Descrição de chapéu Como chegar bem aos 100

É preciso estimular a cooperação entre as gerações no mercado de trabalho

Respeito à diversidade etária pode fortalecer empresas em tempos de crise

Mórris Litvak

Engenheiro de software, fundador e CEO da startup Maturi e coordenador da área de trabalho do Centro Internacional de Longevidade (ILC) no Brasil

Com o aumento da expectativa de vida e os avanços da ciência e da tecnologia, estamos vivendo mais e melhor. Por isso, precisaremos assegurar renda por mais tempo, já que a aposentadoria pública fica cada vez mais longe e insuficiente.

ilustração em que pessoas jovens sobem rapidamente uma escada enquanto um homem idoso, segurando uma bengala, ainda está no andar térreo
Cooperação entre gerações pode fortalecer empresas em tempos de crise - Catarina Pignato

Nossa população 50+ passou de 54 milhões em 2020, o que representa cerca de 25%. No entanto, essas pessoas sofrem com a exclusão no mercado de trabalho, que, de forma geral, insiste em focar nos mais jovens, perpetuando o preconceito etário.

Perde-se assim a oportunidade de ter maior diversidade no ambiente de trabalho. Diferentes gerações, quando integradas, podem se completar e se ajudar, o que traz inovação às empresas, além de maior capacidade de entender e atender o crescente público consumidor maduro.

Não é novo o êxodo dos 50+ do mercado de trabalho. Ao contrário do que deveriam, as empresas frequentemente reforçam o etarismo.

A saída dos “maturis” do mercado traz muitos impactos. Segundo o Fed (Federal Reserve, banco central americano), a aposentadoria dos “baby boomers” (geração nascida após o fim da Segunda Guerra Mundial) pode causar um declínio de 2,8 pontos percentuais no aumento da produtividade entre 2020 e 2040.

O envelhecimento no Brasil será mais rápido do que em países como França e EUA. A inversão da pirâmide fará com que as equipes venham a ser formadas por pessoas de 20 a 70 anos. Já em 2040, 57% da força de trabalho no nosso país será composta por pessoas com mais de 45 anos.

Estimular a cooperação entre gerações pode minimizar conflitos no ambiente de trabalho. Para tal, em primeiro lugar, é importante falar sobre o assunto. Em minhas palestras de sensibilização sobre integração geracional e diversidade etária, percebo que a demanda pelo assunto tem aumentado bastante. O interesse no tema não significa necessariamente a inclusão de colaboradores 50+, mas indica uma tendência.

Enquanto os mais jovens valorizam tarefas técnicas, flexibilidade de horário e propósito, os maduros priorizam relações no ambiente de trabalho, cultivam as habilidades socioemocionais e apresentam um alto comprometimento com a organização.

O encontro de gerações pode dar às empresas oportunidades para se fortalecer em tempos de crise. Para isso, é preciso adotar práticas de gestão de pessoas que respeitam essa diversidade etária.

É também necessário acabar com políticas de aposentadoria compulsória, rever planos de carreira e benefícios, e planejar saídas humanizadas.

É ainda fundamental adotar aprendizagem ao longo da vida. Buscar atualização, ter à mão um plano B e saber atuar por conta própria são cruciais para se manter no mercado ou para buscar novas fontes de renda e ocupação, assim como fazer networking e praticar o autoconhecimento.

Os “maturis” também devem buscar alternativas, já que a tendência é que o emprego formal seja cada vez mais escasso, enquanto novas possibilidades surgem.

Todos somos responsáveis pelo combate ao preconceito etário na sociedade e no mercado de trabalho, onde a idade começa a pesar cedo, sobretudo para as mulheres. Combater o etarismo é obrigação dos indivíduos, empresas e do poder público.

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