos Santos, funcionário da segurança do Flamengo. A entidade entrou com o pedido na sexta (25). A multa para o descumprimento da decisão é de R$ 2 milhões.

Jogadores do Flamengo antes de partida contra o Barcelona (EQU) pela Libertadores, quase adiada por causa da pandemia da Covid-19
Jogadores do Flamengo antes de partida contra o Barcelona (EQU) pela Libertadores, quase adiada por causa da pandemia da Covid-19 - Rodrigo Buendia-22.set.20/AFP

O Flamengo voltou de viagem ao Equador, após jogo pela Libertadores, com 36 membros infectados pelo novo coronavírus —19 jogadores. Uma imagem polêmica do voo, postada nas redes sociais do time, mostrou vários atletas sem máscara e não respeitando o distanciamento entre eles.

O clube carioca já havia feito a mesma solicitação ao STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), mas o pedido foi indeferido. O mesmo apelo feito à CBF foi negado.

“Apesar dos protocolos estabelecidos pela CBF e pelo 2º réu [o próprio Flamengo] [...] não há garantia de que os empregados saudáveis não terão contato com outros que possam estar infectados”, escreveu o juiz em seu despacho.

De acordo com o UOL, a CBF recebeu com irritação a liminar que suspende o confronto e prometeu tentar derrubar a decisão. Para se precaver, o Flamengo manteve sua programação pré-jogo e embarcou para São Paulo.

Em nota assinada pelo presidente Maurício Galiotte, favorável ao jogo, o Palmeiras defende que o campeonato seja paralisado caso o protocolo definido não seja cumprido.

Para negar o pedido da equipe rubro-negra na última quinta-feira (24), a CBF apontou que a agremiação “dispõe de elenco suficiente para a realização da partida [13 atletas saudáveis]” e adotou o que chamou de “medida mais adequada e isonômica” —solicitações semelhantes foram indeferidas.

A Folha questionou CBF e Flamengo sobre o adiamento, mas não obteve uma resposta até a conclusão desta edição.

A polêmica colocou de lados diferentes os jogadores dos dois clubes. Os do Palmeiras chegaram a desautorizar o sindicato da categoria em São Paulo, afirmando desejarem jogar. A entidade se manifestou contra isso. Neste sábado, foi entregue um abaixo-assinado de 20 atletas flamenguistas à Saferj (Sindicato dos Atletas Profissionais do Rio de Janeiro) solicitando que a partida não aconteça.

Antes de ter um surto de coronavírus no clube, o Flamengo foi um dos principais incentivadores da volta do futebol em julho, após cerca de três meses de paralisação.

O elenco voltou a treinar em 20 de maio, em sigilo, mesmo sem autorização das autoridades do Rio de Janeiro.

O Flamengo também se mostrou durante a semana ser o grande entusiasta entre os principais clubes do país de um retorno imediato dos torcedores aos estádios. Para isso, conta com o apoio do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), que disse que o Maracanã poderia receber 20 mil pessoas no próximo dia 4, quando o time enfrenta o Athletico.

Também durante a semana, o Ministério da Saúde aprovou um plano da CBF para retorno da torcida em 30% da capacidade, já a partir de outubro, mas deixou a decisão final para os estados e prefeituras.

A CBF, no entanto, esbarrou na última quarta (23) nas negativas do governador de SP, João Doria (PSDB), e de autoridades municipais, como os prefeitos Nelson Marchezan Júnior (PSDB), de Porto Alegre, e Alexandre Kalil (PHS), de Belo Horizonte.

A entidade, então, realizou uma vídeoconferência com os clubes da Série A e integrantes de federações estaduais, no dia seguinte, para saber a posição de cada um sobre o assunto. No encontro virtual, apenas os representantes do Flamengo e da Ferj disseram que aceitariam a volta do público nos jogos do Brasileiro antes da liberação para todas as cidades. Os demais são favoráveis ao retorno, mas apenas se a regra valer para todos.

Em nova reunião com os times, neste sábado (27), a entidade ratificou o pensamento das equipes à respeito da isonomia do campeonato e vetou o retorno do público. Contudo, vai reavaliar a situação daqui a duas semanas.

O Flamengo foi o único dos 20 times da Série A a não participar da videoconferência. Em nota, o clube afirma que a decisão sobre o público não compete aos clubes e à CBF, que afirma ter convidado o clube rubro-negro.

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.