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Joaquim Falcão é eleito para a vaga de Cony na Academia Brasileira de Letras

O jurista foi escolhido por 32 dos 35 votantes

O jurista Joaquim Falcão, eleito nesta quinta para a Academia Brasileira de Letras
O jurista Joaquim Falcão, eleito nesta quinta para a Academia Brasileira de Letras - Marcelo Chello/CJPress/Folhapress
Marco Aurélio Canônico
Rio de Janeiro

O jurista carioca Joaquim Falcão, 74, confirmou seu favoritismo e foi eleito, na tarde desta quinta (19), para ocupar a cadeira nº 3 da Academia Brasileira de Letras, no Rio.

"Imortal é a Academia. Ela representa a auto-estima do Brasil com o Brasil. Representa a pluralidade, a liberdade, representa não desistir do Brasil. Estou muito contente", disse o eleito à Folha, por telefone.

Falcão sucede o escritor Carlos Heitor Cony, ex-colunista do jornal, morto em janeiro passado, aos 91 anos. Na disputa, ele teve como principal concorrente a filha de João Guimarães Rosa (1908-1967), Vilma.

"Joaquim Falcão é um nome de marca na área jurídica e um intérprete sensível e profundo de nosso país. Possui uma cultura ecumênica e plural, raro conhecedor do STF e dos desafios do Brasil. É um grande nome para a casa", disse o presidente da Academia, o poeta e escritor Marco Lucchesi.

Mestre em direito pela Universidade Harvard (EUA) e doutor em educação pela Universidade de Genebra, Falcão é professor da Escola de Direito do Rio da Fundação Getúlio Vargas e autor de livros como "Mensalão, Diário de Um Julgamento" (2013) e "Reforma Eleitoral no Brasil" (2015).

Trabalhou com o sociólogo Gilberto Freyre (1900-1987), que o convidou a criar o departamento de ciência política na Fundação Joaquim Nabuco, em Recife, e com o economista Celso Furtado (1920-2004) no Ministério da Cultura, durante o governo de José Sarney.

Nesta ocasião, presidiu a Fundação Nacional Pró-Memória, então responsável pela Biblioteca Nacional, Cinemateca Brasileira, Museu Nacional de Belas Artes e outras instituições.

"Joaquim Falcão é não só um jurista notável, é também uma figura incontornável da cultura brasileira. Seu lugar é nesta casa e já tardava esta eleição. Joaquim é muito querido entre os acadêmicos, como prova a sua votação", disse a escritora e académica Rosiska Darcy de Oliveira.

A cadeira nº 3, que Falcão passará a ocupar, teve como fundador o poeta e dramaturgo luso-brasileiro Filinto de Almeida (1857-1945) e tem como patrono o jornalista Artur de Oliveira (1851-1882). Ela já foi ocupada pelo engenheiro e político Roberto Simonsen (1889-1948), pelo jornalista Aníbal Freire (1884-1970) e pelo jornalista e escritor Herberto Sales (1917-1999), além de Cony.

O eleito foi escolhido por 32 dos 35 votantes —houve três votos em branco; quatro dos imortais eleitores estão afastados por motivo de saúde e não votaram. A data de sua posse ainda não foi marcada. 

Com esta eleição, a ABL fica novamente completa, com 40 membros.

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