CBF defende manutenção do futebol e diz não haver evidência de contágio em jogos

Para entidade, ambiente do esporte tem situação controlada graças a protocolos sanitários

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São Paulo

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) defendeu nesta quarta-feira (10) a manutenção do futebol durante a pandemia e afirmou ainda que a medida contribui para o combate ao coronavírus no país.

Em apresentação aos jornalistas, a comissão médica da CBF disse que respeitará a decisão de governos locais a respeito de uma paralisação, mas que o calendário nacional deve prosseguir, com as diferentes divisões do Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil. A continuidade do esporte conta com o apoio das federações estaduais.

“Posição do futebol hoje, não só da CBF, mas das federações e clubes, é de que o calendário deve ser mantido como uma contribuição do futebol ao combate à pandemia”, afirmou o secretário geral da entidade, Walter Feldman.

Ele confirmou também que enviará o resultado de todo o estudo epidemiológico realizado pela entidade durante a temporada 2020 para os governos estaduais e prefeituras.

Médico da confederação, Jorge Pagura afirmou que o protocolo de testagem extensa, criado pela entidade, contribui para diminuir a transmissão do vírus na sociedade.

Segundo ele, por fazer exames PCR em assintomáticos, o futebol consegue fazer com que essas pessoas fiquem em quarentena e não contaminem outras.

“Você não está concorrendo para levar a doença [para a sociedade], pelo contrário, você está tirando [as pessoas doente] de circulação, porque ninguém está em lockdown, em casa. Se não estivesse no futebol, [elas] estariam saindo, visitando parentes”, afirmou Pagura.

Queima de fogos no Allianz Parque após o título da Copa do Brasil do Palmeiras
Queima de fogos no Allianz Parque após o título da Copa do Brasil do Palmeiras - Carla Carniel - 7.mar.2021/Reuters

A confederação também disse não ter encontrado nenhuma evidência de transmissão entre jogadores adversários durante partidas de futebol. Segundo os médicos, um atleta fica em contato com um rival em média 1 minuto e meio durante os 90 minutos de um jogo.

Segundo a CBF, o departamento médico mapeou todas as situações, nas Séries A, B e C, em que um clube apresentou mais de três casos positivos de coronavírus e foram isolados. Em um espaço de 14 dias após a testagem, a entidade monitorou as equipes adversárias com as quais aquele atleta doente teve contato.

“Em 67 interações que havia pelo menos três jogadores retirados [para isolamento], não houve nenhum caso positivo nos times adversários. Isso é uma evidência de que não há transmissão do vírus durante a partida em campo, principalmente neste cenário de assintomaticos”, afirmou Bráulio Couto, epidemiologista consultor da CBF.

Segundo Couto, isso ocorreu também no caso do jogador Valdívia, do Avaí, que precisou ser retirado de jogo no intervalo de uma partida, quando saiu um novo resultado de seu teste.

“A contaminação [do atleta] não ocorre em campo, mas por comportamento social e quebra de protocolo”, completa ele.

De acordo com o estudo divulgado nesta quarta, os vírus encontrados em jogadores de times do sul, por exemplo, tem diferença em relação aos identificados em atletas que atuam em times do nordeste, o que reforçaria a tese da confederação de não haver troca viral entre esses atletas, explicou Clóvis Arns, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia e que também é colaborador com a CBF.

Segundo o gráfico apresentado sobre casos positivos de Covid na temporada 2020, não há relação entre o aumento de casos dentro do futebol com a elevação ou a diminuição da transmissão do vírus na sociedade.

Na comparação entre as diferentes competições organizadas pela CBF, a Série A do Campeonato Brasileiro foi a que apresentou maior taxa de contágio entre jogadores, 3,1%, seguida pela Copa Verde, 3%.

“Realmente aí houve uma baixa de guarda”, afirmou Pagura. “Um pouco de descumprimento de protocolos.”

“Os clubes da Série A disputaram competições paralelas, Copa Libertadores e Sul-Americana. Comparando a operação com as demais séries, parte dos clubes que participam dessas competições estavam mais expostos”, afirmou Roberto Nishimura, médico do esporte da CBF.

Eles afirmam que não é possível comparar os níveis de contaminação das séries não somente por esse motivo, mas principalmente porque cada divisão e competição teve calendários diferentes e condições específicas de disputa.

A confederação afirmou que regulamentará atualizações no seu protocolo, como recomendação de uso de duas máscaras de pano ao invés de uma, ou uso de máscaras do tipo PFF-2.

A confederação afirma que realizou 89.052 testes RT-PCR para um total de 13.237 atletas monitorados. Apenas 2,2% desses exames deram positivo.

A entidade também divulgou que fará uma campanha em prol da vacinação em massa por meio de suas competições.

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